10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Foco em relacionamento deixa cooperativas "blindadas" à crise

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Ildo Wilde, Maroan Tomé, Manfred Alfonso Dasenbrock, João Alberto Salvi e Américo Pechy na inauguração da nova sede do Sicredi

No Brasil, o cooperativismo de crédito vem ganhando cada vez mais espaço. Em meio a um cenário econômico ainda difícil, o setor tem se mostrado uma alternativa na hora de contratar crédito, em razão de alguns atrativos, como juros geralmente mais baixos e um relacionamento diferenciado entre quem adquire e quem concede o empréstimo.

Presidente da Sicredi Participações S.A. e da Central Sicredi SP/PR/RJ, Manfred Dasenbrock explica que o grande diferencial é justamente o caráter cooperativo e participativo, em que os associados são, ao mesmo tempo, donos e usuários da instituição.

“Somos uma sociedade e nossa missão é atender a necessidade dos sócios. Há uma identidade com os associados e uma transparência muito forte. Estamos focados no relacionamento antes do negócio, nas pessoas em vez do capital”, aponta ele, que esteve em Bauru, nessa terça-feira (30), para a inauguração do novo prédio da sede regional do Sicredi.

Como são fiscalizadas pelo Banco Central, ele destaca que as cooperativas de crédito inspiram segurança, mesmo no cenário atual. Devido ao modelo em que opera, registra baixos índices de inadimplência, o que permite oferecer taxas de juros, normalmente, mais baixas do que as instituições bancárias.

Além de crédito, os associados podem ter acesso a uma cartela variada de serviços financeiros, como seguros, cartões, consórcios, poupança e fundos de investimentos. Segundo Dasenbrock, os cooperados são, principalmente, pessoas físicas e jurídicas de pequeno e médio portes.

“A história do Sicredi tem origem no segmento rural. Mas, particularmente em Bauru, começou com o universo da área médica. Hoje, porém, o quadro se abriu e a cooperativa passou a abranger todo tipo de perfil, de autônomos, profissionais liberais, produtores rurais e empresários, entre outros”, enumera.

CRESCIMENTO

Mesmo em um período ruim para a economia, ele revela que os ativos, patrimônio e recursos administrados da cooperativa cresceram 20% em 2016, na comparação com o ano anterior. E o número de sócios também tem aumentado ano a ano.

Considerada uma das maiores instituições financeiras cooperativas do Brasil, o Sicredi está presente em 22 Estados, com 118 sedes regionais, mais de 1,5 mil agências integradas online, 3,5 milhões de associados e 22 mil funcionários. “Ainda há espaço para crescer e chegar a praticamente todos os municípios brasileiros, mesmo que não seja fisicamente. E isso só é possível porque a cooperativa não tem o viés do lucro, mas sim de atendimento à necessidade do sócio”, reforça.

Douglas Reis
Ricardo Berriel é o vice-presidente do Sicredi em Bauru

Na superintendência regional de Bauru, são 10 agências – incluindo duas em Jaú e Pederneiras, aproximadamente 15 mil cooperados, 120 funcionários, patrimônio de R$ 43 milhões e R$ 350 milhões em ativos. Para Ricardo Berriel, vice-presidente da cooperativa em Bauru, são resultados robustos, que tendem a crescer nos próximos anos, com a melhora da economia.

“Começamos há 18 anos com 22 associados. Temos crescido, em média, 22% ao ano em termos de volume de recurso e associados, mesmo diante deste cenário de crise. É um resultado extremamente positivo, que demonstra a força deste segmento”, completa.

Inauguração

Manfred Dasenbrock esteve nessa terça-feira (30) em Bauru para inaugurar oficialmente o novo prédio da superintendência regional do Sicredi, que abrange 70 municípios. Na ocasião, o presidente também participou da abertura do curso de Formação de Conselheiros de Administração e Fiscal. Responsáveis pela gestão das cooperativas, os conselheiros das agências no estado de São Paulo se reuniram para debater temas como boas práticas de governança, liderança, supervisão, negócios e controle. “É a primeira vez que este evento ocorre em Bauru. É uma oportunidade para atualização e reciclagem destes profissionais, que têm seu quadro eleito e renovado anualmente”, frisa Dasenbrock.