| 4Toques Comunicação/Divulgação |
| Hospital de Rubião Júnior comemora 50 anos na última sexta-feira (7) |
"Nossas portas são abertas e não recusamos atendimento a ninguém. Não podemos ser punidos por isso", diz o atual superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), André Balbi, ao admitir que a instituição, que completou 50 anos de existência na sexta-feira (7), enfrenta problemas de superlotação no Pronto-Socorro.
Fato causado pela "falta crônica de leitos para internações e a dificuldade dos hospitais de nosso entorno em resolver os casos menos complexos, o que possibilitaria que o HC cuidasse apenas daqueles mais graves", diz Balbi na justificativa.
Com rara franqueza em dia de festa ("sabemos que mais crises ainda virão"), ele ainda está otimista. "Fazendo um balanço da nossa jovem história - e como todo jovem que cresce rapidamente tem problemas -, posso dizer que, sem sombra de dúvida, caminhamos para um hospital melhor, que vai continuar contribuindo para um país melhor".
O COMEÇO
| Teóphilo Antunes/Divulgação |
| Malavolta Jr. |
| Foto acima, vista aérea da instituição. Em preto e branco, o primeiro prédio, já na década de 70. Ao lado, fachada da Faculdade que deu origem ao hospital |
A visão dele é compartilhada por 100% dos ex-diretores da entidade que estiveram na inauguração da galeria de fotos da Superintendência, na última semana. E não é para menos. Ninguém poderia imaginar que o antigo prédio que em 1963 abrigou pacientes com tuberculose se transformaria na sede da antiga Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (FCMBB) e agora uma potência na área médica. Conduzido por professores pioneiros, iniciou atendimento médico em 1967.
No dia 7 de julho deste mesmo ano, o primeiro paciente foi internado, data que se consolidou como aniversário do hospital. Ficou sendo no popular o "Hospital de Rubião Júnior", seu local de origem, um distrito de Botucatu que abriga o câmpus da Universidade Júlio de Mesquita Filho, a Unesp, e nele a FMB - Faculdade de Medicina de Botucatu.
Em 2010, transformou-se em uma autarquia do Estado, ou seja, deixou de ser financiado pela Unesp e pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), sendo mantido pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o que possibilitou maior capacidade de crescimento, mantendo seu elo histórico com a FMB através do ensino e da pesquisa.
E, graças a essa parceria, pesquisa e aplicação em público, hoje o Hospital das Clínicas é referência em transplantes e tem o que há de mais avançado em termos de tecnologia.
Transplante de órgãos vira referência
Orgulho para Botucatu e região, HC leva prêmio de maior centro transplantador do interior de São Paulo, após modernizar seu parque tecnológico
| Fotos: Divulgação |
| Da infância à terceira idade, do simples ao complexo, em cada atendimento busca-se a excelência |
Imagine um Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) com tomógrafos de última geração, com destaque para o tomógrafo de 64 canais e a ressonância magnética de três telas, além dos equipamentos de medicina nuclear, radiologia e ultrassom. Imaginou? Pois é o que já existe em Rubião Júnior. Modernizado, o Parque Tecnológico é considerado um grande ganho. As UTIs, por exemplo, receberam equipamentos de última geração, importantes para o tratamento e monitoração dos pacientes, e o Centro Cirúrgico teve um salto na área de videocirurgia, recebendo equipamentos de ponta com imagens em HD. Isso é só uma mostra do salto em pesquisa e cirurgias que acabou elevando o hospital a referência até internacional em transplantes, como os renais.
CONSOLIDADO
Ao longo dos 30 anos em que existe, o programa de transplantes consolidou o Hospital das Clínicas como referência em casos de alta complexidade. Além de promover a capacitação dos profissionais, trouxe ao HC mais recursos, tecnologia de ponta e possibilitou o trabalho em conjunto das equipes envolvidas nos transplantes de rim, fígado, medula óssea autólogo e córneas.
Ao todo, cerca de 200 transplantes são realizados por ano no HCFMB.
