| Douglas Reis |
| Segundo o delegado Luiz Augusto Puccinelli, 70% dos flagrantes se deu em biqueiras |
| Samantha Ciuffa |
| Tenente-coronel Flávio Jun Kitazume diz que tráfico é o ‘líder’ das ocorrências na cidade |
Levantamento divulgado pela Polícia Civil aponta um aumento de 25% no número de prisões por tráfico de drogas, em Bauru. De janeiro a abril deste ano, foram 160 flagrantes, em média, contra 128 no primeiro quadrimestre de 2016. Os dados incluem também os flagrantes realizados pela Polícia Militar (PM), que reitera a evolução de ocorrências desta natureza, sendo a maior demanda da corporação, atualmente.
Titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), o delegado Luiz Augusto Puccinelli atribui o percentual a uma notável crescente na quantidade de usuários e, consequentemente, de traficantes, em razão da chamada "lei da oferta e da procura".
"Faltam campanhas de conscientização. Além do aumento de usuários, que sustentam o comércio das drogas, a reincidência no tráfico se dá também em razão da sensação de impunidade, já que as leis preveem muitos benefícios para o preso", critica.
Para se ter uma ideia, ele próprio já chegou a prender a mesma pessoa três vezes, em um período de apenas cinco anos. Dificilmente, o traficante se recupera dentro de unidades prisionais", aponta.
Do total de drogas aprendidas nos quatro primeiros meses deste ano, cerca de 69% são maconha, 19% crack e 12%, cocaína, estima o delegado, sem, contudo, apresentar números precisos da quantidade retirada do mercado neste período.
Puccinelli destaca ainda que a maioria dos flagrantes se deu em biqueiras. "Pelo menos em 70% dos casos. O restante são fornecedores (que têm acesso à droga em sua origem) e os próprios donos (os grandes traficantes)", especifica.
PREÇO
Ele revela que não houve queda no valor das drogas. "O preço pode variar conforme o tamanho da porção e também de uma biqueira para outra. Normalmente, as porções de crack são vendidas por R$ 5,00, maconha a partir de R$ 10,00 e cocaína, a partir de R$ 20,00".
Puccinelli ressalta que existem entorpecentes com processos de produção mais complexos, que fazem aumentar o valor no mercado. "Entretanto, apesar do déficit de policiais, mantemos o mesmo ritmo de trabalho investigativo", frisa, sobre as ações de combate ao tráfico.
A maioria dos presos, diz ele, são jovens entre 20 e 30 anos. "Terrenos baldios continuam sendo o tipo de esconderijo mais comum dos traficantes. Em alguns bairros, para evitar flagrantes, colocam olheiros, alguns em locais inusitados, como em cima de árvores".
POPULAÇÃO FLUTUANTE
A Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes) confirma que houve um aumento no número de usuários de drogas em Bauru, mas atribui a realidade a pessoas que vêm de outro município e se instalam nas ruas, a chamada "população flutuante".
"A maioria faz uso de entorpecentes. Bauru possui alguns serviços, como casas de passagens, que nem sempre têm em outras cidades da região", justifica a diretora de departamento da proteção social especial da Sebes, Fátima Cristina de Oliveira Monari.
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Tráfico de drogas lidera reclamações no 190
Tráfico de drogas corresponde à maioria das reclamações registradas tanto através do 190 quanto pelos próprios policiais militares que atuam nas ruas, informou o comandante da PM em Bauru, o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume. Segundo ele, cresceu a quantidade de pontos de tráfico na cidade. "A gente percebe que há locais novos com comércio de drogas ou que, antes, registrava-se um movimento menor de ocorrências deste tipo", observa.
Kitazume diz ainda que, apesar do combate constante à prática de vendas de entorpecentes, a maior parte da população carcerária, seja em Bauru ou em outros municípios, é constituída por acusados de tráfico. "Infelizmente, carecemos de políticas públicas para reverter este cenário. A maioria são jovens e adolescentes, que deveriam ser devidamente orientados sobre os males das drogas", finaliza o tenente-coronel da PM.
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