10 de julho de 2026
Regional

Geração de emprego emplaca em pequenas cidades no 1º trimestre


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Divulgação
Em Agudos, a situação do emprego é igualmente favorável e a tendência para um futuro próximo é ainda mais animadora

Em meio à retração econômica vivida pelo País, pelo menos três cidades da região estão se destacando na geração de empregos. Itapuí, Boraceia e Agudos encerraram os três primeiros meses de 2017 com resultado positivo na abertura de vagas de trabalho, ou seja, as empresas locais contrataram mais do que demitiram nesse período.

A expansão de empresas já instaladas nestas cidades e a chegada de novas impulsionaram as contratações e estão influenciando positivamente a economia, o que reflete na arrecadação maior de impostos e no aquecimento das vendas no comércio.

É um círculo virtuoso que beneficia diretamente empresas, trabalhadores e os cofres do município e indiretamente o comércio, o setor de serviços e toda a comunidade local de uma forma geral. Quanto mais emprego gera um município maior é o volume de dinheiro em circulação, maior é o consumo, o que significa mais vendas e mais empregos.

É um ciclo de ações positivas que começou a mudar o cenário econômico em Itapuí em outubro do ano passado, quando o Frigorífico Itabom, uma grande empresa local, aumentou a produção de frangos e praticamente dobrou o número de funcionários desde então. Até o fim deste ano, a expectativa da empresa é expandir ainda mais a produção. Para isso, abrirá mais vagas de trabalho. De acordo com o gerente geral do frigorífico, Sérgio Postigo, não está descartada inclusive a contratação de trabalhadores de cidades vizinhas para atender a necessidade da empresa em razão do esgotamento de mão de obra em Itapuí.

Em Agudos, a situação do emprego é igualmente favorável e a tendência para um futuro próximo é ainda mais animadora. Além das empresas de grande porte instaladas no município, responsáveis pela contratação de um volume grande de trabalhadores, existem duas em construção e outras confirmadas para iniciar as obras em breve. Além da instalação de novas empresas, Agudos deverá agitar também o setor da construção civil com a chegada de novos empreendimentos imobiliários, previstos para este ano.

O panorama do emprego em Boraceia mudou completamente após a instalação de indústrias no município. Até pouco tempo, as opções de emprego na cidade eram escassas. Isso obrigava boa parte dos moradores a buscar trabalho em municípios vizinhos e, consequentemente, a viajar todos os dias.

Com a chegada de várias pequenas empresas, grande parte desta mão de obra passou a ser absorvida dentro do próprio município, além de melhorar a arrecadação pública municipal. Após fechar 2016 com um pequeno déficit de emprego, Boraceia mostra recuperação neste ano. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego, nos três primeiros meses de 2017, o saldo foi positivo e vai melhorar bastante assim que as novas empresas previstas para se instalar na cidade entrarem em operação. O JC contou com a colaboração dos jornalistas Adilson Camargo e Eduardo Magalhães para levantar os dados desta reportagem.

Itapuí é destaque na geração de emprego

Com apenas 15 mil habitantes, o município de Itapuí se destaca na região de Bauru pela quantidade de empresas. São pequenas e médias indústrias dos setores alimentícios, atacado de papelaria, móveis, roupas, artigos para desenho, pintura e artes. Juntas, formam um parque industrial que ajuda a manter a economia da cidade aquecida, mesmo em épocas de baixo desenvolvimento e crise financeira.

A diversidade da produção industrial de Itapuí é um fator que conta muito a favor do município, pois a manutenção e geração de empregos não ficam reféns do desempenho de um setor apenas. Desta forma, quando um setor vai bem, ajuda o município a superar as eventuais dificuldades de outros. E o setor alimentício é a bola da vez em Itapuí. O Frigorífico Itabom, uma das grandes empresas da cidade, está em plena expansão de sua cadeia produtiva, que inclui produção de ração, de frangos, abate e transporte. Com a produção em alta surge a necessidade da contratação de mais mão de obra, o que significa mais empregos, mais renda e aumento na arrecadação de tributos.