Com abrangência ampla, o centro de transplantes atende a mais de 130 municípios, além de pacientes de outros estados, como Mato Grosso do Sul e Goiás. Nesses 30 anos, o Programa de Transplante Renal se estruturou, tornando-se um serviço de referência não só no Estado de São Paulo, mas em todo Brasil. Atualmente, cerca de 130 transplantes de rins são realizados por ano no HCFMB.
Em 2015, 134 pacientes foram transplantados, o que colocou o HCFMB em terceiro lugar em números de transplantes no Estado de São Paulo, e como maior centro transplantador do interior de São Paulo.
FÍGADO
Reiniciado em 2010, o Programa de Transplante Hepático (de fígado) consolidou-se somente a partir de 2015, com a parceria estabelecida entre o HC o Serviço de Transplante Hepático do HC da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, são realizados cerca de 10 transplantes ao ano, com bons resultados a curto, médio e longo prazo.
MEDULA ÓSSEA
Recentemente implantado, o Transplante Autólogo de Medula Óssea vem crescendo rapidamente, com serviço altamente especializado região, tornando possível que o paciente permaneça no HCFMB sendo atendido desde o diagnóstico, tratamento quimioterápico e finalizando com o transplante de medula óssea.
A ESTRUTURA PARALELA
*Hemocentro
Para atender á demanda de todo hospital, o Hemocentro do HCFMB trabalha na captação de doadores, coleta e processamento do sangue, sendo referência junto ao Ministério da Saúde na área de hemoterapia, hematologia e na assistência aos pacientes portadores de HIV e Hepatite.
Responde pela manutenção dos estoques de bolsas de sangue não só para o HCFMB, mas também para sua região de abrangência.
*Diálise
Em funcionamento desde 1982, a Unidade de Diálise do HCFMB apresenta crescimento contínuo e sucessivas ampliações. Atualmente, oferece todos os procedimentos dialíticos existentes para pacientes com insuficiência renal aguda e crônica, sendo referência internacional em diálise peritoneal para pacientes agudos. Cerca de 40 mil sessões de hemodiálise são realizadas por ano e possui equipe multiprofissional, que atende centenas de pacientes ambulatoriais, com destaque para os ambulatórios específicos de doença renal crônica e pré-diálise.
*Unidade de AVC
A unidade de atendimento ao paciente com Acidente Vascular Cerebral (AVC) do HCFMB existe desde 2014, sendo a segunda unidade do interior do Estado de São Paulo a ser reconhecida como centro de excelência pelo Ministério da Saúde. Nessa unidade, todos os processos relacionados ao AVC, desde o diagnóstico ao tratamento específico precoce, são rapidamente instituídos, mudando em muitos casos a evolução do quadro clínico dos pacientes. Para isso, conta com o suporte de uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas, em atendimento ininterrupto.
MOMENTOS MARCANTES
Em alta tecnologia
| Bruno Giraldi/Divulgação |
| Tomógrafo de 64 canais e equipamentos em HD |
| Vivian Abilio/Assecom |
| Encontro histórico: o primeiro paciente com o primeiro médico |
O Parque Tecnológico evoluiu muito ao longo desses 50 anos, particularmente após o início da autarquização, o que possibilitou a melhora do atendimento especializado aos pacientes de toda região.
Atualmente, o parque está totalmente modernizado, um grande ganho para a área tecnológica do Hospital. As UTIs receberam equipamentos de última geração, importantes para o tratamento e monitoração dos pacientes, e o Centro Cirúrgico teve um grande ganho na área de videocirurgia, recebendo equipamentos de ponta com imagens em HD.
O Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) conta com tomógrafos de última geração, com destaque para o tomógrafo de 64 canais e a ressonância magnética de três teslas, além dos equipamentos de medicina nuclear, radiologia e ultrassom.
Com certeza um ambiente bem diferente do que foi encontrado pelo jovem médico Augusto Cezar Montelli (hoje professor emérito do Departamento de Clínica Médica), que fez o primeiro atendimento em um jovem, chamado João Pesaneto. Os dois se reencontraram na sexta-feira (7).
