11 de julho de 2026
Geral

Tobias lidera acordo entre Estado, USP e Prefeitura por conquista de Medicina

Nélson Gonçalves, enviado especial a SP; Tisa Moraes e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 17 min

Malavolta Jr
Governador do Estado Geraldo Alckmin
Samantha Ciuffa
Deputado estadual Pedro Tobias
Douglas Reis
Reitor da USP, Marco Antonio Zago
Samantha Ciuffa
Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado
Malavolta Jr.
Prefeito de Bauru, Clodoaldo Gazzetta
Douglas Reis
Secretário estadual da Saúde David Uip

Uma data histórica para a consolidação de Bauru como polo regional de saúde ocorreu nessa terça-feira (4), no Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP), na Capital. A abertura da primeira turma de graduação em Medicina, com 60 vagas iniciais já para 2018, saiu da gaveta após a articulação do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que obteve aval do governador e médico Geraldo Alckmin (PSDB), o empenho pessoal do reitor da USP, Marco Antonio Zago, do secretário estadual de Saúde, David Uip, a partir da iniciativa da diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e superintendente do Centrinho, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, somados à parceria local assumida pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD).

A aprovação, com 67 votos dos 97 conselheiros, foi condicionada. Conselheiros de outras unidades da USP mostraram preocupação com a garantia de recursos para sustentar a criação do curso. Zago pediu apoio aos conselheiros e negociou, ainda ontem, que a abertura da graduação em Medicina fosse condicionada à assinatura de convênio junto à Secretaria Estadual de Saúde para dar suporte estrutural ao funcionamento do novo hospital, no câmpus, e financeiro. Ao JC, o governador garantiu que cumprirá o acordado.

A USP abriu mão do "predião", construído com recursos públicos, mas que está ocioso há anos. O Estado aceitou assumir o prédio e, em parceria com a Prefeitura de Bauru, vai reorganizar leitos de alta e média complexidade para o novo Hospital Geral. Os serviços do Hospital de Base entram na redistribuição (leia mais na página 4). Servidores do Centrinho serão absorvidos pela nova estrutura e as faculdades de Medicina de Ribeirão Preto e de São Paulo prometeram apoio na formação do curso e com docentes.

Depois de mais de duas horas de debate no Conselho, a cartada final do reitor deu certo. "É sim um bom negócio para todos. Há economia óbvia para a USP que, hoje, consome R$ 19 milhões de custeio e tem em Bauru um prédio construído com recursos públicos parado. É um curso novo e no Interior. Não será Medicina igual Ribeirão e São Paulo. Vai formar médico para atender a rede pública. Um curso audacioso. Criar o curso é decisão da USP. Se estão preocupados com o Estado cumprir sua parte e assumir custeio dos serviços, aceito condicionar a aprovação do curso à assinatura do convênio", lançou Zago, depois de ouvir uma sequência de discursos contrários.

A aprovação no Conselho da USP deu-se com 67 votos favoráveis, 18 contrários e 12 abstenções. A criação do curso em faculdade já existente precisava de metade mais um do quórum. Estava, enfim, aprovado o nascimento da Medicina da USP em Bauru. O novo prédio vai abrigar a residência médica futura e, nos demais andares, vai funcionar o Hospital Geral do Estado. Haverá contrapartida do município, já assumida por Gazzetta.

'CONQUISTA HISTÓRICA'

Ainda ontem à noite, o deputado Pedro Tobias ligou, da Assembleia Legislativa do Estado, ao governador Geraldo Alckmin para agradecer e compartilhar a aprovação da Medicina da USP em Bauru.

Alckmin avaliou a aprovação: "Uma conquista histórica para Bauru, o Coração de São Paulo, uma cidade que tem uma rede hospitalar completa e onde faltava apenas o curso de Medicina público para o desenvolvimento de sua vocação nata".

Para o governador, o curso de Medicina com o selo USP vai ser marco. "A USP está entre as 100 melhores faculdades do mundo e sua expertise em formação profissional médica é de ponta. Unir a referência da rede que Bauru já tem em saúde com a graduação pública e gratuita para Medicina via USP gera uma série de transformações. Da formação profissional, dos serviços especializados, da residência médica. Tudo se transforma".

O governador destacou a descentralização de serviços da universidade. "É uma universidade que se abre para o Interior e permite que a excelência em formação médica também se efetive no coração de São Paulo. A região inteira ganha com essa aprovação", ampliou.

