| Samantha Ciuffa |
| Solenidade dos 50 anos: José Henrique Rubo, José Roberto Pereira Lauris, Carlos Ferreira dos Santos, Maria Aparecida Moreira Machado, Isabel Miziara e Bernardo Gonzales Vono |
Assim que soube por um ultrassom na 24.ª semana de gestação que seu filho nasceria com fissura labiopalatina, a médica veterinária Juliana Bonfim da Silveira, de Porto União (SC), pesquisou na Internet sobre o assunto e descobriu o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP em Bauru, o popular Centrinho, que completa 50 anos hoje, de olho na sonhada Faculdade de Medicina.
“Mesmo antes do Caio nascer, entrei em contato com o hospital e fiz o cadastro com o laudo dos exames que tínhamos. Logo após o nascimento, o tratamento já estava marcado. Ele veio para o Centrinho a primeira vez com 3 meses. Atualmente está com 6 anos e já passou por 5 procedimentos cirúrgicos. Já fechou lábio, palato, fez a soltura do lábio superior e agora fez a ponta do nariz, a columela. Segundo os médicos, ainda segue em tratamento até os 21 anos”, relata.
Caio faz parte dos mais de 1 mil pacientes que já passaram pelo Centrinho ao longo dessas cinco décadas. Números expressivos (veja no quadro abaixo que justificam a comemoração realizada nessa sexta-feira (23).
No saguão de entrada da Unidade 2 do hospital, a cerimônia contou com a participação de dirigentes e comunidade do Câmpus USP-Bauru, servidores aposentados, pacientes, familiares, autoridades e convidados. Na solenidade, ocorreram homenagens e apresentação da Banda Sinfônica Municipal, que entoou canções clássicas, temas de filmes e, claro, o “Parabéns pra você’.
“Queremos celebrar este marco especial com todos aqueles que fizeram parte dessa história e os que constroem hoje a trajetória de sucesso do HRAC”, salienta a professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, superintendente do hospital e diretora da FOB. “Os grandes marcos destes 50 anos são as reabilitações. O Centrinho marca positivamente a história daqueles que nos procuram buscando reabilitação, integração na sociedade e, mais do que isso, oportunidade de uma vida normal”, complementa.
SUCESSO E HISTÓRIA
A superintendente ainda fez questão de agradecer “aqueles que se dedicaram a construir essa história. Eu sempre digo que, para estar em uma posição de liderança, como é o caso do Centrinho, aqueles que nos antecederam trabalharam muito para que isso acontecesse. E essa história não pode se perder e não pode deixar de ser valorizada”.
Na cerimônia, inclusive, estava presente Bernardo Gonzales Vono, um dos sete fundadores da instituição. “Eu tive a felicidade de poder contribuir naquela época e, hoje, o sentimento continua o mesmo: felicidade”.
O vice-superintendente do hospital, professor Carlos Ferreira dos Santos, também relembra os “criadores”. “Não posso deixar de mencionar o nome do professor doutor José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que foi o grande visionário e batalhador para que esse nível de excelência fosse atingido e reconhecido não apenas nacional, mas internacionalmente. Após estes 50 anos, o que desejo é que tenhamos mais 50 anos à frente, minimamente, para a realização de novas conquistas e novos sonhos”.
A assessoria de comunicação do Centrinho, inclusive, emitiu uma mensagem do idealizador do Centrinho, o Tio Gastão. “Eu só quero, realmente, agradecer: aqueles que confiaram e ajudaram no passado e aos que no presente continuam a missão iniciada em 1967 e constroem o futuro, com um trabalho entrosado. A todos, nossa profunda gratidão, nossa fé no trabalho daqueles que estão à frente da instituição hoje, que a têm conduzido de uma maneira extremamente gratificante, e no contínuo desenvolvimento do Centrinho”, conclui ele, que ficou por mais de 40 anos como superintendente do hospital.
Faculdade de Medicina
| Samantha Ciuffa |
| André de Souza Pinto regeu a Banda Sinfônica Municipal nessa sexta-feira (23) |
Falando sobre futuro, a professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado destaca o papel do Centrinho/USP na sonhada Faculdade de Medicina. "Temos aí um prédio de 22 mil metros quadrados que precisamos dar uma destinação. Estamos trabalhando arduamente e diuturnamente para que possamos viabilizar o prédio para a cidade, para o Estado e para o Brasil. E, também, para que o Centrinho possa ser o berço da Faculdade de Medicina da USP em Bauru. Estamos em tratativas ainda, mas, enquanto eu estiver à frente do Hospital, à frente da FOB - e essa já foi a minha fala no dia em que assumi a gestão na FOB, em março de 2014 - eu estarei trabalhando incansavelmente para que isso seja viabilizado. E, claro, com a vinda da Faculdade de Medicina da USP para Bauru, muitas situações que, hoje, temos dificuldades, serão minimizadas, o que vai significar também um grande avanço para o hospital".
Nesse sonho, ela ainda ressaltou, em seu discurso nessa sexta-feira (23), a mobilização necessária. "Também menciono as forças políticas da cidade que temos buscado apoio. Estamos unidos para que o benefício seja, além do Hospital, do município, do Estado de São Paulo e do Brasil.
Em entrevista à assessoria de comunicação, Tio Gastão também fez coro ao objetivo quando questionado sobre o futuro do Centrinho. "A grande meta é a Faculdade de Medicina, luta pela qual a professora Maria Aparecida está totalmente voltada e dedicada. Essa conquista será uma imensa alegria e uma vitória de toda a comunidade bauruense e da equipe como um todo, que continua seu trabalho e com objetivos até maiores do que aquilo que pensamos".