09 de julho de 2026
Articulistas

A educação começa no ventre

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Certa vez, uma jovem perguntou à notável educadora Maria Montessori quando deveria iniciar a educação de seu filho, haja vista que o garoto tinha 1 ano. E a educadora respondeu, inesquecível: - Ah, minha filha, já deveria ter começado, pois a educação começa no ventre. Você deve acariciar seu ventre e dizer: "Eu te amo, você é um anjo para minha vida!".

Quando a criatura é querida, desejada, esperada pelos pais, quando a mãe e os familiares acariciam o ventre em gesto de afeto, mostrando que aquele ser será bem-vindo, estimulado e amado, a educação já começou a ser ministrada.

Impossível educar sem amor, impossível transmitir valores sem as ferramentas do afeto. Outro ponto importante de Montessori: ela dizia que é fundamental educar o recém-nascido transmitindo-lhe hábitos saudáveis, ensinando a pequena criatura que há a hora de evacuar, dormir, alimentar-se. Educação e amor são duas usinas de criação de hábitos saudáveis. E uma sociedade equilibrada, sem fome e violência, sem corrupção e desrespeito, é feita de cidadãos educados.

Hoje, em grande parte das famílias, a situação inverteu-se: pais desconectados com a importância da educação a transferiram para a escola, confundindo educação com informação. Crianças que crescem sem as bases amorosas da família e sem hábitos saudáveis têm mais facilidades de se complicar nas provações existenciais. Lembro de abastada família que relegou toda a educação de seus filhos à escola. A concepção dos pais girava em torno do restrito universo materialista a considerar: "Pago bem, meu filho deve ser bem educado". Contudo, não obstante ao esforço e capacitação dos professores do renomado colégio, o filho cresceu sem as bases amorosas da família. O pai não lhe fazia um afago, porquanto sempre às voltas com negócios. A mãe também não tinha tempo para o filho, porquanto escrava era das reuniões sociais.

O resultado foi desastroso: um jovem carente que acabou suicidando-se aos 20 anos ao ver o término de seu primeiro namoro. Antes do ato alucinado, porém, deixou um bilhete aos pais a informar que tinha tudo, menos amor... Aliás, vale lembrar que dialogar com os filhos sobre vida e morte, mostrar que estamos aqui apenas de passagem, ensinando a transitoriedade de nossa existência terrena, também faz parte da educação que deve ser ministrada às crianças.

Conversar sobre essas questões, filosofar em torno dos objetivos da jornada terrena é uma das formas de criar hábitos saudáveis, como afirma Montessori: fundamental é amar. Porquanto, a educação que cria hábitos saudáveis e indivíduos melhores se faz com amor, muito amor, desde o ventre materno.