Projetos e um olhar fixo para o futuro
Pensando no resgate histórico esta semana foi lançada a Cápsula do Tempo: para o futuro próximo há planos de transplantes de coração e pâncreas
| Fotos: Malavolta Jr |
| Diretores André Balbi e José Carlos Trindade Filho à frente da “Cápsula do Tempo” : um exemplar do Jornal da Cidade está nela |
| Galeria de ex-superintendentes foi inaugurada com a presença de (da esquerda para a direita) Eder Trezza, Pasqual Barretti, Shoiti Kobayasi, Antonio Rugolo Jr, Emílio Carlos Curcelli, Milton Flávio Lautenschlager, José Carlos de Souza Trindade, Sidnei Lastoria, Marcos Augusto de Moraes Silva, Marilza Vieira Cunha Rudge, todos ex-diretores, e o atual André Balbi |
Em geral os projetos do hospital são bem imediatistas, tudo nele corre com uma celeridade que atende às necessidades da saúde. E elas são sempre urgentes. Afinal, as vidas não podem esperar. O que não impede que haja planos e perspectivas boas. Nos próximos anos, pretende-se complementar os programas de transplantes que já estão em vigor, com transplantes cardíacos e a viabilização do programa de transplante pancreático. E para breve será inaugurado o aparelho de Pet-Scan (de última gera- ção), que será muito utilizado no acompanhamento de pacientes oncológicos.
Além desses projetos para o futuro, um outro começou a ser executado esta semana, mas de caráter informativo. Trata-se do “lançamento” da “Cápsula do Tempo”, um aparelho contendo mensagens, cartas de todos os ex-superintendentes e diretores do hospital, vídeo institucional da entidade, também recém-lançado, fotos mostrando a comemoração da data e outros fatos significativos da entidade. Nele está incluso também um exemplar do Jornal da Cidade, do último dia 5. E quando se fala em cápsula, não se pense que ela foi enterrada como um tesouro. Nada disso.
A cápsula vai ficar hermeticamente fechada e dentro terá a sílica (para não haver deterioração). O local escolhido para a instalação é o prédio da Superintendência onde há segurança 24 horas e monitoramento por vídeo.
Espera-se que a cápsula seja aberta em 7 de julho de 2067. Para estar presente ao dia da abertura, já está convocado Alan Francisco Fonseca, técnico-administrativo, funcionário há 8 anos da instituição. “Comecei aos 16 anos e espero estar aqui quando isso ocorrer. Vai ser uma honra, estarei com pouco mais de 70 anos e será interessante especialmente para as novas gerações testemunharem o que estamos vivendo agora”.
Três mil funcionários ajudam a sustentar a economia de Botucatu
Um momento importante da história do HC aconteceu em 2010: transformou-se em uma autarquia do Estado, ou seja, deixou de ser financiado pela Unesp e pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), tornando-se um Hospital mantido pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o que possibilitou maior capacidade de crescimento, mantendo seu elo histórico com a FMB através do ensino e da pesquisa.
Atualmente, o HCFMB conta com um corpo clínico de mais de 800 médicos, metade deles residentes de todas as especialidades, além de professores e médicos experientes. O Hospital emprega cerca de três mil funcionários, e circulam em seu complexo diariamente cerca de 14 mil pessoas.
CDL
Todos esses números movimentam significativamente a economia do município de Botucatu. Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade, 90% dos colaboradores, médicos, residentes e alunos do HC, além de pacientes de outras regiões, consomem no comércio de Botucatu,
Carlos Bertani, cidadão botucatuense e empresário do ramo imobiliário da cidade, afirma que cerca de 60% de suas locações são feitas para estudantes, médicos e colaboradores do HC. "Tanto nas vendas como nas locações de imóveis, somos muito procurados pelo corpo docente, colaboradores e pais de alunos. Somos gratos a Deus pelos 50 anos de vida e história deste conceituado Hospital das Clínicas, e digo mais, somos abençoados por ele estar em nossa cidade", conta.
Prefeito de Botucatu, Mario Pardini afirma que não dá dúvidas que o desenvolvimento de Botucatu está completamente ligado ao crescimento do HC, ao longo dos anos. "Temos na cidade uma unidade hospitalar que é referência não só no Estado de São Paulo, mas em todo país e até fora dele. É muito importante lembrar que Botucatu se beneficia de todo esse potencial, já que a gestão da saúde em nosso município é compartilhada com o HC", elogia o prefeito.