| Bruno Freitas |
| Luiz Daré Neto com revólver open calibre 38 e mira eletrônica e Marcus Giansante com revólver open 38 e mira mecânica |
| Arquivo pessoal |
| Eduardo Marques Ferreira, ao lado de alvo com tiros, quando foi campeão paulista |
Sacar uma arma com rapidez e precisão, atirando em alvos fixos e móveis, de longas distâncias, com pistolas, revólveres e rifles, não é para qualquer um. Na verdade, somente três esportistas bauruenses, civis, que já nasceram praticamente com o dedo no gatilho, tiveram a façanha de conquistar 62 troféus expressivos com armas tidas como "pesadas", e não de ar comprimido, isso, sem contar com nenhum tipo de apoio, tanto do município quanto da iniciativa privada.
Os "miras certeiras" da Equipe de Tiro Prático Bauru, Luiz Daré Neto, Marcus Vinicius Giansante e Eduardo Marques Ferreira, apesar de terem sido esquecidos pelo município, formam a "resistência" da modalidade e são movidos pela paixão ao esporte.
Todos os três são registrados pelo Exército e disputam as modalidades NRA rápido, NRA rápido 2, tiro rápido de precisão, saque rápido e IPSC de rifle. Os alvos variam de 5 (em velocidade) até 50 metros (precisão), com disparos feitos em pé, agachado, deitado e até em movimento, podendo, em algumas provas, atirar até 200 vezes.
DA ESPINGARDINHA DE CHUMBINHO AO RIFLE
| Bruno Freitas |
| Daré empunha rifle Rossi Puma, calibre 38, modelo 1866 |
Luiz Daré Neto, engenheiro e professor, é 12 vezes campeão brasileiro, em várias categorias, somando ainda 16 títulos paulistas. As medalhas já somam mais de mil. "Comecei a atirar desde criança, com espingardinha de chumbinho, escondido da minha mãe. Minha primeira arma eu comprei com o dinheiro que eu recebei dos meus pais para o lanche da escola, em 1972. Eu ficava com fome, mas deixava de comer para economizar e comprar a minha primeira arma e a munição", recorda Daré.
Ele lembra ainda que a mãe não gostava de armas, tanto é que o pai, caçador quando solteiro, passou a ser pescador depois de casado. "Eu montava alvos com latinhas, lâmpadas queimadas e atirava. Quando me tornei adulto, com o meu primeiro salário, na Embraer, em 1983, comprei o meu primeiro rifle, um CBC.22, modelo 1983", ressalta.
Eduardo Marques Ferreira, tecnólogo mecânico, o mais jovem dentre os três, nesta competição conquistou três títulos de campeão paulista nos últimos quatro anos.
'HERANÇA À PM'
Marcus Vinicius Giansante, advogado, tem 13 títulos brasileiros, foi campeão paulista por 17 vezes e tem medalhas por todos os cômodos da casa. "O amor pelo esporte vem do berço. Meu bisavô, italiano e caçador, veio para o Brasil no século passado e foi passando a tradição de empunhar arma e atirar de geração a geração. Montávamos alvos com pilhas para treinar a pontaria", revela Giansante. O atirador recorda ainda que na década de 70, entusiastas do tiro fizeram um estande em Bauru, que passou por mudanças ao longo dos anos e que hoje é usado exclusivamente pela Polícia Militar.
SEM LUGAR FIXO PARA TREINAR
| Arquivo pessoal |
| Giansante em ação durante prova com vários alvos |
Marcus Vinicius Giansante ressalta que os três ainda vestem a camisa betecista e, mesmo sem local fixo para treinar, muitas vezes tendo que percorrer vários quilômetros para encontrar um local habilitado para a prática, seguem a tradição de defender o Tiro BTC/Bauru, que é campeão nacional há 25 anos de forma ininterrupta. Conforme publicação do JC em 23/8/2007, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) exigiu a paralisação do estande de tiros na sede de campo do BTC, criado na década de 80.
Segundo reportagem da época, foi devido a denúncias dos moradores do residencial Tívoli. Os motivos seriam o barulho, receio dos moradores e cápsula deflagrada que foi arremessada por cima do muro, segundo Giansante, por crianças do bairro vizinho que invadiram o local, à noite. O novo gerente de esportes do BTC, Daniel Pestana, disse que o clube vai estudar projetos para tentar reestruturar o tiro, possivelmente com carabina e pistola de ar, no clube. Hoje, competindo uma vez por mês, sempre longe de Bauru, eles usam o próprio local das competições, ao término de cada torneio, para treinar.