08 de julho de 2026
Geral

Suspensa a greve dos hospitais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação
Audiência de conciliação foi realizada nessa terça (23) no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região

Mesmo sem um acordo final, os funcionários dos hospitais geridos pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) decidiram suspender a greve a partir dessa quinta-feira (25), ao menos até o julgamento do dissídio, que ocorrerá no dia 14 de junho. A decisão foi tomada ontem, durante audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região, em Campinas, que terminou sem consenso quanto às cláusulas econômicas.

A paralisação, que atinge os hospitais de Base (HB) e Estadual (HE), bem como a Maternidade Santa Isabel e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), completa 53 dias nesta quarta-feira (24). Segundo a assessoria de imprensa da Famesp, até a última sexta-feira, mais de 900 cirurgias eletivas já haviam sido canceladas no HB e HE devido à paralisação e cerca de 100 leitos eletivos vinham sendo bloqueados por dia, em média, nas duas unidades.

De acordo com estimativas do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde), aproximadamente 250 trabalhadores seguiam de braços cruzados ontem.

Durante a audiência, eles apresentaram proposta de reajuste de 11,94% nos salários e benefícios, percentual que foi acatado pela Famesp, desde que haja redução do adicional noturno (de 45% para 40% sobre o salário) e das folgas - de três para duas na jornada de 12 por 36 horas e de cinco para quatro nas demais jornadas.

"Ocorreram avanços, já que, até a audiência, a Famesp oferecia aumento de apenas 3%. Mas a tentativa de retirada de direitos impediu que chegássemos a um acordo", analisa Noel Moreira, diretor do sindicato. Segundo ele, pela proposta da fundação, também seria retirado o bônus de 10% sobre o salário, adicional garantido aos trabalhadores todos os meses, em acordo firmado antes mesmo de a Famesp assumir as unidades.

PAGAMENTO

Um dos fatores decisivos para a categoria suspender temporariamente a greve foi o compromisso da fundação em pagar integralmente, até hoje, os dias não trabalhados. Em 11 de abril, a fundação passou a descontar valores dos salários e benefícios dos empregados que não comparecessem ao trabalho, mas, em 12 de maio, o SindSaúde obteve liminar favorável no TRT, que obrigava a Famesp a efetuar os pagamentos.

Mesmo notificada, a fundação descumpriu a decisão. Se desrespeitar o acordo firmado ontem em Campinas, será penalizada com multa diária, que foi aumentada de R$ 10 mil para R$ 20 mil e será revertida aos funcionários.

Até 14 de junho, Famesp e SindSaúde ainda podem buscar um acordo. Caso as partes cheguem a um consenso, as cláusulas serão homologadas pela Seção de Dissídios Coletivos do TRT, em substituição ao julgamento pré-agendado.

A greve dos funcionários dos hospitais de Bauru teve início em 31 de março e o SindSaúde garante que está cumprindo o acordo firmado com a Famesp e o Ministério Público Estadual para manter o atendimento, principalmente em casos de urgência e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).