10 de julho de 2026
Política

Asfalto novo do PAC já tem remendos

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
Na quadra 10 da rua Carlos Teixeira Gomes, no Jardim Tangarás, o remendo para ligação de água foi feito há pouco tempo

Para quem esperou anos, ou até décadas, para ter o asfalto na porta de casa, nem sempre a pavimentação tem resolvido todos os problemas. Isso porque várias ruas contempladas pelo PAC Asfalto em Bauru sofrem com "remendos", principalmente após o Departamento de Água e Esgoto (DAE) abrir buracos para a instalação de ligações em lotes ou para sanar algum problema no encanamento de água e esgoto da via.

O descompasso entre as obras do PAC e o ritmo de trabalho do DAE é um dos desafios nas mais de 700 quadras contempladas pelo programa, que vai receber ao todo R$ 43 milhões de recursos do governo federal, por empréstimo (ou seja, o município terá de pagar parcelas ao longo dos próximos anos), e ainda mais R$ 15 milhões aproximadamente de contrapartida da Prefeitura de Bauru, já incluindo as calçadas, que precisam ser feitas pelo munícipe ou pelo governo antes da pavimentação, por exigência da União.

A Secretaria Municipal de Obras e o DAE reconhecem o problema e dizem que estão trabalhando para alinhar o cronograma da autarquia com o das empresas vencedoras dos diversos lotes na periferia da cidade. O assunto foi tratado recentemente em reunião da Comissão de Obras da Câmara Municipal, com a presença do presidente do DAE, Eric Fabris, e do secretário de Obras, Ricardo Olivatto, que foram questionados pelos vereadores Manoel Losila (PDT) - presidente do grupo de trabalho do Legislativo - e Fábio Manfrinato (PP).

DESENCONTRO

Malavolta Jr.
Ruas Carlos Teixeira Gomes e Consuelo Carvalho, no Tangarás: problemas na rede de esgoto

Já o presidente do DAE, Eric Fabris, comenta que o processo de geoprocessamento da autarquia está com defasagens que comprometem ações mais eficientes. "O DAE tem um sistema de geoprocessamento onde tem que haver as informações sobre os encanamentos, se está no terço esquerdo ou direito da rua, em qual profundidade. Esse geoprocessamento eu implantei em 1995 e ao longo desses 20 anos os dados das redes precisavam ser alimentados na rede, mas parece que não houve esse cuidado. Cada vez que se abre uma valeta, o ideal é passar para o sistema em qual o ponto exato a tubulação está. Era para os dados estarem completos no geoprocessamento, mas isso não ocorreu", aponta.

"Vamos retomar esse trabalho para alimentar o sistema, para que daqui a alguns anos esse problema não se repita", define Fabris. A falta de informações precisas na rede atrapalha as obras do PAC Asfalto, pois em alguns locais as empresas responsáveis pela pavimentação receberam determinadas informações que não estavam compatíveis com a realidade, culminando com a ruptura de encanamentos devido ao trabalho das máquinas.

Além do asfalto, o PAC prevê a implantação de guias, sarjetas e de galerias de águas pluviais, e se os dados repassados pela autarquia não estiverem corretos, o risco do trabalho danificar a rede de água ou esgoto é grande. Durante a reunião com os vereadores, o presidente do DAE citou que há ainda dois entraves para agilizar os trabalhos em paralelo ao PAC.

Um deles é a falta de equipes, pois se a autarquia colocar a quantidade de servidores que o trabalho demanda, vai desguarnecer outros serviços pela cidade, como o conserto de vazamentos. Outro problema é o valor necessário para realizar todas as intervenções nas redes de água e esgoto e também fazer as ligações com imóveis que ainda não as possuem, em geral terrenos baldios. O custo é estimado em R$ 7,5 milhões nas mais de 700 quadras do PAC Asfalto, recurso que o DAE não dispõe em sua totalidade neste momento.

DESCOMPASSO

O secretário de Obras, Ricardo Olivatto, explica que o cronograma está sendo ajustado. "Já existe um cronograma de trabalho do PAC, e com base nele passamos as informações para o DAE, para que não exista necessidade de intervenção no asfalto, a não ser em caso de quadras que foram asfaltadas antes e seja mesmo necessário mexer. Nas que estão sendo pavimentadas agora, a gente prefere esperar mais um pouco e deixar o DAE fazer todo o trabalho nas redes de água e esgoto, para só então liberar o asfalto junto às empresas que venceram as licitações", destaca.

"As equipes de trabalho do DAE nas obras do PAC estão sendo redimensionadas e ampliadas, ainda não está no ritmo ideal, mas estamos ajustando para chegar nesse ponto", explica Olivatto, em entrevista ao Jornal da Cidade. Nos bairros onde os trabalhos estão parados, o DAE ainda não entrou, priorizando os locais com frentes de trabalho. "Mas pretendemos que tudo relativo a água e esgoto seja feito nesses bairros antes do asfalto ser colocado", menciona.

PARADOS

Em alguns bairros, as obras do PAC Asfalto estão paradas, em função da desistência das empresas vencedoras das licitações. No Parque Roosevelt, a empresa Siqueira Comércio e Construções Ltda foi notificada pela Secretaria de Obras a pagar R$ 408.049,61 em multa, equivalente a 10% do total do contrato, por deixar o serviço. Agora, a pasta deve chamar a segunda colocada do processo licitatório para dar sequência aos trabalhos.

Já no Parque Santa Cândida, o serviço também estava à cargo da Siqueira e foi interrompido no começo deste ano. A Secretaria de Obras também pretende chamar a segunda colocada para assumir a sequência. Por fim, no Parque Jaraguá e no Parque Santa Edwirges, a H. Aidar também tinha comunicado a desistência, e como as empresas que ficaram em segundo e terceiro lugares não tiveram interesse, a Prefeitura de Bauru abriu nova concorrência, que está em fase final. A empresa que ofereceu melhor preço foi a Penascal, seguida da Fortpav. Nestes dois bairros, o serviço vai ficar em mais de R$ 14 milhões.