10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Home office chega aos servidores públicos

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução
Em fase de testes, medida visa aumentar a produtividade e diminuir os gastos do Estado
Divulgação
Diretor adjunto da Diretoria da Representação Fiscal, André Hurtado diz que medida tem vantagens ao servidor e ao Estado

Uma novidade no setor público neste ano. 30 servidores da Diretoria da Representação Fiscal, órgão vinculado à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, estão, desde abril, trabalhando em regime de home office, ou seja, em suas respectivas residências. Ainda em fase de testes, a medida visa aumentar a produtividade e diminuir os gastos do Estado. Em Bauru, dois trabalhadores aderiram à iniciativa.

Diretor adjunto da Diretoria da Representação Fiscal, André Hurtado explica que os servidores que se disponibilizaram a trabalhar em casa têm de produzir 15% a mais do que o faziam em uma das cinco unidades do órgão - sendo três na Capital, uma em Campinas e outra em Bauru.

Além disso, os trabalhadores do órgão são responsáveis pela análise e revisão dos autos de infração aplicados às empresas e pessoas físicas em dívida com o Fisco estadual, ou melhor, àqueles que deixam de pagar ICMS, IPVA ou ITCMD. Como o sistema já está informatizado, o trabalho pode ser feito em qualquer lugar, desde que haja acesso à Internet. Ainda por conta da informatização do sistema, o trabalho dos servidores é monitorado constantemente. 

CONSEQUÊNCIAS

Dos 90 servidores do órgão em todo o Estado, 30 já optaram pelo home office durante os dias úteis, exceto de segunda e sexta-feira, quando exige-se o trabalho presencial. "É algo extremamente positivo, porque motiva o servidor, aumentando sua produtividade e levando à economia de energia elétrica, água, mobiliário e aluguel por parte do Estado", defende o diretor.

Contudo, Hurtado não deixa de levar em consideração algumas ponderações dessa modalidade. Segundo ele, quem o faz deve ser extremamente organizado e flexível, já que ocorre uma mudança drástica da rotina.

Outra questão diz respeito à segurança dos dados, embora a Fazenda garanta que o seu sistema esteja protegido. 

EXPANSÃO

No último dia 27, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sancionou o decreto que estendeu o chamado home office para todo o serviço público estadual, desde que haja efetivo controle sobre o trabalho.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) também está para aderir ao projeto piloto, mas reforça que só após o período de testes que a medida poderá ou não ser definitiva.

ECONOMIA AO SERVIDOR

Representante fiscal em Bauru, Rodolfo de Oliveira Milhan aderiu ao projeto piloto do home office desde junho deste ano e confessa que sempre teve vontade de trabalhar em casa. “Nós já utilizamos processos eletrônicos e, portanto, temos todo o aparato para aderir ao chamado teletrabalho”, releva.

Rodolfo acrescenta que já economizou com transporte e refeição. Inclusive, a alimentação do servidor passou a ser mais saudável. “A medida faz com que uma mãe tenha maior participação na educação de seu filho”, exemplifica.

Modalidade ainda ‘não pegou’ no setor privado

Enquanto o serviço público começa a aplicar agora o home office, ele já existe há tempos no setor privado. Contudo, especialista afirma que a modalidade ainda "não pegou".

"Aqui, no Interior do Estado, o home office não é comum. É algo que você vê raramente e, quando vê, é mais com vendedores e representantes comerciais. Também ocorre quando a pessoa é parceira ou associada. Já em relação ao trabalhador da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) mesmo, não é uma modalidade que 'pegou' até agora", comenta a consultora em gestão de pessoas e comportamento humano Alexandra Fabri.

Ela pontua que as empresas ainda estão em um estágio muito inicial na questão de gestão do material humano. Por isso, o controle já é difícil no modo presencial de trabalho. "As empresas têm muitas dificuldades em deixar claro procedimentos, normas e a própria visão aos seus funcionários. Isso é algo que dificulta muito".

Para ela, contudo, o home office pode dar melhores resultados em situações nas quais o trabalhador lida com projetos e prazos para entregar. "Mas não é para qualquer pessoa. O home office exige muita disciplina. Tem gente que gosta de trabalhar com pressão e cobrança", conclui Alexandra Fabri.