09 de julho de 2026
Geral

Frota bauruense tem 40.170 veículos com mais de 30 anos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Ao todo, 40.170 veículos de Bauru têm ao menos três décadas de fabricação. A quantidade representa 14,71% dos 273.047 registrados na cidade, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran). Desse percentual, 1.329 têm cerca de 50 anos.

Não à toa, o município conta com tantas exposições de carros antigos. Por todo canto, é possível encontrar apaixonados por clássicos, que recebem altos investimentos. Outros modelos, porém, sem manutenção, sofrem com o peso dos anos.

A partir de duas décadas, os veículos ficam isentos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Neste cenário, Bauru conta com uma frota de 79.714 deles, fabricados antes de 1996. O número representa 29% do total de automóveis que transitam pela cidade. No Estado, são 33%.

“A isenção é por conta de uma legislação federal”, pontua presidente do Detran, Maxwell Vieira, que esteve recentemente em Bauru para encontro com prefeitos da região e também para reforçar campanha referente ao Maio Amarelo.

PRATA, PRETA E BRANCA

Se a cor utilizada pela campanha é chamativa, a da maioria dos veículos usados pelos bauruenses é discreta. Circulam principalmente com pintura prata, preta e branca, nesta ordem respectivamente. Juntas, as três cores somam 58,3% da frota.

Já os modelos que dependem de gasolina para rodar pelas vias são a maioria. São 46% ao todo. Flex (álcool e gasolina) atinge o percentual de 38,6%. Aqueles que circulam apenas com álcool não representam nem 7%. Em muitas ocasiões, optar pelo etanol faz bem para o bolso, sendo que o cenário econômico impacta diretamente na frota da cidade, conforme o próprio JC relatou em ocasiões anteriores.

Tempos bicudos, inclusive, também podem explicar a razão do total de primeiras habilitações expedidas no ano passado somarem número inferior em relação a 2015 e 2014. A mesma situação também seria justificativa para o não registro do veículo no período correto, problema que resultou na maioria das multas aplicadas pelo Detran tanto no ano passado quanto no anterior, no município.

Malavolta Jr
A Rural Willys verde de Julio Briscesce Filho segue em plena atividade

47 anos...

A Rural Willys verde de Julio Briscesce Filho completou 47 anos em 2017 e segue em plena atividade. Ela engrossa estatística de veículos mais antigos que ainda trafegam pelas ruas de Bauru.

“Ando com ela pelo menos quatro vezes por semana”, conta o proprietário, que também possui uma Toyota Hilux ano 1995, ou seja, com mais de 20 anos de uso. “Comprei essa Rural há seis anos. Achei exótica”, lembra o motorista.

Aliás, o veículo já foi o único meio de transporte da família por alguns meses. “Quando a Hilux quebrou, estava difícil arrumar peças. Então, era a Rural que transportava eu e minha esposa pela cidade”, comenta.

‘É ele que me leva para todos os lugares’

Seja para trabalhar, fazer compras no mercado ou passear com a família, o Fiat/Uno vermelho ano 1995 sempre está à disposição do analista de suporte Adão Luis Diogo, 32 anos (foto abaixo).

A opção por um carro mais “idoso” se deu por questão de economia. “Pude investir mais na minha casa”, ressalta o proprietário. “É ele que me leva para todos os lugares”, finaliza.

Malavolta Jr
Adão optou por Fiat/Uno mais “idoso” para investir em sua casa

#FocaNoTrânsito

O presidente do Detran-SP, Maxwell Vieira, esteve em Bauru para duas ações: campanha educativa #FocaNoTrânsito (Maio Amarelo) e encontro regional com prefeitos da região. A segunda atividade ocorreu na sede do Sest/Senat. “O objetivo é mostrar as ações do Detran e propor parcerias com as prefeituras, para que possamos modernizar as unidades do órgão nos municípios”, destaca Vieira.

O presidente do órgão também participou da mobilização educativa #FocaNoTrânsito, do Maio Amarelo.

Consequência ao meio ambiente...

O fato de não pagar o imposto pode até representar um “alívio” no bolso do proprietário, mas os veículos com mais de 20 anos trazem também prejuízos ao meio ambiente, uma vez que podem emitir até 40 vezes mais poluentes que os fabricados atualmente, segundo os limites máximos de emissão definidos pelo Ministério do Meio Ambiente.

Ambientalista e presidente do Fórum Pró-Batalha, Kláudio Cóffani alerta sobre os danos para os seres humanos. “Por não terem mecanismos de controle da poluição, os veículos antigos são extremamente mais poluentes, pois a quantidade de monóxido de carbono emitida e outros poluentes que estão dentro do combustível fóssil afetam toda a população, principalmente o motorista e sua família, que respiram essa fuligem diretamente e com mais frequência”, frisa.

Há mais de três décadas no mercado, o mecânico Paulo Suzuki de Moura confirma que os veículos atuais emitem menos poluentes devido a dois componentes: injeção eletrônica e catalisador. O primeiro dosa a quantidade de combustível que vai para o motor.

“Já o segundo filtra os gases do escapamento. Este item foi incorporado aos carros brasileiros em meados de 1993, mas se tornou obrigatório desde 1997”, explica Paulo, ressaltando que é importante fazer manutenção frequente, inclusive, nos carros mais novos.