08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Discutindo a relação!

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenh
| Tempo de leitura: 2 min

Eu e minha mulher já estamos casados há mais de 40 anos e todo dia, à tardinha, nos reunimos pra discutir nossa relação. Se não existir nenhum problema, a gente inventa um e logo resolve, pois é sempre uma delícia comemorar a reconciliação.

Também saímos umas duas vezes na semana pra celebrar nossa vida em conjunto. Num certo dia dividimos uma pizza, eu tomei uns chopes e ela uma água sem gás. Noutro dia, eu escolhi uma picanha mal passada com gordurinha e tomei uma caipirinha, e ela foi de filé de franco grelhado com um suco de laranja. Já viu, né!

Parece que minha mulher quer viver pelo menos até os 90 anos, mas ela vai se surpreender comigo!

Numa destas saídas, ela aproveitou e disse pra mim: "Se você maneirar na comida e na bebida, vai viver bem mais!". Acho que ela tem razão, mas fico pensando até que ponto vale a pena abdicar de pequenos prazeres pra ganhar um pouquinho a mais de vida.

Ou, de outra forma: qual a dosagem certa que dê um equilíbrio entre a satisfação de viver e um tempo maior de vida? Já larguei o cigarro faz tempo - e acho que foi um bom negócio - e, se parar com todos os prazeres, desde os pequenos até os mais corrosivos, creio que posso chegar até os 100 anos, que é minha meta atual.

De alguns prazeres não pretendo abrir mão, mas ir administrando, sentindo meu corpo, e se estiver próximo de não cumprir a meta dos 100 anos - conforme procedimento federal criado recentemente -, um pouco antes pretendo dobrar a meta para viver até os 200 anos.

Mas aí minha mulher já era, pois sua ideia é viver até os 90 anos.

Então, qual é a saída? Para ter ela sempre ao meu lado, ao invés de dobrar, vou reduzir um pouco a meta inicial de 100 para 90 anos e, assim, umas picanhas e uns chopes se fazem necessário para fechar a conta.