09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vexame, vergonhoso e triste

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

De Rui Barbosa: "A pior ditadura é a do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer." O TSE reuniu milhares de evidências de irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer, mas apesar disso houve absolvição por 4 x 3, com o voto minerva do ministro Gilmar Mendes.

São fartas as provas de que a chapa Dilma-Temer recorreu ao dinheiro sujo da corrupção para vencer a disputa presidencial de 2014. Nunca, na história eleitoral do Brasil, houve tantas provas de maracutaias numa campanha, e o TSE, num julgamento vergonhoso, achou que a chapa eleita não merece nenhum tipo de punição, mesmo mostrando e provando malas cheias de dinheiro não foram suficientes para convencer os ilustres ministros do TSE.

Pela absolvição da chapa Dilma-Temer, votaram a favor os ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho e Gilmar Mendes. Inestimável contribuição para o apequenamento do TSE. Em uma tacada, estes ministros provaram que realmente jabuticaba só existe no Brasil. No TSE, nestes últimos dias, Gilmar Mendes mandou às favas o constrangimento de presidir ao julgamento de seu amigo Michel Temer. O site BBC Brasil rastreou oito encontros fora da agenda oficial entre Mendes e Temer, desde que este assumiu a Presidência até o início de abril deste ano. Cinco foram no Palácio do Jaburu, os demais, até onde se sabe, só entre os dois. É inútil procurar onde termina o magistrado e começa o político; ambos se confundem. Gilmar Mendes encontrou em Herman Benjamin um adversário inteligente e ágil: "Prefiro o anonimato", respondeu o relator a afirmação de Mendes de que ele estaria encantado com os holofotes. "Um juiz deve dedicar-se a seus processos. Quando se discute a condenação de alguém, não deve haver nenhum glamour pessoal." Pela cassação, votaram, Luiz Fux, Rosa Weber e Herman Benjamin.

O trabalho do ministro Herman Benjamin foi claro e só engrandeceu aqueles ministros que votaram a favor da cassação, como disse o ministro Fux, o tribunal preferiu se comportar como um avestruz, que "enfia a cabeça no chão", alheio ao que se passa em sua volta. Os outros ministros davam a impressão de já ter trazido suas convicções pronta de casa, impedindo que provas apresentadas depois de 1º de março fossem apresentadas ao TSE.

O julgamento, tal como foi, só reforça os piores preconceitos sobre o Judiciário - de que julga não conforme a lei, mas conforme a cara do réu. É um vexame, vergonhoso e triste, talhado para entrar para a história.