| Uanderson Brittes |
| Odair José: brega, roqueiro, contestador, autêntico e múltiplo |
| Divulgação |
| Disco de 1977: fracasso de público na época, mas cultuado |
Integrados ao catálogo da Sony Music, "Odair José" (1970), "Meu Grande Amor" (1972), "O Filho de José e Maria" (1977) e "Coisas Simples" (1978) foram discos lançados originalmente pela CBS e RCA e agora, enfim, ganham versões digitais neste mês (consulte as plataformas Spotify, Google Play, Deezerr, Apple Music e Napster).
Foi um tempo para isso acontecer. Responsável pelo texto de divulgação dos relançamentos, Marcus Preto ilustra abaixo o que ocorria há quarenta anos no Brasil do Odair José de "Ofilho de José e Maria", considerado a primeira ópera-rock do pop nacional.
CONTEXTO
Brasil, 1977. Uma nota no jornal expunha o tamanho da ambição artística do novo projeto de um dos artistas mais populares do país naquele período: "Será exigido traje a rigor para a estreia de 'O Filho de José e Maria' no [teatro] Carlos Gomes, conforme desejo de Odair José, que pretende contar com Mário Gomes e Nuno Leal Maia atuando como atores no espetáculo. Além de grande orquestra, Odair vai se apresentar acompanhado por um grupo de rock e contará com um corpo de baile".
Odair fazia sua maior revolução pessoal desde que estourou, no começo dos anos 1970. Em nova gravadora, a RCA, acabara de lançar o álbum "O Filho de José e Maria", uma ópera-rock inspirada no livro "O Profeta", do escritor líbano-americano Khalil Gibran. E, abraçado por Guilherme Araújo, empresário dos tropicalistas (Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e Gilberto Gil), caía na estrada com o novo show.
Poucas vezes na história da música popular brasileira houve um álbum tão contestador dos costumes e tradições familiares. As letras narram a história do tal filho de José e Maria - supostamente Jesus Cristo, embora esse nome nunca seja citado.
Para dar conta de tanto assunto, "O Filho de José e Maria" seria lançado em LP duplo, com 24 canções. Mas, por decisões internas da gravadora, acabou sendo condensado em um único disco.
O álbum tem sonoridade roqueira de altíssima qualidade, sustentada por uma banda base que incluía o genial soulman Hyldon (do antológico "Na Rua, na Chuva, na Fazenda"), o pianista Robson Jorge (parceiro de Lincoln Olivetti em arranjos clássicos dos anos 70 e 80), os violões de Jaime Alem (maestro de Maria Bethânia por décadas) e, amarrando tudo isso, a cozinha do grupo Azymuth. A direção artística ficou nas mãos de Durval Ferreira, compositor e arranjador ligado à bossa nova.
CULT
Essa espetacular ficha técnica ajudou "O Filho de José e Maria" a se tornar um álbum cultuado a partir dos anos 2000, quando foi redescoberto e passou a valer pequenas fortunas nos sebos de vinil. Mas não foi só isso. Outro fator que colaborou muito na criação do mito em torno do disco foi seu completo fracasso de público).
Parte do repertório excluído viria à tona no álbum seguinte, "Coisas Simples", também agora relançado.
Para ouvir já
"O Filho de José e Maria" - https://SMB.lnk.to/ofilhodejoseemaria
"Odair José" - https://SMB.lnk.to/odairjose1970
"Meu Grande Amor" - https://SMB.lnk.to/meugrandeamor
"Coisas Simples" - https://SMB.lnk.to/CoisasSimples