| Arquivo pessoal |
| Em contrastes de paisagem, Antônio Carlos e Nádia Pavanato empurram bicicleta em aclive com areia fofa na aridez do Atacama e atravessam, carregando as bikes, as gélidas águas de riacho proveniente do degelo na cordilheira |
Um desafio extremo, que coloca o ciclista frente a frente com os limites do corpo, sem oxigênio suficiente para dar forças para pedalar por três dias, em uma das corridas de mountain bike mais complexas e, ao mesmo tempo, mais belas do mundo. Este é o cenário que os bauruenses Antônio Carlos Pavanato e Nádia Pavanato encararam no deserto do Atacama, no Chile, em 174 quilômetros de competição. Um local árido, com temperaturas que despencam e se elevam durante a noite e o dia, entre 0 e 40 graus, mas que rendeu uma experiência única e belas imagens fotografadas pelo casal.
Eles não são ciclistas profissionais, fazem por hobby e praticam a modalidade esportiva há muitos anos. E, desta vez, conseguiram reunir o sonho de participar do Atacama Challenger, praticando outra paixão pelo caminho, a fotografia. E assim como o percurso, as imagens desta aventura também são de tirar o fôlego.
Antônio Carlos é corretor de seguros e Nádia, secretária. Em três dias de prova, entre 21 e 23 de abril, pedalando lado a lado com outros 600 competidores do mundo, entre amadores e profissionais, eles tiveram também que carregar a bicicleta para atravessar águas gélidas, provenientes do descongelamento da cordilheira chilena. Em outros momentos, no "vale da lua", com areia muito fofa, só havia um jeito de passar com a bike: empurrando.
Ambos completaram a prova juntos, somando as três etapas, num total de 16 horas e 14 minutos. Nádia conquistou ainda a façanha da terceira colocação na categoria 50 a 54 anos. Ambos foram para a prova no Chile com os amigos João Araújo e João Roberto Figueiredo, também de Bauru.
Pedalando e fotografando
"Foram três dias de prova que nos colocaram no limite, com pouco oxigênio e que nos deixaram com feridas e marcas da corrida. Mas, ao mesmo tempo, foi uma experiência incrivelmente gratificante. Pedalamos por paisagens memoráveis, passando por altitudes que atingiram aproximadamente 4 mil metros e relevos íngremes. Percorremos ao redor dos pés de um vulcão adormecido, 'driblamos' lhamas pelo caminho e superamos três dias de prova para a qual havíamos nos preparado intensamente durante um ano. E o melhor de tudo, registramos belíssimas imagens", diz Antônio Carlos.
O ciclista conta ainda que no primeiro dia foram 34 quilômetros de subida constante, com muito frio, vento intenso e escassez de ar, devido a altitude. No segundo dia, mais 72 quilômetros de pedalada pelos vales de água congelante, que ajudam a tonificar as pernas. No terceiro e último desafio, mais 68 quilômetros de areia fofa, cuja imagem registrada por eles enfatiza a dificuldade de atravessar o trajeto.
"A população vive ali basicamente do turismo e da mineração. O que chama atenção pelo caminho, e os organizadores nos explicam, é que a imensidão branca pelo qual passamos, na verdade, não é neve, mas sim o sal que resistiu à ação do tempo após a cordilheira separar o mar do continente, isso há milhares de anos", explica Antônio Carlos.
O desgaste foi tão grande que o casal pretende tira um descanso das aventuras esportivas, pelo menos por um tempo, já que o próximo objetivo já está marcado para 2018, em uma corrida de igual proporção no Uruguai.