| “Nós” (círculos) são conexões neurais como tomadas por onde passa muita energia |
As fibras ou células musculares são cordas agrupadas em feixes como um monte de canas unidas entre si para formar as estruturas que movimentam nosso corpo. As fibras musculares esticam ou relaxam conforme as informações ou estímulos elétricos que recebem do nosso cérebro via fios ou filetes neurais que estão ligados diretamente nas suas superfícies.
O local onde ocorre esta conexão do filete neural ao músculo é conhecido como placa neuromotora que pode ser comparada a uma tomada na parede. Esta tomada ou placa neuromotora representa uma área de passagem ou transmissão de muita energia entre cérebro e músculos. Muita energia!
Quando estamos estressados por ansiedade, postura inadequada ou muito trabalho, alguns músculos recebem estímulos ou informações elétricas nas placas neuromotoras para se contraírem. O estresse significa hipersensibilização do cérebro que fica mandando informações neurais para que o corpo fique preparado para o ataque ou fuga.
No estado de estresse, a cabeça tende a ficar erguida, tensa e pronta para comandar o corpo a lutar ou fugir dos predadores, afinal éramos animais quadrúpedes que se transformaram em bípedes, mas o design do corpo continuou quase o mesmo. Ficar em pé com a cabeça erguida para os humanos é um esforço enorme e sacrificamos muito nosso pescoço e a coluna. O músculo trapézio fica entre o pescoço e a coluna espinhal e representa um dos músculos mais exigidos nesta situação.
O músculo tenso, contraído e firme acaba deixando em destaque a região da placa neuromotora, ou a tomada elétrica, entre o cérebro e o músculo. A contração deixa esta região mais rígida, destacando-se das outras partes do músculo. À palpação ou nas massagens, as pessoas treinadas e ou mais sensíveis percebem esta região das placas neuromotoras como verdadeiras nodulações que popularmente são conhecidas como "nós" musculares. Os músculos saudáveis não têm feixes ou nódulos rígidos com dor quando palpados, nem espasmos, rigidez e tensão.
Têm que se deixar claro que uma fibra muscular por mais que se assemelhe a uma corda e tenha a forma linear, ela nunca está isolada ou única, e mais, não tem as extremidades ou pontas soltas ou livres, pois estão aderidas aos ossos. As fibras musculares estão sempre em grupos ou feixes de tal forma que não é possível manipular suas pontas e extremidades e ocorrer um "nó"! A expressão que se sentiu um "nó muscular" é analogia por comparação, este nó não existe como tal. O que se tem é uma nodulação, a formação de caroço ou ponto mais firme no músculo na hora da palpação ou massagem.
Os nódulos, "nós" ou "caroços" doloridos ocorrem em consequência da contração dos músculos nas áreas das placas neuromotoras que promovem uma asfixia por falta de oxigênio. As células conhecidas como fibras musculares, nesta situação e local, liberam várias substâncias ou mediadores inflamatórios para aumentar o quantidade de sangue e compensar a falta de oxigênio. Estas substâncias são inflamatórias e dilatam os vasos, mas também induzem diretamente a dor nos nervos da região. Assim se formam os "nós" doloridos. Ui!!
A massagem alivia a dor e desfaz os nódulos não por que desata ou desfaz os "nós", mas por que ao apertar, comprimir, esticar, esquentar, dedilhar e acariciar os músculos, haverá um aumento do fluxo sanguíneo, acabando com a hipóxia que asfixiava as placas neuromotoras. As fibras musculares, agora com muito oxigênio, deixam de secretar as substâncias que promoviam um aumento de sangue via inflamação e ao mesmo tempo induzia a dor no local. É por isto que os sintomas desaparecem depois de alguns minutos de uma massagem bem aplicada; não é mágica, a ciência explica direitinho as razões!
Quando você propõe a se entregar à massagem, também já diminuiu a atividade estressante, o que já começou a acalmar o cérebro. O cérebro acelerado deixa os músculos preparados para o ataque ou fuga, músculos ficam duros e tensos. Se quiser acabar com os nós musculares e o desconforto decorrente, relaxe, deixe alguém massagear e entregue-se a momentos de tranquilidade e paz. Afinal, você tem consciência tranquila e muito amor no coração, então você merece!
Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.