Pesquisa divulgada recentemente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) mostra que a região de Jaú, da qual faz parte Itapuí, foi a segunda que mais criou vagas de trabalho na indústria paulista no mês de março. E, de acordo com o levantamento, o setor que mais influenciou na alta foi o de produtos alimentícios.

Do que depender dos planos e projetos da Itabom, a tendência de alta permanecerá ainda por um bom tempo. A retomada da produção deverá continuar em ritmo acelerado. E com o reaquecimento do negócio, serão retomados também os projetos de sustentabilidade da Itabom - ações sociais e ambientais -, como o Itabom de Bola e Escola e Agente Ambiental Mirim, entre outros.

Uma notícia que tem sido muito comemorada pelos moradores de Itapuí, entre eles o prefeito Antônio Álvaro de Souza (PTB). "Para a cidade, a expansão de uma indústria é muito positivo porque gera emprego, gera renda que aquece o comércio local e aumenta a arrecadação do município, que é revertida em benefícios para toda a população", disse Toninho, como é mais conhecido.

Na avaliação dele, Itapuí é uma cidade privilegiada pela quantidade de empresas que possui. No entanto, Toninho conta que o município também sentiu os efeitos da crise econômica que atingiu todo o País. Mas agora, com a retomada da produção no setor industrial, em especial da Itabom, o nível de emprego na cidade vai voltando ao normal, ou seja, a ponto de os moradores escolherem onde querem trabalhar.

SUPERAÇÃO

A retomada dos empregos na indústria em Itapuí está trazendo de volta alegria e alívio a muitos moradores. Em especial, àqueles trabalhadores que são arrimos de família ou cujo salário faz toda diferença na hora de cobrir as despesas da casa. Trabalhadores como Fábio de Carvalho, 34 anos, pai de uma criança de quatro anos, e com aluguel da casa para pagar todo início de mês. Ele conta que a apreensão foi angustiante quando perdeu o emprego em meados do ano passado. Passou alguns meses convivendo com a incerteza do futuro dele e da família. "Mandei currículo pra várias empresas, mas por causa da crise, nenhuma estava contratando", relembra.

A angústia teve fim quando foi chamado para retornar ao antigo emprego. "Fiquei sabendo que a empresa estava retomando as contratações e quando entraram em contato comigo oferecendo uma vaga, foi um alívio. Comemorei muito", relata Fábio. Assim como ele, muitos outros trabalhadores estão comemorando a expansão do emprego em Itapuí, onde a retomada do crescimento já começou.

Água de Agudos atrai novos negócios

A água de Agudos é considerada a melhor do Estado de São Paulo. O reconhecimento é comprovado por pesquisas. Além de fazer bem para a saúde dos moradores, ela tem contribuído, e muito, para a saúde financeira do município. A abundância e a boa qualidade da água têm sido um importante aliado de Agudos para a instalação de novas empresas na cidade, especialmente do ramo de alimentação e da indústria farmacêutica.

Recentemente, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) fez um levantamento em todo o Estado com o objetivo de apurar o melhor local para investir na construção de uma fábrica para captação e envase de água em copos. A água de Agudos ficou em primeiro lugar.

A proximidade com Bauru, a facilidade para aquisição de grandes áreas de terra e a logística favorável (rodovias, ferrovia, hidrovia e aerovia) também são fatores que colocam Agudos no topo da lista das melhores cidades para se investir. Assim como aconteceu com todos os demais municípios, Agudos também foi afetada pela forte recessão que atinge o país. O desemprego bateu à porta de muitas famílias, mas isso começa a fazer parte do passado. Aos poucos, a cidade começa a recuperar as vagas perdidas e com a chegada das novas empresas a expectativa é, em curto e médio prazo, superar a oferta de emprego que havia em Agudos antes da crise.

"Agudos também enfrentou dificuldades com a questão do desemprego. Talvez, não tenha afetado tanto quanto em outras cidades, mas ainda temos uma demanda por vagas de trabalho que precisa ser atendida. A chegada de novas empresas, aliada à expansão de outras que já estão instaladas na cidade, vai ajudar muito", comemora o prefeito Altair Francisco.