Sobre a condição aprovada pelo Conselho Universitário, de vincular a criação do curso de Medicina em Bauru à assinatura do convênio com o Estado para repactuar obrigações, o governador salientou: "É uma parceria construída por todos desde o início. O bom caminho é unir esforços. A USP se empenhou nisso, a prefeitura vai participar e todos estaremos juntos para viabilizar essa parceria. A Secretaria de Saúde do Estado já discutiu as bases e o convênio será assinado em benefício da comunidade da região de Bauru", finalizou.

'VERDADEIRO MARCO'

O deputado estadual e médico Pedro Tobias não conseguia esconder o contentamento em seu gabinete no início da noite de ontem, na Assembleia Legislativa. "Um marco histórico para Bauru que teve o decisivo e fundamental apoio do governador Alckmin e contou com o entusiasmo do reitor Zago e da diretora da FOB Cidinha e a sensibilidade e apoio do secretário de Saúde David Uip. Uma conquista que eu já tinha quase perdido as esperanças e que, no final, quando tudo parecia que não ia andar, teve as mãos do Renato Zaiden na reconstrução do diálogo, trazendo a Cidinha e o vice-diretor da FOB Carlos Ferreira dos Santos até meu gabinete em uma tarde de sábado. Fomos à luta, o sonho saiu do papel e agora é conquista".

Para o deputado, é fundamental que serviços especializados sejam descentralizados. "Ampliar serviços e descentralizar as atividades da USP fora da Capital não é fácil. Há resistências esperadas. Com o curso, vai ampliar oferta de profissionais. A maioria dos médicos que se forma na cidade fica por lá. É um orgulho para os bauruenses ter o Centrinho junto com o curso de Medicina da USP", comentou.

Para Tobias, o dia de ontem é um marco. "Sem exagero, é um marco histórico. Formar médicos da USP em Bauru é fantástico. E resolve problema de um prédio novo sem uso. O prefeito Gazzetta também foi sensível, percebeu o momento, e vai participar dessa reorganização dos serviços. A qualidade da mão de obra médica em Bauru entra em um novo patamar com o curso de Medicina da USP. Entra para a história".

'LUTA INTENSA'

"Foi uma luta intensa que, finalmente, deu frutos. Estou muito feliz e tenho convicção que haverá um ganho muito grande para Bauru e região. Demos um passo histórico", comemorou Maria Aparecida Machado, lembrando que, em 10 de março de 2014, em seu discurso de posse como diretora da FOB, já falava sobre o curso de Medicina em Bauru. "É um marco para nossa história", conclui.

VESTIBULAR JÁ SERÁ ABERTO EM AGOSTO

Segundo a USP, serão 60 vagas para o primeiro ano de funcionamento do curso, em 2018; previsão é chegar a 100 alunos por turma em 2022

Fotos: Divulgação

As inscrições para o vestibular da Fuvest, que, a partir de agora, passará a incluir o curso de Medicina do câmpus da USP de Bauru, começam em pouco mais de um mês. O prazo para confirmar a participação no processo seletivo irá de 21 de agosto a 11 de setembro deste ano.

A primeira fase do exame será realizada em 26 de novembro e a segunda fase, entre 7 e 9 de janeiro de 2018. Ao todo, serão abertas 60 vagas para o primeiro ano de funcionamento do curso, sendo 42 definidas pela Fuvest e 18 pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A intenção é ampliar o número gradativamente, até chegar a um total de 100 alunos por turma a partir de 2022.

Vinculado à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), o curso começará em 2018 e contará, inicialmente, com 46 professores e profissionais não-docentes, entre médicos e enfermeiros. Para 2018, serão contratados dez professores e as demais vagas devem ser supridas com o apoio de funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, e de professores da FOB e dos cursos de Medicina mantidos pela USP em São Paulo e Ribeirão Preto.

No quarto ano de atividade, o número de funcionários e docentes chegaria a 56. Diretora da FOB e superintendente do Centrinho, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado explica que, para transformar o curso em realidade, os recursos iniciais serão mínimos.

"Utilizaremos a estrutura que já temos na FOB e no Centrinho. Neste primeiro momento, a USP em Bauru está suficientemente equipada para receber os alunos. E temos convênio formal com os hospitais da cidade, fora a rede de atendimento do município. Há uma sinergia onde o aluno estará inserido", frisa.

