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| Cristiano Denardi comemora uma de suas quatro vitórias no emblemático Autódromo de Interlagos |
A linha tênue entre o sonho e a realidade é ultrapassada a 207km/h pelo piloto jauense Cristiano Denardi, que tem dois empregos e ainda vende rifas, pizza e rondelli para manter aquecido o motor de seu Fórmula Vee, na briga pelo título inédito da temporada 2017 do Campeonato Paulista de Automobilismo.
Farmacêutico bioquímico e professor de curso técnico em Jaú, aos 36 anos, Denardi é da geração que vibrava na frente da TV assistindo às vitórias de Ayrton Senna e que também chorou pela morte do ídolo. O jauense começou a correr depois dos 30 em competições regionais do kart. Sempre com recursos próprios e ajuda de amigos.
LARGADA
Denardi foi campeão regional no kart em 2014 e vice, em 2015. Em 2016, quando buscava o bicampeonato, foi convidado para correr pela primeira vez num carro F1600, em Piracicaba. "Quando sentei no cockpit e acelerei, até eu mesmo me surpreendi e chamei a atenção por ter feito o melhor tempo, 1:14'159". Foi aí que passei a acreditar que era possível e que tinha talento", revela o piloto.
Em setembro passado, ele foi convidado para correr na Fórmula Vee, na metade da temporada. "Comecei ansioso, mas pisei forte no acelerador e, surpreendentemente, quase ganhei", recorda. Denardi cita que faltou malícia na ultrapassagem que daria a liderança. Um descuido o fez rodar na pista, mas ele se recuperou e chegou em segundo. Nas outras sete corridas, venceu todas.
RECOMEÇO
Na temporada seguinte, já neste ano, o que ele achou que seria o fim do sonho por causa do orçamento. Novamente, o jeitinho brasileiro, o de trabalhar em três períodos e bater em porta em porta, o está mantendo na F Vee 2017, onde é líder do campeonato, com 74 pontos, seis a mais que o atual bicampeão da categoria, Heitor Nogueira.
Movido pela raça, as massas e as rifas, correndo pela F/Promo Racing, Denardi explica ainda que o custo para se manter no campeonato é em média de R$ 5.000,00 por corrida. Esse valor engloba taxas de combustível, pista, carro e equipe mecânica. Sem ter patrocínio, é tudo custeado por ele. "Consegui da equipe do Wilsinho Fittipaldi o capacete, macacão, luvas, sapatilhas e proteção de coluna. Isso me ajudou muito e os resultados estão aparecendo", frisa. Na atual temporada, Denardi lidera com duas vitórias e chegou na 2ª colocação duas vezes. Na última corrida, apesar de ter sérios problemas mecânicos, conseguiu controlar o carro e ainda completou a prova em sexto, num total de 16 pilotos.
O degrau acima da F Vee é a Fórmula 3 Brasil, mas Denardi sonha ainda mais alto, em chegar, um dia, à Stock Car e correr contra Rubens Barrichello, Cacá Bueno e companhia. O jauense retorna ao cockpit no dia 1º de julho, no famoso Autódromo de Interlagos, onde já correu oito vezes e venceu quatro.
SOBRE A FÓRMULA VEE
Presente em 14 países, a Fórmula Vee foi introduzida no Brasil em 1964. É categoria de entrada do automobilismo, depois do kart. Pilotos como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Niki Lauda já passaram pela F-Vee. O carro tem motor EA 111, refrigerado a água, 1.6 cilindradas Volkswagen, pesa 470kg e alcança 207km/h.