08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Meu querido pai Flávio Simonetti

Fábio Augusto Simonetti
| Tempo de leitura: 4 min

Já faz um ano que meu querido e estimado pai se despediu dessa vida terrena e foi para o merecido descanso junto a Deus. Somente agora tive forças para escrever essas breves linhas a fim de compartilhar essa experiência com todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Pai trabalhador e carinhoso, hábil pescador, além de teimoso como um bom espanhol, se dedicou por décadas ao oficio farmacêutico, tendo farmácias, auxiliando e trabalhando na montagem de tantas outras, como a saudosa farmácia Droganova de Bauru, e, ainda, deixando sua contribuição e legado ao ramo dos práticos de farmácia com a fundação do atual sindicato. Sempre tive muito orgulho de meu pai nesse ofício. Generoso como era, fui testemunha desde criança e por incontáveis vezes das pessoas que ele ajudou a curar de suas enfermidades e que sempre retornavam para agradecê-lo pelas suas orientações, indicações e fórmulas que preparava, muitas das vezes sem mesmo cobrar por isso, já que tinha o compromisso maior de ajudar o próximo da melhor forma.

Nos seus últimos anos de vida, tive o privilégio e a grata oportunidade de estar muito próximo a ele, não só auxiliando em tudo que ele precisava, mas em especial pela impagável companhia entre pai e filho amigos, de pequenos detalhes dessa convivência, como ir buscar água mineral, almoçar juntos às sextas-feiras no restaurante, ir ao distrito de Santelmo onde morou, entre tantas outras coisas, mas sempre recheadas de grande sentimento de satisfação e carinho por simplesmente estarmos juntos. Muito lúcido, mas já em tratamento de saúde diante da fragilidade imposta pela idade avançada, estivemos juntos quase todos os dias nessa época, e pude, com isso, ter a mais absoluta certeza que tive o melhor pai que Deus poderia ter dado. Tive também a benção de Deus, já que pedia muito em minhas preces sabedoria para encontrar tudo que pudesse ajudar em seu tratamento, e nessa jornada ele recebeu medicamentos especiais, teve o cuidado de médicos e profissionais da saúde que o trataram com extremo carinho e dedicação e que fez toda a diferença em sua alta qualidade de vida, razão pela qual serei eternamente grato a todos eles.

Experimentei nesses últimos tempos a profunda dor pelo vazio da ausência do meu pai e amigo e que me levaram a dias muito difíceis, quase insuportáveis, onde minha saúde, como nunca antes ficou abalada, mas que, agora, mais sereno, tenho a convicção que deixo tudo isso para trás, graças a Deus, e também ao auxílio de tratamentos, em especial pela dedicação e ajuda da minha mãe Hilda, sem a qual, com sua fé cristã inabalável, eu certamente não teria superado, além da minha querida Patrícia, que muito bem definiu esse momento como efeitos devastadores na minha alma, mas com sua sensibilidade muito apurada ensinou que eu tive a grande sorte de meu pai não ter ido novo e com saúde permanecido comigo por quase meio século.

Tive ajuda também de familiares e grandes amigos, praticamente irmãos, entre eles Valdeci e Waldomiro, outros tantos que sempre tinham uma palavra amiga de conforto relatando suas experiências pessoais e dores com o luto, além dos inseparáveis amigos da grandiosa família OAB/Bauru, da qual tenho a honra e a missão de servir e que muito doaram de seu precioso tempo e atenção para repartir essa dor comigo, aliás, como sabiamente diz o padre Fabio de Melo: "Difícil não é ter problema nessa vida, todos têm. Difícil é não ter com quem reparti-los". Certo dia, perguntei ao meu pai o que eu faria se ele partisse e não estivesse mais conosco: Então, ele com muita tranquilidade e sabedoria respondeu: "A vida é assim mesmo meu filho, um dia temos que ir e você continua".

Por tudo isso, hoje só tenho a agradecer a Deus a oportunidade de tido o convívio com o melhor pai do mundo, e ainda ter e estar com a melhor mãe do mundo, que agora experimenta sua nova e especial missão, a de vovó, através da nossa pequenina Isabela, filha de meu estimado irmão Patrik e que tem contaminado com imensa alegria e renovação toda a família.

Faço esse registro não só como uma justa e merecida homenagem ao meu pai, que escreveu sua bela lição e história de vida entre nós, mas também para minha humilde reflexão, a de que a vida é muito breve para perdermos tempo e oportunidade com futilidades desse mundo perverso e de não estarmos próximos de corpo e alma junto aos nossos queridos, e tudo, absolutamente tudo que possamos fazer e vivenciar de forma saudável a eles terá grande valor e será o nosso bálsamo de conforto para suportar a dor das suas partidas e seguir em frente, restando para nós a única certeza de que todos, sem exceção, também um dia partiremos. Ao meu querido e melhor pai do mundo, que descanse em Paz.