Divulgação
Gilberto Carlotti, pró-reitor de pós-graduação; Raul Machado, superintendente da Aucani; Carlos Santos, vice-diretor da FOB; Vahan Agopyan, vice-reitor; Maria Ap. Machado; José dos Santos, Medicina de Ribeirão; reitor Zago; e José Lauris, prefeito do câmpus

HOSPITAL

A intenção é, até o final de 2017, já ter estabelecido o cronograma de implantação dos dois primeiros anos da Medicina em Bauru. Maria Aparecida explica que o maior volume de investimentos será demandado a partir do quarto ano, quando o hospital deverá entrar efetivamente em funcionamento no "predião" que fica ao lado do Centrinho, dentro do câmpus da USP.

"Calculamos que sejam necessários R$ 11,8 milhões para equipar o prédio e os recursos virão do governo do Estado", esclarece. Com isso, Bauru passará a contar com seis hospitais públicos.

Hoje, o edifício azul - ou "predião", que possui cerca de 22 metros quadrados de área e 11 pavimentos, tem cerca de dois andares e meio ocupados por serviços prestados pelo Centrinho. A previsão é de que, quando estiver em pleno funcionamento, o hospital abrigue 220 leitos, sendo 10 de UTI adulto e 10 de UTI infantil, o que deve garantir significativa redução na fila de espera por vagas hospitalares em Bauru.

ESTADO ASSUMIRÁ HOSPITAIS E USP FICARÁ COM A GESTÃO ACADÊMICA

O Conselho Universitário da USP aprovou a criação do curso de Medicina de Bauru com a condicionante de que a Secretaria de Estado da Saúde assuma o Centrinho e o novo hospital, que deve começar a funcionar em 2021. Ambos atenderão a população via SUS e serão utilizados para o ensino e pesquisa dos estudantes.

Como contrapartida, a USP ficaria com a gestão acadêmica das unidades. Futuramente, os dois hospitais podem vir a ser geridos por uma Organização Social de Saúde (OSS). "Por enquanto, ainda não está nada acertado nesse sentido", resume Maria Aparecida Machado.

Ela adianta que todos os 605 servidores técnicos e administrativos e os três docentes vinculados ao Centrinho permanecerão contratados pela USP. As futuras admissões, bem como as reposições dentro do Centrinho, passarão a ser feitas pelo governo do Estado, que confirmou ao JC que assumirá o que foi acordado.

Pela proposta apresentada pela diretoria, ontem, internações e cirurgias atualmente realizadas pelo Centrinho serão gradativamente transferidas para o novo hospital, mantendo a expertise em reabilitação de pessoas com anomalias craniofaciais, síndromes e deficiência auditiva.

Progressivamente, a USP deixará de fazer aportes orçamentários para o Centrinho, que continuará sendo custeado pela Secretaria de Estado da Saúde para concentrar as atividades ambulatoriais, a partir da operação plena do segundo hospital. "Como a estrutura do novo prédio é muito melhor, conseguiremos, inclusive, melhorar a prestação de serviços aos pacientes do próprio Centrinho", observa Maria Aparecida, garantindo que o volume de atendimentos oferecidos atualmente não será reduzido.

PREFEITURA DE BAURU IRÁ FICAR COM BOA PARTE DO HOSPITAL DE BASE

Malavolta Jr.
Secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin

A Prefeitura de Bauru vai entrar com uma contrapartida para a instalação do curso de Medicina na USP. Pelo que ficou acertado entre Estado e município, a prefeitura assumirá a administração de boa parte do Hospital de Base, atualmente gerido pelo Estado, permitindo assim que a Secretaria de Estado da Saúde invista no novo Hospital Universitário, que ocupará o "predião" do Centrinho.

Clodoaldo Gazzetta confirmou ao JC que esta foi a contrapartida assumida pelo município. "A gestão de boa parte do Hospital de Base ficará com a prefeitura, que, a partir de 2018, também investirá recursos lá. Vamos custear parte do hospital, o restante será do Estado e União. As conversas evoluíram muitos nos últimos 20 dias", frisou nessa terça-feira (4).

