| Samantha Ciuffa |
| Fã de rock’n’ roll, o artista acabou de descobrir outra paixão: a pintura - principalmente dos cantores e bandas que admira - em madeira MDF, azulejos, copos e canecas |
No atelier do artista João Gimenez, de 52 anos, a trilha musical dava o tom de seu estilo: entre tantos outros clássicos, "People are Strange", de The Doors, contagiava qualquer visitante. Fã de rock'n roll, ele acabou de descobrir outra paixão, a pintura - principalmente, dos cantores e bandas que admira - em madeira MDF, azulejos, copos e canecas.
A inspiração surgiu em meados de 2013, quando João passou uns dias na casa de um amigo que vivia em Juquitiba. Como ficava bastante sozinho, começou a desenhar em pedaços de madeira. De volta a São Paulo, onde morava desde os 8 anos, o artista pegou gosto pela pintura.
Inicialmente, distribuía quadros aos mais chegados. Porém, não demorou muito para que João expusesse sua coleção no Bar do Frango, conhecido por abrigar o sarau mais antigo da Capital paulista. Há três anos, veio a Bauru para acompanhar a mãe, que optou pela mudança com o intuito de ficar perto do filho mais velho - afinal, o primogênito é concursado do Fórum do município.
Antes de sobreviver da paixão recém-descoberta, o artista fazia da farinha de trigo o seu ganha-pão. Até pouco tempo atrás, João era proprietário da Friteli Fogaças, no Parque São Lucas, em São Paulo. "Aprendi o ofício com a minha mãe, que criou os cinco filhos vendendo salgados e doces", revela.
| Arquivo Pessoal |
| As meninas de João Gimenez: Letícia, Beatriz, Ana Paula, Andressa e Rafaela |
| Samantha Ciuffa |
| Desde 2013, João Gimenez já pintou 3 mil quadros, sendo que mais de 700 estão expostos na noite bauruense |
Desde 2013, o artista já pintou 3 mil quadros, sendo que mais de 700 estão expostos na noite bauruense - Sampa, Sampa Retrô, Boteko do Teté, Botequim das Oliveiras, Barão Bar, Bar da Rosa e Jack Music Pub.
Confira os principais trechos da entrevista com este artista que concilia a tinta, o pincel e o rock'n roll.
Jornal da Cidade - Como foi a sua infância?
João Gimenez - Eu nasci em Presidente Epitácio e sou o filho do meio, entre cinco irmãos. Aos 8 anos, minha família se mudou para São Paulo, devido à transferência do meu pai, que era contabilista. Ainda no Interior, brincava na beira do Rio Paraná. Já na Capital, comecei a trabalhar cedo, porque meu pai faleceu quando eu tinha 14 anos. Eu ajudava minha mãe a entregar salgados e doces.
JC - Antes de se descobrir artista, o que fazia para viver?
João - Olha, eu comecei vendendo os salgados e doces que minha mãe fazia. Já fui pizzaiolo e garçom, até que abri o meu próprio negócio, a Friteli Fogaças, no Parque São Lucas, em São Paulo. Porém, em meados de 2013, comecei a desenhar em pedaços de madeira, enquanto passava uns dias na casa de um amigo que vivia em Juquitiba. Desde então, não me vejo fazendo outra coisa.
JC - E de volta a São Paulo...
João - Quando eu retornei a São Paulo, presenteei alguns amigos com meus quadros. Além disso, eu frequentava o Bar do Frango, que abriga o sarau mais antigo da Capital, e fiz algumas pinturas para o local. O pessoal adorou. Logo depois, já me mudei para Bauru, onde aprimorei o meu trabalho.
| Arquivo Pessoal |
JC - Qual foi o primeiro trabalho que desenvolveu em Bauru?
João - Logo que cheguei a Bauru, o primeiro bar que conheci e levei meu trabalho foi o extinto Botequim das Oliveiras, pertencente ao Castor Menezes, que é músico. Ele foi o primeiro a gostar do meu trabalho e colocá-lo nas paredes do bar. Depois, eu fui ao também extinto Boteko do Teté, cujo proprietário - o Paulão - viu os meus quadros no Botequim das Oliveiras e me deu o bar inteiro para decorar. Do Teté, fui até o Sampa e apresentei as pinturas ao João Cabreira. O primeiro trabalho que eu fiz para ele foi a logomarca do Sampa, em madeira, dentro de uma caixa de vidro. Até hoje, a obra está exposta na porta da boate. Agora, o Barão Bar está com o acervo que era do Teté.
JC - Falando em bares, considera-se um boêmio?
João - Sim e eu sou bastante feliz, porque consegui agregar aquilo que eu gosto, que é a música de boa qualidade, e viver a noite, conhecer as pessoas. O meu trabalho é bom por isso, porque me leva a conhecer muita gente.
JC - Alguém já lhe fez uma encomenda inusitada?
João - Já mandei trabalhos para Miami, nos EUA, e Londres, na Inglaterra. E não faço a mínima ideia de como essas pessoas me descobriram. Outra coisa interessante: enquanto eu era frequentador do Bar do Frango, na Capital paulista, cheguei a fazer uma exposição no local. Nunca pensei que teria a chance de voltar ao bar não mais como cliente, mas como artista.
JC - Quais os artistas que costuma pintar?
João - No Bar do Frango, estão expostos Fernando Pessoa, Cora Coralina, Zé Ramalho e Raul Seixas. Para outros locais, já pintei Janis Joplin, Elvis Presley, Rolling Stones, entre outros.
JC - Tem planos para o futuro?
João - Estou pensando em reabrir a Friteli Fogaças em Bauru, porque eu amo trabalhar com farinha. No Brasil, viver bem de quadros é algo complicado, mas é possível. Tanto que eu tenho conseguido me manter e não me falta nada, graças a Deus. Porém, o trabalho artesanal não é valorizado. Eu tenho visto sites que vendem milhares de quadros impressos por três ou quatro vezes acima do preço que eu cobro. Ao mesmo tempo, não deixaria a pintura - poderia praticá-la durante o tempo livre, porque é algo que me acalma e me transformou em uma pessoa melhor - mais ponderada e calma. Se eu sou um pai melhor e um filho melhor, é por conta da pintura.
PERFIL
Nome: João Gimenez
Idade: 52 anos
Cidade de nascimento: Presidente Epitácio
Signo: Gêmeos
Time: São Paulo
Música: Rock'n' roll e MPB
Filmes preferidos: "Forest Gump" e "O último dos moicanos"
Família: Sou divorciado, mas tenho quatro filhas - Andressa, Ana Paula, Letícia e Beatriz - e cinco netos - João Vitor, Sophia, Pietro, Caio e Lucca
Hobby: Não faço outra coisa, a não ser pintar
Nota 10: Solidariedade do povo bauruense
Nota 0: Política nacional
E-mail: gimenez-11@hotmail.com
Fanpage: joão.gimenez5/facebook.com
Atelier: Rua Luiz Vendramine, 2-40, Jardim José Kalil (região do Bela Vista)
Telefones: (14) 3222-6415 e (14) 9 9731-2663