11 de julho de 2026
Regional

Ex-tesoureira faz novas acusações, mas sem admitir delação premiada

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
O advogado Luiz Henrique Mitsunaga apresentou o termo de declaração em um hotel de Bauru

O advogado Luiz Henrique Mitsunaga, defensor da ex-tesoureira acusada de desvio milionário na prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, afirmou ontem que "era impossível" os três últimos prefeitos do município não saberem dos desvios de dinheiro público na gestão municipal. Ele apresentou, ontem em Bauru no auditório do hotel Vitória Régia, um termo de declaração e colaboração assinado por Sueli de Fátima Feitosa, que se encontra presa na Penitenciária de Pirajuí, com novas revelações de envolvimento de ex-secretários e servidores.

O documento foi apresentado na data final do prazo dado pelo Ministério Púbico para que a acusada apresentasse informações sobre o caso. Mitsunaga disse que sua cliente não vai fazer delação premiada, mas decidiu tornar pública as declarações para que outras pessoas também possam ser investigadas. Ele reclamou que existe uma investigação seletiva do caso e ao apresentar as declarações de Sueli com novos fatos pretende evitar justamente que isso continue ocorrendo. O inquérito policial que apurou o caso já foi concluído e deu entrada no Fórum de Santa Cruz na semana passada.

No documento, reconhecido em cartório composto de 11 páginas, Sueli alega que os desvios não ultrapassam a R$ 2,3 milhões e que a prefeitura teria somado indevidamente R$ 1,250 milhão referente à transferência bancária realizada na conta da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) para conta movimento, ambas no Banco do Brasil.

Mitsunaga afirma que os desvios começaram na administração de Adilson Mira (PSDB) sem precisar em qual período. Sueli relata que o responsável pela retirada dos valores seria Ricardo Moral, ocupante de cargo de confiança, e que os desvios praticados não ultrapassavam R$ 10 mil mensais. De acordo com ela conforme trecho do termo de colaboração, a diferença desviada teria sido integralmente entregue ao ex-secretário Ricardo Moral.

"Por fim neste momento posso afirmar que o desvio financeiro do caixa da tesouraria da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, beneficiou diretamente as pessoas de Ricardo Moral nas gestões de Adilson Donizete Mira e Maura Macieirinha e Claudio Gimenez na administração Otacílio Parras, ao que sempre me pareceu com pleno conhecimento dos então gestores municipais".

A ex-tesoureira afirma que quando se apresentou ao Ministério Público tentou esclarecer os fatos, mas os promotores só queriam saber sobre os desvios na tesouraria sem entender o que ela estava relatando como parte de um conjunto de atos.

Sobre Ricardo Moral, por exemplo, Sueli cita que ele teria feito ameaças à ex-tesoureira. "Sueli, se você não fizer o que nós queremos, você não ficará onde você quer", teria declarado o então secretário à ex-tesoureira. De acordo com o advogado, Sueli também passou a ser pressionado por Claudio Gimenez, atual presidente da Companhia de Desenvolvimento Santacruzense (Codesan) na gestão do atual prefeito, de "forma agressiva e ameaçadora". "Tudo tinha que ser do seu jeito, no seu tempo, eram constantes os meus desgastes com ele, principalmente no que tange aos pagamentos que deveriam ser feitos pela Prefeitura a situações que lhe interessavam", conta.

A ex-tesoureira também envolve o ex-secretário de Finanças das três últimas gestões, Armando Cunha, na troca de cheques pessoais dele e de cheques de locações de imóvel em nome de sua sogra.

Sueli também aponta manipulações na contabilidade por meio de uma empresa contratada. "Ela fala que existia a manipulação de dados contábeis ao longo dos anos. É algo que é praxe na prefeitura por isso teme que perante a demora isso possa estar acontecendo e os dados sendo manipulados principalmente para responsabilizar exclusivamente ela". alegou o advogado. No final de 2016, conta o advogado, Sueli foi surpreendida com a situação de que ocorreram os desvios dos desvios, ou seja dinheiro que era enviado em envelope para o banco acabou sendo desviado.

Acusados negam  

O atual presidente da Codesan, Claudio Gimenez, declarou que foi até a delegacia de Santa Cruz do Rio Pardo ontem registrar um boletim de ocorrência por injúria, calúnia e difamação contra Sueli Feitosa e o advogado Luiz Henrique Mitsunaga. "Ao fazer isso subentende que eu não tenho nada a ver com isso", declarou. A reportagem tentou ouvir por telefone, e-mail e pelo WahtsApp os ex-prefeitos Adilson Mira, Maura Macieirinha e o atual prefeito Otacílio Parras Assis, mas até o fechamento desta edição não conseguiu localizá-los.

O advogado do ex-secretário de Finanças de Santa Cruz do Rio Pardo Armando Cunha afirma categoricamente que está e sempre esteve à disposição da polícia e da Justiça para prestar quaisquer tipos de informações que possam auxiliar as autoridades sobre as ocorrências. Também informou que ex-secretário de Finanças de Santa Cruz atuou estritamente em conformidade com as regras às quais estava vinculado. “Nunca soube e nunca autorizou quaisquer trocas de cheques nas dependências da Prefeitura, nem utilizou pessoalmente desse expediente nos termos alegados pela acusada Sueli (Feitosa)", informou.

Procurado pelo JC, o ex-secretário Ricardo Moral em nota qualificou as declarações de Sueli Feitosa de "mentirosas". "Esses fatos nunca ocorreram. Nem no mandato do Mira e nem no mandato da Maura. Ela está usando de falsas afirmações para desviar o foco dela. Conforme ela mesma confessou os desvios foram cometidos por ela. A Sueli informou que realizava desvios desde 2001, época essa em que nem na cidade eu estava morando ainda, ou seja não nos conhecíamos, isso por si só já configura a falsidade de suas afirmações. Nunca peguei nenhum dinheiro ou envelope como a sra. Sueli afirma. Estou muito perplexo com isso. Confio na Justiça do homem e na de Deus", finalizou.