Uma empresa no centro de Genebra fez a gestão de uma "conta conjunta" de dois ex-presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ambos estão presos.
A Suíça repassou a procuradores brasileiros detalhes das transações de Alves, que foi ministro do Turismo do governo Michel Temer, há um ano. Ele era investigado em Berna desde fevereiro de 2016 por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Antes de ter seu dinheiro bloqueado, ele pode ter conseguido transferir grande parte do montante para o Uruguai e Dubai e, com a ajuda de profissionais, teria montado uma estrutura de empresas para camuflar a origem dos recursos e proteger, ao mesmo tempo, Cunha.
Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado contou que deu propinas no valor de R$ 1,5 milhão para Alves, entre 2008 e 2014. Na Europa, fontes próximas ao caso confirmaram com exclusividade ao Estado que Alves, em um primeiro momento, foi descoberto com uma conta com depósitos que variavam entre US$ 700 mil e US$ 1 milhão.
A defesa de Alves alega que ele usou um escritório de advocacia no Uruguai para abrir a conta bancária em 2008, a Posadas&Vecino.
O Estado visitou o endereço oficial da Posadas&Vecino em Genebra. O local, porém, é apenas uma sala alugada em um escritório. A empresa é registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.