Segundo ele, a prefeitura tem trabalhado para qualificar a mão de obra local e com isso preparar os trabalhadores de Agudos para atender as necessidades das empresas que estão chegando. "Estamos contratando os serviços do Senai para oferecer cursos específicos para atender a necessidade de mão de obra especializada dessas empresas", comenta. "Com isso, acredito que o reflexo será muito positivo para a economia de Agudos, porque vai aumentar o poder aquisitivo da população", avalia Altair.

Entre as empresas que estão prestes a se instalar na cidade, o prefeito cita uma do ramo de ferramentas e utilidades domésticas com atuação em várias cidades do país, outra do setor de plástico, além de uma rede de supermercados que desembarcou recentemente em Agudos e está em franca expansão dos negócios.

"Estamos negociando com outras empresas. As conversas estão bem adiantadas, mas ainda não posso dar detalhes. São empresas que estão comprando terrenos particulares e há previsão de que comecem a construir ainda este ano. Assim que entrarem em operação, acredito que poderão gerar de 800 a 1.000 novas vagas de emprego", revela o prefeito.

Município dá incentivo às empresas locais

Além do apoio às empresas que estão chegando, a Prefeitura de Agudos está trabalhando também em outra frente, ou seja, no incentivo às micros e pequenas empresas locais. Para isso, há um projeto de construção de um galpão de 10 mil a 20 mil metros quadrados no Distrito Industrial para abrigar essas empresas.

De acordo com o prefeito Altair Francisco, existem várias empresas aguardando a oportunidade de contar com um espaço maior para expandir seus negócios. E a finalidade do galpão é oferecer esse espaço. "Temos em Agudos várias empresas pequenas que atuam dentro de casa, que prestam serviços e fornecem produtos para grandes empresas. E estão deixando de pegar mais serviços por falta de espaço". Altair acredita que a construção do galpão favorecerá o crescimento destas empresas e, consequentemente, irá gerar mais empregos. A expectativa da prefeitura é viabilizar a incubadora de empresas ainda este ano.

Aliado a essa expansão do espaço físico, tem também um avanço no volume das linhas de crédito para os microempreendedores por intermédio do Banco do Povo. Segundo informou o prefeito, o total para financiamento que era de R$ 30 mil saltou para R$ 230 mil. "A prefeitura deu uma contrapartida e com isso aumentou o poder de financiamento do Banco do Povo. Com mais incentivo, a tendência da microempresa é crescer e gerar mais emprego. Mesmo que seja apenas uma vaga nova, em um universo de quase 3 mil microempreendedores, o resultado é significativo", compara Altair.

Outra área que deverá passar por um aquecimento em breve em Agudos será a da construção civil, que normalmente emprega uma grande quantidade de trabalhadores e sempre movimenta as vendas no comércio local. Existem pelo menos três empreendimentos imobiliários previstos: um condomínio fechado de alto padrão, um conjunto de moradias populares e um loteamento de chácaras.

"Vamos ter uma grande procura por trabalhadores na construção civil e acredito que, em determinado momento, será preciso buscar mão de obra fora de Agudos para atender a demanda", avalia o prefeito. "As perspectivas são muito boas", afirma.

Boraceia ganha empresas com  incentivos para gerar empregos

A cidade de Boraceia tem pouco mais de 4 mil habitantes, segundo o Censo de 2016. O município está localizado à margem esquerda do Rio Tietê entre Jaú e Bauru. Sua economia é baseada no cultivo da cana-de-açúcar e na indústria de calçados, metalúrgicas, móveis, couro sintético e avícola. Há três anos, a administração local resolveu dar outro rumo na economia. Promoveu uma série de ações para atrair o empresariado e aumentar o nível de emprego. Com isso, uma parte dos trabalhadores da cidade não precisará mais viajar para as cidades vizinhas a fim de trabalhar.

A fase da conquista teve início quando o prefeito Marcos Vinício Bilancieri decidiu instalar o primeiro Distrito Industrial do município para receber empresas que pudessem fomentar a indústria e assim gerar empregos e renda para os moradores. Para iniciar a empreitada, a administração adquiriu uma área de aproximadamente 13 alqueires.

