Não existe uma vida. Existe um dia. Fora disso, nada: sobram recordações e proje- ções. Sentir acontecendo mesmo é na hora (que fica dentro de um dia). Até o fim dos dias haverá sempre um para você preencher - ou deixar escapar.
O que se fará desse dia depende da escolha entre manter um estado inabalável de felicidade ou uma queda por apatias depressivas. Detalhe: não existe busca da felicidade. Existe ser feliz como o que se quer e se tem. Existe o “agora” a ser ocupado com serena satisfação (seja qual for a frustração do dia).
Depende da postura - não diante da vida, que não existe, mas do dia, que persiste. Por coincidência, ontem, ouvi a seguinte frase: “Futuro não existe. Futuro é o que faço agora”. Faz sentido ficar parado nisso.
O que faz com que retornemos à ideia inicial: um dia é a vida. O que aumenta a responsabilidade já que, lembrando o dito popular, “viver é como desenhar sem borracha”. Em outras palavras: não vamos fazer “caca” do dia que temos para fazer valer. Como adoramos rótulos, dá-lhe figurino para os dias. Hoje mesmo e merecidamente: é o Dia das Mães. Parabéns a todas e um beijo à dona Lourdes que, nos tempos viventes, esteve sempre em dia com seu coração.
O resto é alegoria, melancolia, mas não um dia. Uma vez eu mesmo disse que ter um bom ano é fácil, difícil é viver um grande dia. Bingo. Tem uma música escocesa que diz algo mais ou menos assim: “Todos os animais estão correndo atrás de mim / E tudo o que eu posso fazer é ficar em dois pés”. O que significa? Que toda a nossa movimentação se dá na base da pressão diária? Pode ser. Quer saber? Vou tirar uma parte do dia para tentar entender melhor.
O autor é editor executivo do JC