08 de julho de 2026
Articulistas

A vaca marrom

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Quando você acha que já viu de tudo... Li ontem que 7% dos norte-americanos adultos realmente acreditam que os achocolatados já saem direto de vacas marrons. Tal revelação, aparentemente inútil, consta de estudo feto pelo Centro de Pesquisa de Laticínios dos Estados Unidos.

Mas o buraco é mais embaixo: 48% dos consultados não se mostraram seguros para dizer de onde vem o achocolatado. Ou seja: não se revelam convictos para cravar que o produto é resultado da combinação de leite e chocolate. Do que seria? De leite e gasolina?

A verdade é que esse tipo de pesquisa é, sim, mais útil do que parece na medida em que serve como "tapa na cara" da gente, como se alguém dissesse: "Ei, acorda pra vida!". Taí uma matemática estranha: hoje, com todas as ferramentas básicas de informação na ponta dos dedos, ainda persistimos em ficar nas mãos da ignorância.

Há tempos é possível notar que a cultura geral anda bem baleada. Deveria ser o contrário: nunca tivemos tanta condição de buscar informação e conhecimento. Mas, como o combustível da busca é a curiosidade, talvez seja esse o ingrediente em falta.

Ser curioso diante da vida livra o sujeito da escuridão. É mais fácil do que parece: basta preservar a sede de aprender e só tomar cuidado para não se afogar em fontes pouco ou nada confiáveis. Na era em que todo mundo é forte emissor, quase todo mundo pode ser tornar frágil receptor.

E que depois vai espalhar as coisas erradas que ouviu sem checar. Jornal, jornalismo e coisas boas do tipo nunca deverão perder suas funções. Nem a escola. Pelo contrário: precisam ser cada vez mais valorizados para criar as bases de uma sociedade minimamente informada.

Uma sociedade que não confunda "centavos novos com sentar nos ovos", "gentileza com gente lesa". Nem condicione inapelavelmente a cor da vaquinha com achocolatados de caixinha.