09 de julho de 2026
Geral

HOmens e mulheres de 30 a 40 anos praticam balé e saem da rotina

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Professora Scheila do Valle (à direita) com Eliane Melendes, Michele Gianotti Baptista, Analu Castilho, Natalia Peres, Julia Lima, Giovana Parreira, Daniela Passerotti, Taine Lopes e Fernando Freitas
Aos 40, mulheres decidem aprender balé e realizar sonho de infância

Movimentos delicados, música clássica, equilíbrio, concentração. Tomadas por um sonho de infância e em busca de novos desafios, mulheres com idades médias de 30 a 40 anos decidiram aprender, já adultas, a arte do balé.

Matriculadas em uma academia da zona sul de Bauru, elas encontraram na dança uma forma de escapar da correria do dia a dia e dedicar um momento da rotina exclusivamente para o próprio bem-estar. "É um exercício completo, que mexe com todos os músculos e traz consciência corporal. Eu gosto muito de dança em geral, mas, no balé, tudo me agrada. É terapêutico", conta a gerente de clínicas médicas Daniela Passerotti, 43 anos, que passou a frequentar as aulas há pouco mais de um mês.

Responsável pela iniciativa, a professora Scheila do Valle conta que mantém turmas adultas há dois anos em sua academia de dança, mas foi somente em 2017 que a demanda começou a crescer. Hoje, são cerca de 20 alunos, incluindo, também, dois homens.

"Muitas delas fizeram balé na infância e, por algum motivo, acabaram parando. Agora, já com a vida estabelecida, resolveram voltar. Mas há também quem nunca havia tido contato com a dança e está realizando um sonho de infância", detalha.

Entre os benefícios trazidos pela arte, a professora explica, estão a melhora da postura e da capacidade de concentração, fortalecimento da musculatura, maior flexibilidade e coordenação motora. "E também aumenta a autoestima. Esse também é um aspecto muito importante", acrescenta.

Estimulada pela filha de 5 anos, também aluna da academia de dança, a empresária Michelle Gianotti Baptista, 37 anos, voltou a dançar balé há cerca de dois meses. Quando criança, ela já tinha se dedicado à arte, mas a mudança da família de cidade acabou interrompendo o aprendizado.

"Quando soube das aulas para adultos, não pensei duas vezes. É relaxante, ao mesmo tempo em que dá força muscular. Nem sinto a hora passar", comenta.

Um dos homens do grupo, o gestor de projetos Fernando Freitas, 28 anos, participa de todas as aulas de balé oferecidas pela academia, sempre que o trabalho permite.

EMOÇÃO

Por conta do preconceito que atinge os bailarinos do sexo masculino, ele começou a dançar apenas em 2013, quando já era adulto. "Aos 15 anos, quando falei que queria dançar, meu pai me colocou no kickboxing. E só parei quando decidi que iria fazer balé, o que me trouxe uma realização muito grande", comemora.

A gerente administrativa Eliane Melendes, 44 anos, também não teve contato com a dança até a vida adulta. O momento de provar as sapatilhas pela primeira vez, ela conta, foi emocionante. "Eu chorei, porque o sentimento de doar o corpo da gente para a arte é muito intenso. O brilho dos meus olhos é outro hoje", diz, contando que os exercícios e o ganho de autoestima a fizeram emagrecer 11 quilos em apenas quatro meses.

Este efeito terapêutico também trouxe benefícios para a vida da empresária Giovanna Parreira, 30 anos, que, todos os dias, se desdobra para dar conta do trabalho e dos cuidados com a família. "Na aula, eu tenho uma hora para dedicar só a mim. O balé trabalha corpo e mente juntos, algo que eu não encontrei em nenhum outro exercício", completa.