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| Lilo fazendo o que mais gostava na música: tocar contrabaixo |
A música de Bauru amanheceu de luto neste domingo (21). Na madrugada de ontem, por volta das 3h, um acidente automobilístico matou Willians Zuim, o Lilo, aos 53 anos. Ele era mais conhecido na região como baixista, no entanto, também recebeu destaque por ser um músico versátil. Estava há cerca de 40 anos no cenário artístico.
De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), o Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas apenas constataram o óbito de Lilo, que já estava sem vida quando as equipes de socorro chegaram. Ele conduzia um Toyota/Corolla, com placas de Duartina e, na altura da quadra 23 da avenida Comendador José da Silva Martha (sentido Ouro Verde-Estoril), perdeu o controle na rotatória e colidiu com uma árvore. Uma testemunha afirmou à Polícia Militar (PM) que chovia no momento do acidente.
Lilo era solteiro e deixa o filho Ricardo, de 18 anos, que mora em São José dos Campos.
Natural de Duartina, o músico tinha pais envolvidos com a arte. "O pai dele era da banda 'Os Atuais', de Duartina, e eles percorriam diversas cidades tocando. O Lilo aos 13 anos já tocava. Eu o conheci na década de 80, quando ele já estava em Bauru. Depois, fundamos uma banda, que era o Sindicato do Jazz, isso em 1993, aí veio o Clube do Jazz", resume o baterista Luiz Manaia, o Ralinho, amigo de Lilo.
VOCAÇÃO
"Em 2003, Lilo passou a tocar com o Derico. Eu digo que não foi só Bauru que perdeu um grande músico, mas o Brasil, porque o talento dele era demais", resume. "Além de tocar na noite, Lilo era professor de artes na Escola Estadual Sebastiana Valdíria Pereira da Silva, no Parque Jaraguá, e faltava uns quatro anos para se aposentar", acrescenta Ralinho.
"Fizemos um som lá na quinta-feira. Foi a última vez que ele tocou para as turmas da manhã e da tarde. Ele tinha um projeto de música com os jovens, que gostavam muito dele", completa Ralinho. Ontem, Lilo retornava da casa de um amigo no Jardim Shangri La, quando ocorreu o acidente. Ralinho disse que o airbag do banco do motorista não abriu.
HOMENAGEM
Outro amigo de Lilo era o músico Badê, que lamentou a morte. "Tocamos juntos e nos conhecíamos já uns 20 e poucos anos. Uma pena isso que aconteceu, vamos sentir muita falta. O impacto foi muito forte e ele teve um trauma grande no peito", cita. Já a cantora e percussionista Regina Mancebo, que conhecia Lilo há 30 anos, salienta que o amigo tocou com muitos artistas, nas Bandas Tez e Back, entre outras.
"Também trabalhei com ele na Escola Estadual Senador Rodolfo Miranda, em Cabrália Paulista. E tínhamos um grupo grande de amigos. Além de ser um grande baixista, e ter no contrabaixo o seu forte, o Lilo era versátil", afirma Regina. Durante o velório, amigos tocaram saxofone em homenagem ao artista, que foi sepultado no final da tarde, no Cemitério da Saudade, em Bauru.