11 de julho de 2026
Política

Por aqui, todos de olho em Brasília

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Aceituno Jr.
Renato Purini é o presidente do PMDB, partido de Temer, em Bauru: “É difícil porque a gente não sabe como o Brasil vai aguentar mais uma ‘pancada’ dessas”
Malavolta Jr.
Prefeito Gazzetta diz que apuração é necessária e reação nessa quinta-feira (18) foi de "perplexidade"

As denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB), reveladas na noite da última quarta-feira (17) pelo jornal "O Globo", tiveram ampla repercussão em todo o País, inclusive em Bauru. A delação premiada de Wesley e Joesley Batista, da JBS, colocam o presidente da República em acusação direta na tentativa de compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso, também após investigações da Operação Lava Jato.

Na tarde dessa quinta (18), Temer fez pronunciamento à imprensa e garantiu que não vai renunciar ao cargo, mesmo diante da forte pressão midiática e popular, somada ao estilhaçamento de sua base política - PSDB, DEM e PPS romperam ou estão em vias de romper com o governo. Alguns ministros, inclusive, devem sair já neste primeiro momento.

Em Bauru, o assunto foi o dominante ontem entre os políticos e pessoas ligadas ao poder público. A instabilidade no comando do País deixou ainda mais aberto o cenário de recuperação econômica e também as reformas propostas pelo governo Temer, como a Trabalhista e a Previdenciária. O JC ouviu o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), o presidente do PMDB (partido de Temer) em Bauru, Renato Purini e o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) - que é o presidente estadual dos tucanos.

PERPLEXIDADE

Gazzetta diz que a revelação das denúncias pegou a todos de surpresa. "Neste primeiro momento, ficamos todos perplexos, e, agora, tudo isso tem que ser apurado. É uma situação difícil, mas necessária. O nosso modelo político é ultrapassado, então é algo que precisa ser revisto também. A Lava Jato abre essa possibilidade de se discutir mais a fundo, algo que se questiona há muito tempo. É desgastante, porém, necessário", destaca o prefeito.

AMPLA INVESTIGAÇÃO

Presidente do PMDB local, o ex-vereador e candidato à prefeito no ano passado Renato Purini diz que é necessário uma ampla investigação dos fatos.

"É tudo muito recente. Nós, aqui em Bauru, ainda não recebemos nada do Diretório Estadual ou Nacional, não houve nenhuma determinação para nada até agora. Claro, todos estamos perplexos ainda diante do que foi mostrado, e não só pelo partido, mas pelo País, que é muito maior do que o partido. É difícil porque a gente não sabe como o Brasil vai aguentar mais uma 'pancada' dessas, com perda de apoio por parte do governo. Vai ser muito difícil aprovar qualquer uma das reformas que estavam sendo discutidas com o Congresso", conclui Purini.

Sem riscos às verbas federais

Recentemente, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) esteve em Brasília, tratando da liberação de recursos da União para Bauru em áreas como drenagem urbana e habitação. Apesar do turbilhão político e da possibilidade de trocas de ministros e secretários ou até mesmo de o presidente Michel Temer sofrer processo de impeachment, o chefe do Executivo não vê risco imediato de contenção de eventuais recursos que possam ser liberados para o município.

"O trâmite dos processos se dá dentro de cada ministério. O diálogo com os ministros e secretários é uma etapa disso, mas o processo já está lá dentro, independente de quem seja o titular da pasta. Isso fica de um ministro para outro e mesmo de um governo para outro, pois os funcionários são de carreira. Foi assim quando saiu o governo do PT, da ex-presidente Dilma Rousseff, para o atual do PMDB, com o Michel Temer. Então, não acredito que vá interferir dessa forma", aponta.

Nesta semana, também acontece a Marcha dos Prefeitos em Brasília, na qual Gazzetta optou em não participar. "Fui há poucos dias para lá. As demandas que precisavam ser tratadas já falamos nos respectivos ministérios. Se a gente fosse esta semana, seria apenas para dar mais quórum ao evento dos prefeitos, porém, até diante da crise política que surgiu, acredito que acabaria perdendo a viagem, pois não teria como dialogar com ninguém ligado ao governo ou com os senadores e deputados", conclui.

Nota oficial do PSDB

Além de Temer, as denúncias atingiram em cheio o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que era o presidente nacional do PSDB até essa quinta-feira (18). No começo da tarde, o Diretório Estadual dos tucanos, comandado pelo deputado estadual Pedro Tobias, emitiu nota oficial a respeito das notícias envolvendo Aécio Neves. "Diante dos fatos amplamente noticiados pela imprensa desde a noite desta quarta-feira, e em nome da nossa história e dos compromissos éticos e democráticos assumidos pelo Partido da Social Democracia desde sua fundação, personificados em lideranças como Mario Covas e André Franco Montoro, o Diretório Estadual do PSDB-SP defende o imediato afastamento do senador Aécio Neves da Presidência Nacional do partido. Reafirmamos o total compromisso com São Paulo e com o Brasil e a plena confiança na Justiça e nas investigações em curso. Aguardaremos o transcorrer das investigações com a crença que, ao final, inocentes serão isentos de culpa e os responsáveis por crimes serão julgados e rigorosamente punidos", disse a nota, assinada por Tobias.

Ao JC, o parlamentar tucano garantiu que a legenda é a favor de todas as investigações, independente de sigla partidária. "Não havia outra saída, diante do que foi mostrado, o Aécio (Neves) tinha que se afastar do Comando Nacional, que agora vai ficar com o Tasso Jereissati, do Ceará.

Malavolta Jr
Manifestantes foram às ruas de Bauru protestar

O Aécio e os outros citados terão a oportunidade de se defender, mas quem fez algo errado terá que pagar, independente de partido. Não estamos falando de algo ruim para o PSDB, mas para o País, não podemos passar a mão na cabeça de ninguém. O que for certo deve ser feito".

PROTESTO

Após o presidente Michel Temer (PMDB) declarar que segue à frente do governo, manifestantes foram às ruas protestar. Em Bauru, o ato se concentrou em frente à Câmara Municipal. Na foto (ao lado esq.), registro do início do protesto, no final da tarde dessa quinta-feira (18).

FALA-POVO

Malavolta Jr
"A gente não sabe onde vai parar tudo isso, até para a gente ter mais estabilidade. Cada dia é uma surpresa e o mais prejudicado é o pobre." Maria Quitéria, 55 anos, doméstica
"Deveria ter menos corrupção. Isso afeta tudo. O dólar mesmo subiu muito, e isso encarece as coisas. Fica difícil para todo mundo." Mariana Ferrari, 17 anos, estudante
"A política está afetando muito. Era para o Brasil ser 1.º mundo. Só não é por causa dos políticos, as pessoas entram já pensando em si."  Guilherme Cota, 22 anos, vigilante
"Para o trabalhador, atrapalha muito. Na minha área, que é a saúde, a gente percebe muito. Essas reformas, por exemplo, vão prejudicar os mais pobres." Rosa Jupi, 45 anos, técnica de enfermagem
"É bom que apareça quem está fazendo coisa errada. Se for para melhorar, é bem-vindo. A gente acaba vendo quem é quem."  Fernando Sanávio, 36 anos, conferente

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