10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Seguindo o Interior, vagas de emprego crescem em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Dados do Ministério do Trabalho revelam que o Interior vem demonstrando maior força quando o assunto é a retomada do emprego. No Estado, enquanto cidades da região metropolitana registraram resultados negativos no primeiro quadrimestre de 2017, municípios distantes da Grande São Paulo se mostraram mais adiantados no processo de “estancamento” das perdas de vagas registradas nos últimos anos.

Bauru é um exemplo desta realidade. De janeiro a abril, a cidade criou 398 novos postos de trabalho com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Para se ter uma ideia, no mesmo período do ano passado, foram 2.159 vagas extintas na cidade.

Municípios de mesmo porte no Interior, como São José do Rio Preto, Franca e Piracicaba, acompanharam a mesma tendência. Já a Capital, nos primeiros quatro meses deste ano, perdeu 4.956 postos. Da mesma forma, apenas para citar alguns exemplos, outras cidades da região metropolitana, como Guarulhos, Santo André, Osasco, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo, também contabilizaram maior número de demissões do que contratações.

Vizinha da Grande São Paulo, Jundiaí, que tem porte semelhante ao de Bauru, também teve perda de empregos, com fechamento de 1.160 postos de trabalho. Ainda de acordo com o Caged, no Estado, somente no mês passado, cada emprego criado na região metropolitana foi seguido por cinco vagas abertas no Interior.

Quioshi Goto/JC Imagens
Ismanhoto: “Antes retomada lenta do que não ter um sinal’

SEGMENTOS

Para o economista Wagner Ismanhoto, diferença de desempenho pode ser parcialmente explicada pelo fato de a região metropolitana concentrar segmentos da economia que ainda estão sendo penalizados pela crise, como é o caso do ramo automotivo.

“Neste caso específico, por se tratar de um bem de valor elevado, a retomada ainda é muito lenta, já que os consumidores, além de endividados, ainda não se sentem seguros em assumir compromissos financeiros de longo prazo”, pondera.

PULVERIZADA

Outro aspecto é que muitas cidades do Interior, como Bauru, possuem economia mais pulverizada, o que faz com que, no todo, o nível de emprego não seja impactado com a mesma intensidade quando uma ou outra atividade é afetada pela crise. “É claro que houve perda de postos de trabalho e a recuperação ainda é lenta. Mas, na comparação, municípios como Bauru estão se saindo melhor, com retomada em ritmo um pouco mais acelerado do que a média”, frisa o economista.

SERVIÇOS

Em Bauru, foi o setor de serviços que mais impulsionou o resultado, com criação de 1.193 vagas no primeiro quadrimestre deste ano, seguido pela agropecuária, que gerou 134 novos postos. “O segmento de serviços, em muitas situações, está vinculado a demandas básicas, que não deixam de existir e que são as últimas a serem cortadas pelas pessoas”, explica o economista, dando como exemplo o ramo de educação.

Um longo caminho

No primeiro quadrimestre de 2017, de acordo com o Caged, o Brasil acumulou saldo negativo de 933 vagas de emprego. Mas, na contabilização isolada de abril, o País registrou aumento de 59,8 mil empregos formais, o primeiro resultado positivo para o mês desde 2014. Apesar do resultado que acena para a retomada do nível de emprego, ainda há um longo caminho até a recomposição das 3 milhões de vagas perdidas nos últimos dois anos. Em Bauru, somente em 2016, foram 3,5 mil postos fechados. “Mas antes uma retomada lenta do que não ter qualquer sinal de que a economia está começando a se recuperar”, pondera o economista Wagner Ismanhoto.

Empreendedorismo e empregabilidade

Malavolta Jr.
Aline Fogolin: “Somos o nono município no ranking estadual em formalizações”

Secretária Municipal do Desenvolvimento Econômico, Aline Fogolin analisa que o setor de serviços também ganhou sustentação em meio à crise à medida que uma parcela dos desempregados decidiu empreender.

Segundo ela, somente no primeiro trimestre deste ano, foram cerca de 2 mil novos microempreendedores individuais (MEIs) cadastrados pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico. “Somos o nono município no ranking estadual em formalizações. E estes empreendimentos favorecem a empregabilidade”, destaca.

Ela também aponta que a localização geográfica estratégica de Bauru e o fato de a cidade ser polo universitário contribuíram para fomentar o emprego. “Há um olhar muito forte sobre inovação, ciência e tecnologia voltado para o Interior Paulista por parte das grandes empresas que estão se instalando. E Bauru, por formar mão de obra qualificada e por sua vantagem logística, é beneficiada nesse sentido”, destaca.