A mais de dois anos, eu e minha amada esposa (a quem agradeço pelos quase trinta anos de união) participamos do programa Família Acolhedora do CARE - Centro de Atendimento da Rede Especial, da Fundação Toledo, que é um serviço que acolhe em sua casa, por um período de tempo determinado, uma criança ou adolescente que vem sofrendo algum tipo de violência em sua própria família. Isto não significa que a criança vai passar a ser filho da família acolhedora, mas vai receber afeto e convivência desta família até que possa ser reintegrada à sua família de origem ou, em alguns casos, ser encaminhado para a adoção. Já acolhemos onze crianças, onde a maioria delas foram para adoção e outras voltaram para seus lares.
Todavia, não poderíamos deixar de elogiar as pessoas que nos estimulam e ajudam a participar deste programa: a coordenadora Andréia, as assistentes sociais Débora, Luana e Fernanda, as psicólogas Antônia e Helena, as cuidadoras Alessandra e Lucimara e a equipe de apoio, Renato, Airton e Elaine. Esse time é, foi e sempre será imprescindível para um bom acolhimento. Trabalhadores incansáveis, responsáveis, conhecedores e cônscios de seus afazeres, extrapolam amiúde o rito do simples trabalho.
Obrigado em nome de todas as outras famílias e de todas as crianças que acolhemos e, certamente, se Deus desejar acolheremos ainda. E para terminar com chave de ouro, um poema sobre acolhimento:
Acolher uma criança é..
Receber carinhosamente em sua vida um completo
estranho.
Abandonado.
Agredido.
Fragilizado.
Amá-lo simplesmente.
Protegê-lo de seus medos.
Sorrir com ele.
Chorar talvez.
Mas estar ao seu lado, cuidando, acolhendo,
amando.
Descobrir que um completo estranho começa a se
tornar um amigo, um irmão.
Perceber que ele começa a devolver a você todo o amor recebido. Numa intensidade ainda maior. Surpreender-se com a quantidade de beijos e abraços guardados que ele tem para dar. Descobrir que um olhar, um sorriso ou um abraço amoroso tornam o seu dia muito mais feliz.
Acolher uma criança é isso. Dar e receber amor.