11 de julho de 2026
Cultura

Disco Sgt. Pepper's, dos Beatles, faz 50 anos nesta quinta-feira

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução
Capa original - Foi criada pelo artista plástico Peter Blake, traz imagens de personalidades da época, uma banda cover dos próprios Beatles e o quarteto com colorido figurino psicodélico

Num raro casamento entre experimentalismo e sucesso, o disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band completa hoje meio século. No matrimônio, fala-se em bodas de ouro. Na música, o balachão psicodélico dos Beatles ainda representa o enlace feliz entre passado, presente e futuro.

Passado porque deu luz a uma música que, até então, estava na gaveta de Paul McCartney, composta anos antes: "When I'm Sixty Four". Presente porque, enfim, nunca sai de moda. E futuro porque, segundo boa parte de crítica e público, trata-se mesmo do álbum mais influente de todos os tempos.

A historinha do disco já é bem conhecida: cansados de turnês barulhentas onde mal se ouviam cantando com os equipamentos da época em meio a gritaria dos fãs - e desafiados pela criatividade de Brian Wilson nos Beach Boys -, os demais beatles aceitaram a proposta de Paul de largarem um pouco o peso da fama conquistada até então e assumirem outras personalidades.

Como se fossem mesmo integrantes da fictícia Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (nos anos 60 era comum batizar grupos com nomes intermináveis).

Deixando de ser Beatles, foram Beatles como nunca. Se o primeiro álbum, "Please Please Me" (1963), levou só um dia para ser todo gravado, "Pepper's" consumiu cinco meses de estúdio.

Um caldeirão onde entraram música indiana, estética circense, instrumentos inusitados e clássicos, orquestrações mirabolantes, efeitos sonoros e muita melodia e esmero de composição. Tudo com o produtor George Martin a dar corda às viagens de John, Paul, George e Ringo.    

Os Beatles lascaram pimenta na cultura pop de um jeito tal que, desde 1 de junho de 1967, essa ardência não se rende ao tempo e ao gostos do momento.

Que comemorem também os donos da festa: Paul e Ringo por aqui, em terra firme - e John e George no céu com diamantes.

50 anos em 5 aspectos admiráveis do disco

JC foi ouvir a opinião de quatro músicos de Bauru que têm Beatles como fio condutor de suas trajetórias. Eles já tiveram banda cover

‘Capa bauruense’ - Montagem produzida por Juliana Rehder traz palavra “Bauru” no lugar de "Club" e os rostos de Evandro De Souza, Paulo Del Nery, Fábio Lima e Marco Zambon na ordem exata dos Beatles que os bauruenses representaram quando tiveram a banda Rubber Soul: John, Ringo, Paul e George

1. A capacidade criativa dos FabFour na estruturação e concepção do álbum. Geniais!

2. As canções interligadas, formando um conceito, um tema único.

3. Lennon/McCartney brincando com a imaginação das pessoas, com letras e personagens sensacionais.

4. Pra mim, "A Day in the Life" e "Getting Better" são as melhores canções do álbum.

5. Fica nesse disco evidente que os quatro formam a melhor banda do mundo.

Evandro De Souza

(vocal, violão)

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1. Diversidade de estilos musicais

2. Qualidade das composições

3. Riqueza de timbres, utilizando os mais diferentes instrumentos e sons inusitados, desde harpa e octeto de cordas ("She's Leaving Home"), cravo (Fixing a Hole), clarinetes ("When I'm Sixty-Four"), saxofones ("Good Morning, Good Morning"), trompas (Sgt. Pepper's), instrumentos indianos ("Within You, Without You" e "Getting Better") até orquestra completa ("A Day In The Life")

4. Produção impecável de George Martin e as inovações nas técnicas de gravação do engenheiro de som Geoff Emerick.

5. Capa revolucionária, que refletiu perfeitamente o espírito da revolução cultural que estava acontecendo no mundo. Além de muito bonita, talvez seja a mais conhecida é mais copiada de todos os tempos.

Fábio Lima

(teclado, violão, vocal)

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1- Plástica

2- Estranheza

3 - Riqueza de detalhes

4 - Músicas visuais (quando se ouve há nítida impressão de imagem para cada uma delas tipo "Good Morning" parece uma manhã num front de guerra. Paul cantando "Sgt Pepper's" me parece um sargento bradando a plenos pulmões para a sua tropa em marcha. John em "A Day In The LIfe" me parece estar com aquela preguiça costumeira que se tem durante uma leitura. "A Fixing A Hole": horizonte aberto num vale, e assim vai.

5 - Imbatível

Marco Zambon

(guitarra, violão, vocal)

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1 - Timbragem e instrumentos que fazem parte do álbum

2 - Arranjos instrumental e vocal

3 - Forma, aplicação e resultados das mudanças de compasso ou modulação métrica

4 - A utilização de experimentação musical e de gravação

5 - O interessante uso de sons e procedimentos que remetem a sonoplastia.

Coisas que gosta no álbum: (obs: itens que acabam se unindo às elencadas acima)

- A proposta do álbum

- As composições

- A capa. Provavelmente, entre uma das capas mais conhecidas e reconhecidas no mundo

- A intenção de experimentação

Paulo Del Nery

(bateria)