O pacote envolveu outras ações a fim de incentivar os empresários a escolher Boraceia como sede de seu empreendimento. A ideia inicial foi atrair as empresas e evitar o desemprego no município, até então, com forte influência agrícola. "As empresas só chegam à cidade se criarmos oportunidades. Ninguém vai vir para Boraceia se a prefeitura não der o apoio", comenta Bilancieri.

A prefeitura comprou barracões desativados e cedeu às empresas interessadas. De acordo com o prefeito, se quiser atrair empresas, os municípios pequenos precisam estabelecer parcerias com o empresariado. "A prefeitura forma a mão de obra, doa terra ou vende pelo preço de custo e ajuda na construção. E a contrapartida é a geração de emprego e renda."

As ações resultaram na expansão do parque industrial. Empresários de diversos segmentos aceitaram a empreitada e hoje, em Boraceia, há empresas do ramo alimentício, do setor moveleiro e automotivo. Algumas indústrias ainda não estão operando e outras aguardam a reação do mercado para realizar novas contratações.

A previsão é de que até o fim deste ano todas as empresas que chegaram estejam em atividade, exceto a fábrica de suco de laranja que iniciou recentemente a construção de sua sede. Segundo Bilancieri, quando todas as empresas estiverem em funcionamento, Boraceia garantirá emprego para uma grande parte dos trabalhadores locais. Atualmente, uma parcela dos moradores viaja diariamente para trabalhar em outras cidades.

O índice de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de Boraceia está na faixa de 0,025 enquanto nas cidades de mesmo porte, 0,018. Isso é quase o dobro da arrecadação, explica o prefeito Marcos Bilancieri.

"Trouxemos uma indústria de alimentação que emprega em torno de 40 funcionários. Outra empresa é a distribuidora Devito que emprega cerca de 120 trabalhadores. A prefeitura cedeu a área e eles construíram um barracão próprio. Triplicaram a produção", comemora.

Parceria viabiliza mão de obra  

Uma parceria entre a Prefeitura de Boraceia e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) qualifica mão de obra para que as empresas tenham à disposição trabalhadores capazes de exercer funções nas indústrias. "A qualificação é importante para que o morador de Boraceia seja contratado pelas empresas que estão se instalando na cidade. Uma empresa que se instalou aqui precisava de 30 torneiros. Nós formamos essa mão de obra", explica o prefeito Marcos Bilancieri.

Na cidade não há empresas de grande porte. A maior empregadora é a prefeitura, que gera 250 empregos. Há uma indústria de couro sintético, que é uma das maiores do Brasil, com 180 funcionários. São empresas de pequeno e médio porte. Outras três chegarão em breve. São empresas dos setores moveleiro, metalúrgico e de papelão. Juntas devem gerar 250 vagas de trabalho. A de suco de laranja entrará em atividade em 2018 com cerca de 80 vagas.

Empresa está em expansão

Desde 2012, a Tchetto Produtos Alimentícios, uma das empresas com sede em Boracéia, dobrou o faturamento e criou 60 empregos diretos. Em 2017, inaugurou mais um prédio com uma nova área administrativa e de produção. Adquiriu mais duas máquinas de grande porte para produção do achocolatado e do tempero em pó que serão lançados em breve.

Além de movimentar a economia da cidade, a empresa emprega grande número de mulheres que trabalhavam fora e ficavam longe de suas famílias. Muitas delas trabalhavam na zona rural.

A empresa oferece treinamentos constantes e um programa que possibilita a evolução profissional. Por isso, tem baixo índice de rotatividade. A colaboradora Ângela Aparecida Germano de Negri, que atua como gerente de produção, por exemplo, está há 12 anos na empresa. Iniciou seu trabalho na parte operacional com mais 4 funcionárias e apenas um setor . Hoje, vê a equipe com 60 funcionários e o crescimento de vários setores. Além disso, orgulha-se por poder ter crescido profissionalmente e ter alcançado o cargo de gerente de produção.