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| Tony Ramos virou Getúlio Vargas em filme lançado em maio de 2014 |
O Brasil ficou em suspense, ontem, até 16h, quando Michel Temer garantiu em pronunciamento à nação: "Não renunciarei". Significa que foi o último capítulo do drama nacional? Sabemos que não.
E não é de hoje que as idas e vindas dos presidentes fascinam a indústria do cinema e os produtores televisivos. Sempre dramática, uma renúncia presidencial (ou quase) é prato cheio para gerar impacto profundo.
Um caso clássico é "Nixon" (1995). O filme, dirigido pelo premiado Oliver Stone, tem como alicerce a vida do ex-todo-poderoso dos Estados Unidos Ricard Nixon (interpretado pelo brilhante britânico Anthony Hopkins). A trama pega do escândalo Watergate até a decisão de Nixon de sair de cena e dar adeus ao cargo.
Por aqui, "Getúlio" (2014) contou com Tony Ramos no papel-título para mostrar os últimos dias do presidente que disse adeus de forma ainda mais literal: renunciou à própria vida. Getúlio suicidou-se em seu quarto, em 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
Se bem que, bem antes, em 29 de outubro de 1945, o mesmo Getúlio havia de fato renunciado ao cargo de presidente - que voltaria a ocupar até o desfecho trágico. Uma dupla renúncia, por assim dizer.
Aliás, no Brasil, renunciaram os presidentes Deodoro da Fonseca em 1891, Getúlio Vargas, Jânio Quadros em 1961 e Fernando Collor de Mello, atualmente senador, em 1992.
O episódio de Jânio virou documentário em 1991: "Renúncia de Jânio - 30 anos depois", então produzido pela antiga da TV Manchete.
Sobre Collor: sim, ele renunciou, por carta, em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da sessão de votação no Senado de seu impeachment - sessão que não foi extinta, apesar da renúncia.
O Senado, assim, seguiu o julgamento, que terminou com 76 votos a favor do afastamento e três contra.
A renúncia-impeachment de Collor deve virar filme. Uma produtora adquiriu os direitos do livro "Notícias do Planalto", do jornalista Mário Sérgio Conti.
Se Temer mudar de ideia, sua futura renúncia também poderá virar filme ou série ou documentário um dia. Se não mudar, também. Afinal, tudo é história. O único problema para os produtores é refazer tão bem em arte aquilo que aconteceu para valer. Afinal, não raro, dramas políticos reais chegam a superar qualquer obra de ficção.