08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Amargo pesadelo

Marcos Vieira da Silva - Iacanga
| Tempo de leitura: 2 min

Diferentemente das vezes anteriores, vou tratar hoje aqui neste democrático espaço de um problema crucial em minha Iacanga.

Toda a cidade sabe que a água que jorra do poço profundo, perfurado quase às margens da rodovia Cesário José de Castilho, é de excelente qualidade, pelo menos até o momento em que começa a ser bombeada para a rede, quando inclusive recebe dosagem de cloro, isso em decorrência da precária situação do encanamento, implantado há bem mais de 60 anos.

Assim sendo, restava às pessoas. como eu, que não têm o hábito de beber tal água, a possibilidade de comprar ou recorrer às minas na cidade e na estrada para Quilombo.

Vai daí que um empresário iacanguense, de espírito altruísta, tendo em sua propriedade um poço profundo que extrai o preciosos líquido direto do Aquífero Guarani, e sem dúvida com a melhor das boas intenções, fez construir, à entrada da empresa, uma instalação toda azulejada e com duas torneiras, onde muitos habitantes deste município iam para se abastecer da água, de excelente qualidade.

Eu disse iam, pois já não podem mais ir, eis que a vigilância sanitária municipal interditou o local, retirando as torneiras e consequentemente impedindo o acesso ao líquido da vida.

Procurando o órgão, fui informado de que, segundo uma lei, toda água destinada ao consumo humano obrigatoriamente tem que ser submetida a uma análise, o empresário foi notificado, não vai promover tal ação porque ela tem um custo, e assim, para o desespero de tantos quantos a minha humilde pessoa, de uma hora para a outra nos vimos privados de ali coletarmos a água boa para o nosso próprio consumo.

É ou não é o fim do mundo?

Analisar a água do Aquífero Guarani, a mais pura reserva do nosso subsolo, para quê? Eu bebo dessa água há mais de 10 anos e nunca senti nada!

Enquanto cidades, como por exemplo Bauru, que tem vários pontos de fornecimento do líquido, e eu nunca soube que se cogitasse de descontinuar tal prática, com empresas que continuam prestando esse louvável serviço, aqui em Iacanga a burocracia, para não dizer 'burrocracia', de um órgão que tem a sua importância, mas que neste caso, na minha modesta opinião, está estribado em premissa das mais frágeis, permite que um grande número de iacanguenses sejam impedidos de captar o mais essencial dos líquidos, a preciosa água do Aquífero Guarani, que matava a nossa sede.

Resumo da ópera: quanto mais eu rezo, mais assombrações me aparecem!