"E isso terá um outro efeito positivo, pois, além dos 200 leitos que o Hospital da USP vai gerar, Bauru passará a administrar boa parte dos leitos do Base, tanto que a regulação dos leitos do Base passará para a prefeitura, e não mais pelo Cross (do Estado). Isso vai aliviar muito a fila de espera no PS Central e UPAs", adiantou.

O valor que o município vai gastar para gerenciar o Base ainda não foi definido. "Mas vamos reservar isso no nosso Orçamento a partir de 2018, até porque o Estado e a União vão fazer repasses também, a prefeitura vai complementar e assumir a gestão do Base, assim o Estado poderá investir no novo hospital na USP. Até porque essa era uma necessidade, Bauru é uma das poucas cidades de médio porte que não tem controle de nenhum hospital", concluiu.

O secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, participou ativamente das negociações entre prefeitura e governo estadual. Ele lembra que a rede de saúde da cidade ganha com a Medicina. "Bauru já conquistou o curso privado, com a Uninove, e agora terá um público, através da USP. Vamos ter em breve dois cursos de Medicina na cidade, o que será importante para a rede de saúde", disse nessa terça (4) à noite, em vídeo divulgado pela assessoria de comunicação.

'MELHOR CURSO DE MEDICINA DO BRASIL'

Durante discurso nessa terça-feira (4), o reitor da USP, Marco Antonio Zago, salientou: “Queremos criar um novo e audacioso curso, queremos que ele seja o melhor curso de Medicina do Brasil. E sua aprovação pelo Conselho Universitário foi uma grande vitória para a USP, para Bauru e para o Centrinho, que foi a semente desta iniciativa”, destaca.

DE SONHO HÁ 60 ANOS A POLO REGIONAL

Primeira proposta de um curso de Medicina em Bauru foi em 1957. Agora, com o sonho concretizado, cria-se um conglomerado de saúde na região

A confirmação da implantação do curso de Medicina em Bauru pela USP conclui uma "saga" de 60 anos, na qual importantes figuras da cidade sonharam e lutaram para que, agora, esta seja uma realidade aos bauruenses. O primeiro registro sobre a possibilidade de instalação de uma Faculdade de Medicina foi há exatamente seis décadas.

Agora, com a concretização por meio da USP, Bauru será o grande centro de um polo regional da área de saúde (veja mapa ao lado). Isso porque a própria cidade já conta com um dos melhores cursos de odontologia do mundo, na USP, e o Centrinho, referência em tratamento labiopalatal para toda a América Latina. A 100 quilômetros, Botucatu tem o curso de Medicina na Unesp e Marília na Famema. E a 47 quilômetros, Jaú é a sede do Hospital Amaral Carvalho, um dos principais do setor oncológico no Brasil.

MAIO DE 1957

No dia 28 de maio de 1957, o então deputado estadual José Ferreira Keffer apresentou projeto de lei à Assembleia Legislativa para criar a Faculdade de Medicina de Bauru. O texto foi aprovado em primeira discussão em agosto do mesmo ano, e quase um ano depois, em julho de 1958, foi aprovado em segundo turno. Sancionado pelo governador da época, Jânio Quadros, a Lei 4.764 foi publicada no Diário Oficial do Estado em agosto de 1958.

O texto tinha quatro artigos, designando a criação da Faculdade de Medicina de Bauru como um instituto isolado. Porém, na prática, a lei nunca foi aplicada. Keffer morreu em 17 de dezembro de 1977, sem ver seu projeto de lei se concretizar. Em 2006, a Lei 12.470 revogou uma série de leis do período entre 1953 e 1961. Sancionada pelo governador Cláudio Lembo, a criação da Medicina em Bauru estava no pacote de revogações.

LUTA

Outras inúmeras tentativas de criar o curso em Bauru aconteceram nas últimas décadas. Em 2013, o deputado federal Milton Monti (PR-SP) apresentou projeto de lei para criar a Universidade Federal de Bauru (Unifeb). Em 2015, o texto foi aprovado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, mas não avançou depois disso.

Em 2014, em visita a Bauru, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou que a cidade contaria com uma faculdade federal, porém, novamente não houve avanços. Até mesmo a possibilidade de uma extensão do câmpus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que já conta com o curso, foi cogitada, sem sucesso.

