09 de julho de 2026
Articulistas

Tal pai, tal filho...

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

O Gervásio, meu amigo, era um pai presente. Sua presença na vida do filho era constante. Todas as tardes apanhava o garoto na escola e saiam para passear, pai e filho, dois grandes amigos. Tranquilamente, nas tardes quentes caminhava com o garoto para o bar mais próximo. Pedia uma cerveja e um guaraná, e ficava assim, por várias horas jogando truco com os amigos. O filho? Ah sim, o pequeno sempre a seu lado, observando atentamente os passos do pai.

Nos finais de semana também estava sempre ao lado do garoto, ensinando-o, segundo sua concepção, as malandragens da vida. Estimulava o filho a utilizar o estilingue para matar pássaros e também a pronunciar palavras chulas quando uma mulher mais bela cruzava seu caminho.

A presença paterna ou materna na vida dos filhos é importante, todavia, agregada à presença é necessário a qualidade na convivência. As crianças assimilam os comportamentos dos adultos, portanto, se crescem a mercê de más influências e de uma postura indisciplinada por parte dos pais, tenderão a assimilar estas atitudes transferindo-as para suas vidas.

Filhos que crescem observando os pais viverem em harmonia serão inclinados a formar famílias harmoniosas, copiando o comportamento de seus pais. Daí a importância de transmitir qualidade às crianças, e qualidade aqui descrita nos seus mais abrangentes aspectos, como convivência com o semelhante, maneira de encarar desafios, forma de lidar com perdas, postura de se portar perante a vida e assim por diante.

O tempo deve ter qualidade; e qualidade no tempo de convivência com os filhos equivale a bons exemplos. Nossa responsabilidade como pais é enorme, devemos, pois, nos atentar para nossa postura. Pequenas atitudes como mentir na frente dos filhos ou proferir palavras de baixo calão são extremamente perniciosas aos pequenos corações, porquanto, bem o sabemos, é de pequeno que sedimentamos nobres valores na alma humana.

O autor é colaborador de Opinião