11 de julho de 2026
Esportes

Na semana em que o Gocil/Bauru disputa decisão, título brasileiro do Tilibra/Copimax completa 15 anos

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Wander Roberto/CBB
Vanderlei, cestinha do time na campanha do título, segura troféu junto com um jovem Leandrinho em uma “era pré-NBA”
Elenco, comissão técnica e diretores do Tilibra/Copimax celebram no ginásio Panela de Pressão a histórica conquista do Nacional

Hoje, apenas três dias antes da partida final do Novo Basquete Brasil (NBB) 2016/17 contra o Paulistano, Bauru relembra os 15 anos de sua única conquista de um Campeonato Brasileiro, feito obtido em 14 de junho de 2002. Na ocasião, o Tilibra/Copimax venceu o Araraquara por 77 a 69, fechando a série em 3 a 0, diante de um ginásio Panela de Pressão completamente lotado.

Por ironia do destino, a finalíssima desta vez será em quadra neutra, e a cidade escolhida foi justamente Araraquara, rival do Tilibra em 2002. Mas a promessa é de casa cheia a favor do Dragão, pois a torcida se organiza para lotar o Gigantão e empurrar o time rumo ao bicampeonato nacional - o primeiro no NBB.

O TIME

Se o basquete ganhou raízes em Bauru, muito se deve ao trabalho de décadas, tanto no feminino, que teve grandes nomes na seleção, quanto no masculino, com a Associação Luso Brasileira e depois o Tilibra, sob a presidência do empresário Caio Coube, até chegar ao atual projeto. O título brasileiro de 2002 foi, por muitos anos, a maior conquista da modalidade, sendo superada apenas recentemente com os títulos internacionais da Liga Sul-Americana em 2014 e da Liga das Américas em 2015.

Há 15 anos, quando ganhou o Nacional, o Tilibra contava com os titulares Leandrinho, Vanderlei, Jeffty Connelly, Brasília e Josuel. Daquele quinteto, Leandrinho era jovem promessa do basquete brasileiro e foi eleito a revelação do Brasileiro de 2002, indo no ano seguinte para a NBA, onde atua até hoje.

Os outros quatro atletas, mais experientes na época, já encerraram a carreira. O norte-americano Jeffty retornou aos Estados Unidos, enquanto Brasília fixou residência em Uberlândia (MG). Josuel mora em Agudos, a apenas 13 quilômetros de Bauru, e Vanderlei é, desde o mês passado, o gestor do Vôlei Bauru.

O time comandado pelo técnico Guerrinha tinha no banco de reservas os jovens Murilo Becker e Marquinhos, que anos mais tarde seriam jogadores de seleção brasileira. Ambos seguem na ativa até hoje. Também eram nomes importantes na rotação o armador Raul, que depois virou treinador, o ala César, que joga até hoje e estava atuando por Franca, e ainda o ala/pivô Everaldo, que após encerrar a carreira mudou-se para o Mato Grosso.

COLETIVO

Com 1.009 pontos no Nacional de 2002, Vanderlei foi eleito o MVP (melhor jogador) daquela edição, sendo peça fundamental na conquista bauruense. "Nosso time jogava muito bem coletivamente, cada um sabia o que tinha que fazer em quadra. No começo do campeonato, a nossa meta era ficar pelo menos entre os quatro melhores, mas ao longo da competição nosso time viu que tinha potencial para mais", resume, em entrevista ao JC.

O Tilibra/Copimax fez uma das melhores campanhas da história do Nacional, terminando na liderança da primeira fase, com apenas cinco derrotas em 32 jogos - e apenas um tropeço em casa. Nos playoffs, o time venceu todas as partidas que fez diante da torcida. "A gente tinha muita força jogando dentro de casa, uma energia diferente atuando na Panela. Até hoje, quando entro no ginásio, tenho boas lembranças daquela época, o clima era ótimo. Foi um elenco que fez muita amizade fora da quadra também, e isso conseguiu se refletir nos jogos", diz.

Sobre o momento mais difícil no torneio, Vanderlei aponta a semifinal contra o Ribeirão Preto/COC. "Eles tinham um elenco mais jovem e muito forte. Quando perdemos o quarto jogo, lá em Ribeirão Preto, acreditamos muito na vitória em Bauru, pela força que a gente sempre teve na Panela e conseguimos o resultado e a vaga na final", recorda. "Fiz muitas amizades aqui, com o próprio diretor que me trouxe para Bauru, que foi o Zé Martha, com o Zezinho Martha também", conclui.

O presidente do Bauru na época, o empresário Caio Coube, também afirma que a semifinal foi o momento mais complicado. "O COC tinha um elenco muito forte, e a gente tinha perdido para eles na semifinal do Paulista de 2001 por 3 a 2. No Brasileiro, a gente conseguiu vencer, aí na final as coisas foram um pouco mais tranquilas. Eu considero esta como uma conquista histórica, um feito, porque é muito difícil ser campeão brasileiro", avalia Coube, que no sábado será mais um torcedor de Bauru em Araraquara. Ele, Vanderlei e Josuel acreditam no bicampeonato bauruense no Nacional.

UNIÃO

Para o ex-pivô Josuel, o título em 2002 teve um sabor ainda mais especial, pois foi justamente no dia do seu aniversário – ele completou 32 anos na data da grande final, e hoje faz 47. “Eu joguei um ano em Bauru e foi muito especial, era um elenco de amigos, onde não tínhamos problemas de relacionamento. E optei por morar em Agudos há cinco anos, porque gosto do Interior, é mais tranquilo”, diz. Josuel chegou a trabalhar no treinamento de pivôs do Bauru Basket nos últimos anos, até a metade de 2016.

Atualmente, ajuda em treinamentos de basquete em Agudos. “Quando em fui contratado, em 2001, eu vim através do Vanderlei, a gente conversou e ele me passou boas referências. Aí, depois o Zé Martha, que era diretor do time, veio até a minha casa no Rio de Janeiro (Josuel jogava pelo Flamengo na ocasião) e acertamos, felizmente deu tudo certo e pude jogar e ser campeão em Bauru”, menciona.