No âmbito estadual, a luta se intensificou a partir de 2011, após um período em que muitos já davam como perdida a possibilidade de o município contar com um curso público. Há seis anos, o JC noticiou com exclusividade, no dia 19 de maio de 2011, a informação de que a Reitoria da USP, pela primeira vez, cogitava a possibilidade do câmpus de Bauru ter o curso de Medicina.

Em 2014, mais um passo foi dado, com o governo estadual assumindo o "predião" do Centrinho, que custou quase R$ 30 milhões e estava em obras desde o final do anos 80. O local, que inicialmente seria usado apenas pelo Centrinho, vai se transformar em um Hospital Universitário, mantido pelo Estado e servindo como extensão ao curso da USP local, atendendo diversas especialidades e ajudando a sanar o déficit de leitos hospitalares de Bauru e região.

Há duas semanas, uma comitiva formada pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, e dirigentes da FOB/USP, foi até São Paulo onde vários detalhes do futuro curso foram alinhados com a Reitoria da USP e a Secretaria de Estado da Saúde, conforme o JC antecipou no dia 22 de junho.

SEMENTE DA MEDICINA DA USP...

Em 2011, conta o médico Assaf Hadba, uma comitiva de Bauru foi até o ex-ministro da Saúde, Adib Jatene - falecido em 2014. "Na ocasião, Pedro Tobias, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão (na época, superintendente do Centrinho) e o diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden, buscavam apoio para a instalação do curso. O ex-ministro mostrou entusiasmo e encampou a luta de Bauru, no intuito de que o governador Geraldo Alckmin e a USP aprovassem a Medicina. O Adib (Jatene) era meu amigo e fomos lá. Ele disse que nos apoiaria para que a USP criasse o curso. Na ocasião, ajudamos a abrir portas. Plantamos uma semente e, agora, deu frutos. E Bauru merece. Pelo porte da cidade, precisa ter esse curso", relembra Assaf.

"Nessa reunião em 2011, a gente foi até o HCor em São Paulo conversar com o Adib Jatene. O Pedro Tobias, o Assaf Hadba, que sempre lutou pelo curso, e o Renato Zaiden, que apoia todas as causas a favor de Bauru, estiveram juntos. Na época, quase o curso foi viabilizado. Em 2012, eu perdi a visão, o processo acabou parando, mas foi retomado pela Cidinha (diretora da FOB/USP) e outros diretores. Ela foi guerreira e lutou até o fim", destacou Tio Gastão, que durante décadas comandou o Centrinho.

Renato Zaiden lembra que Jatene fez a seguinte afirmação naquele dia: "Se existe uma cidade que tem méritos para receber uma faculdade de Medicina é Bauru. E, de preferência, um curso público, como o da USP".

Aceituno Jr.
Sandro Bussola

CÂMARA

A Câmara Municipal também fez diversos pedidos ao longo das décadas. O vereador Pastor Lelo foi um dos grandes entusiastas no Legislativo local. Nessa terça-feira (4), o atual presidente da Câmara, Sandro Bussola (PDT), lembrou que a Casa de Leis sempre participou do processo de discussão de um curso público e ressaltou a união de forças com a prefeitura, o governo estadual e o deputado Pedro Tobias. Gazzetta também postou um vídeo nas redes sociais agradecendo a dedicação de Tobias e do secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin.

SAÚDE COMO VOCAÇÃO DA REGIÃO

A implantação da Medicina vai muito além do curso em si. A cidade ganhará um novo hospital, que chegará a 220 leitos, e para que o Estado faça esse investimento, a prefeitura vai assumir a gestão de boa parte dos leitos do Hospital de Base, ajudando a custeá-lo, permitindo assim drástica redução da fila de espera por vagas hospitalares.

Outro ponto importante é a consolidação de um grande polo regional de saúde. "Bauru já é referência em odontologia com um dos melhores cursos do mundo; temos o Centrinho e, em um raio de 100 quilômetros, Marília tem curso público de Medicina e Botucatu também, além de Jaú que conta com o Hospital Amaral Carvalho, referência na oncologia", lembra o diretor do Grupo Cidade, Renato Zaiden.

"O JC sempre apoiou causas da cidade: a Medicina é uma delas. Apoiamos a conquista de outras ações como a duplicação de rodovias que passam por Bauru, o término do Aeroporto Moussa Tobias e a retomada da avenida Nações Norte, além de causas sociais, como o Viva Bauru", completou.