08 de julho de 2026
Articulistas

País dos implacáveis placares

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

E o Brasil vai se consolidando como a terra dos placares polêmicos. Daqueles implacáveis porque não têm volta. A peleja foi tanto, está decidida e conviva com isso, meu caro.

O mais recente placar inesquecível veio de uma arena pouco conhecida por dentro: o Tribunal Superior Eleitoral. Quando digo "por dentro" faço referência ao espaço físico mesmo.

Enfim, pela imprensa, todos puderam ver como é aquele cenário avermelhado e amadeirado em quatro dias de muito discursos áridos e água mineral abundante.

Ah, sim, o placar: como se sabe, 4 a 3 - e chapa Dilma/Temer absolvida da acusação de abuso de poder político e econômico em 2014. Na prática, Temer se livrou de cassação do mandato e Dilma garantiu elegibilidade.

As redes sociais imediatamente foram tomadas por comentários críticos e toda a sorte de postagens irônicas. E por amargas citações. Alguém observou que esse 4 a 3 era pior do que o doído 7 a 1 para a Alemanha. O 2 a 1 para o Uruguai na Copa de 50, então, ficou no chinelo.

Adoramos placares. Não tem uma mesa redonda de futebol (ou mesa de bar) na qual não arrisquemos nossos poderes premonitórios. "Amanhã dá 3 a 0. Pode anotar!". Odiamos placares.

Desses que ficam martelando na cabeça - como o 7 a 1 (por sobra de incompetência) ou o 4 a 3 (por falta de provas).

Temer, enfim, venceu a batalha, mas não a guerra. Os brasileiros seguem na batalha e em busca de paz. Tipo querendo dias melhores, disputas mais limpas e placares mais justos.