08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Amigos para sempre

Paulo De Marchi Sobrinho - Amigo!
| Tempo de leitura: 2 min

Lá pelos idos 1982 e seguintes, vivi uns momentos especiais. Meu filho Marquinhos começou a jogar basquete na Luso, levado pelo meu sobrinho André, que já jogava na equipe de cima. Na época, o técnico era o "Pescoço". Aí a gente virava, como diziam, "super-pai": era levar, buscar, acompanhar. Foi assim categoria mini, mirim etc. Disputavam o campeonato da Federação Paulista e se sentiam orgulhosos por possuir a carteirinha de "federados"e sair no JC-Esportes.

Dentre essa molecada estava o Demétrius Ferraciú. Se este não tornasse um laureado campeão quer como profissional ou técnico, ninguém mais se tornaria, dada a dedicação de seu pai Edson Ferraciú, que foi profissional e ama este esporte. Este moleque era trazido quase que diariamente de Lençóis até a Luso.

E ainda tinha que fazer tarefa em casa: 300 cestas por dia; o vizinho furava as bolas que caiam no seu quintal. Na quadra, ouvia atentamente os assovios do pai, passando-lhe as "manhas". Junto com o Hudson Previdello foi levado ao profissionalismo pelo Edson.

Nos jogos para fora: Santos, Campinas, S. J. dos Campos, etc, o Pescoço levava um ou dois pais para ajudar a olhar a molecada. Nem precisava, dada a harmonia e responsabilidade precoce dos meninos.

Particularmente eu não gostava do título "pai-herói" e, junto com o técnico, pais presentes, tínhamos uma relação de amigos com os meninos tornando-nos moleques tanto quanto eles. O Pescoço foi embora (está em Bauru de novo) e o Cássio que também foi "cria" deu continuidade.

O Bauru-Basket, campeão brasileiro, hoje, traz em sua conjuntura alguns destes valorosos meninos.

Ainda falando dos moleques, no grupo tinha um gordinho agitado que gostava de liderar, continua líder, é o Vitinho. Tinha Conrado, Kiko, Hudson, Bruno, Marquinhos, Téo, Bucallon (valia por uma torcida inteira) e outros, e ainda um de cabelo enrolado que fazia a alegria do grupo, que por causa de uma saga de um corintiano gozando no seu pai Braulio, lhe deu o apelido de "Biro-Biro". O nosso amigo, moço admirado e querido por todos, de alegria sem limites, Flávio Zambonato, que sucumbiu precocemente.

Consternados, comovidos, estavam presentes na despedida. Avaliando, vejo que o esporte uniu este grupo numa amizade admirável como se firmassem o compromisso de "amigos para sempre".

Quanto a mim, pasmo, apesar de meus cabelos brancos e passados tantos anos, todos lembraram-se de mim. Acordo e penso: acho que conquistei aquelas amizades mirins. Como disse o Pescoço: é muito gratificante vê-los homens e bem formados. Emendo, também acho e, quando os vejo, me sinto moleque.

Na quadra da Luso, recentemente, vi o Luizinho treinando os meninos e, com saudade, digo aos pais-heróis de hoje: incentivem seus filhos, o que vi e vejo é um exemplo muito lindo, lindo mesmo.

Rezemos para que Deus dê ao Braulio e família a força necessária para aguentar essa. E do meu querido Biro, digo que agora é um anjo que estará olhando por nós. Amém!