Após cinco meses de investigações, a Polícia Civil fechou uma banca do jogo do bicho que lucrava, em média, R$ 300 mil por mês, em Bauru. Apontada como a chefe da organização criminosa, Marina Rodrigues Rossini, de 37 anos, e seu braço direito, Oswaldo Oliveira Júnior, de 36, foram presos em ação inédita.
Coordenada pela Delegacia Seccional de Bauru, com o apoio operacional do Centro de Inteligência Policial (CIP), do Setor de Investigações Gerais (SIG) e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a Operação Rapina apreendeu três veículos, R$ 27.192,70, 60 dólares e diversos materiais utilizados para a prática da contravenção, tais como computadores, celulares, anotações e máquinas de cartões.
| Cinthia Milanez |
| "Estamos direcionados em tirar de circulação quem obtenha lucro com a prática", afirmou o delegado Ricardo Martines |
Titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines garante que, pela primeira vez, a “cabeça” de uma associação criminosa voltada ao jogo do bicho foi presa em Bauru e região. “Não estamos direcionados àquele senhor que faz apostas em um bar, mas sim, em identificar e tirar de circulação quem, realmente, obtenha lucro com a prática”.
Segundo a polícia, Marina e Oswaldo responderão pela contravenção penal do jogo do bicho e lavagem de dinheiro. Como a sanção do primeiro delito é medida cautelar substitutiva da reclusão, ambos estão presos pelo segundo crime. Outras cinco pessoas, apontadas como os demais membros da organização, foram autuadas pela contravenção e responderão em liberdade.
O ESQUEMA
A Polícia Civil constatou que os investigados possuíam uma cadeia hierárquica bem definida e mantinham um escritório de contabilidade, denominado Banca Falcão - inicialmente, o local funcionava na Vila Falcão.
| Fotos: Divulgação/Polícia Civil |
| Dinheiro, cheques, aparelhos celulares, computadores, veículos e diversos equipamentos foram apreendidos durante a operação |
| Polícia achou materiais e objetos utilizados para o controle dos pontos de apostas e a contabilidade do jogo do bicho |
Ainda segundo a polícia, a organização existia há, pelo menos, 30 anos e é uma das mais antigas da cidade - tanto que a chefia passou de pai para filha e, desde 2006, os investigados figuram como autores de diversos BOs e termos circunstanciados.
Em vista disso, houve uma pré-operação que apreendeu documentos e equipamentos para processar, bem como contabilizar, o jogo do bicho. Entre eles, destacam-se as máquinas de cartões, usadas para a realização das apostas e a contabilização dos bares onde os jogadores as faziam, denominados cambistas.
As investigações demonstraram que a Banca Falcão possuía três linhas de recolhimento, sendo que cada uma abrangia entre 30 e 40 bares. Diariamente, em quatro períodos, os gerentes das linhas buscavam o dinheiro da jogatina.
Os “recolhes” utilizavam motos registradas no nome de Marina, fato que, segundo a polícia, prova que a mulher era a dona da Banca Falcão e o dinheiro ilícito havia sido lavado durante a compra de patrimônios utilizados para a exploração do jogo do bicho.
O valor era encaminhado ao escritório de contabilidade, situado na quadra 1 da rua João Muniz, no Jardim Rosa Branca, na região do Parque Santa Edwirges. Lá, havia três ou quatro funcionários orientados por uma espécie de gerente.
O dinheiro, então, era repassado a Oswaldo, que o guardava dentro de casa, por alguns dias. Em seguida, era entregue à Marina, que realizava depósitos em sua conta. A polícia acredita que a “cabeça” também utilizava o pet shop que possuía, no Bela Vista, para lavar parte da quantia.
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Falcão, ave de rapina
As aves de rapina são carnívoras e compartilham características semelhantes, tais como bicos recurvados e pontiagudos, garras fortes e visão de longo alcance. Esse é o caso do Falcão, nome dado à banca de jogo do bicho em questão. Daí surgiu a Operação Rapina.
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Investigações continuam
Segundo o delegado seccional, o próximo passo será autuar os proprietários do bares que faziam as apostas - inclusive, a maioria já foi identificada. Além disso, outras organizações criminosas voltadas ao jogo do bicho estão “na mira” da Polícia Civil. Há, ainda, “cabeças” de outras cidades da região que estão tentando se estabelecer em Bauru.
“Por trás da contravenção, não há recolhimento de impostos, nem a prática dos direitos trabalhistas de quem a comete. Outra consequência é a violência, maneira utilizada para manter o poder dentro de uma organização criminosa”, acrescenta Ricardo Martines.
Tanto que um dos membros da Banca Falcão teria decidiu deixar o grupo e, no dia seguinte, foi agredido, conforme consta em um boletim de ocorrência (BO) registrado no dia 23 de dezembro do ano anterior. Às vésperas do Natal, a vítima teve um braço quebrado e uma lesão na cabeça.