10 de julho de 2026
Geral

Reunião mobiliza força-tarefa por mais segurança no Centro da cidade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
Algumas propostas iniciais foram apresentadas na reunião desta terça e outras devem ser sugeridas já na próxima semana

A necessidade de ampliar a segurança em Bauru mobilizou um grande número de autoridades e representantes dos mais diversos setores da sociedade para discutir estratégias que possam levar a soluções multidisciplinares para o problema. Em reunião realizada ontem no salão da paróquia Nossa Senhora Aparecida, integrantes das polícias Militar e Civil, Ministério Público, secretarias municipais, Câmara Municipal, conselhos de segurança e de direitos humanos, entidades assistenciais, comerciantes e moradores da região central se comprometeram a apresentar propostas, já na próxima semana, que possam nortear ações no curto, médio e longo prazos.

Entre as medidas previamente sugeridas, estão a implantação do videomonitoramento em pontos críticos da cidade – discussão que já se arrasta por anos, a melhora na iluminação pública e a intensificação da fiscalização em terrenos e imóveis abandonados da cidade, bem como em ferros velhos, possivelmente destinos do cobre furtado de fios e cabos de energia. Para garantir maior dignidade a moradores de rua e usuários de drogas, muitas vezes envolvidos em situações de violência, também foram elencadas a necessidade de instituição do projeto Consultório na Rua pela Secretaria Municipal de Saúde e de um prédio mais bem estruturado para o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop).

No próximo dia 20, as autoridades voltam a se reunir para dar prosseguimento aos debates e, assim, elaborar um diagnóstico que possa servir de base para o desenvolvimento de políticas públicas nas áreas de segurança, urbanismo, saúde e assistência social. Comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, destacou que, em momentos de crise econômica, com o consequente aumento do desemprego, o volume de delitos, principalmente de pequenos furtos e roubos, tende a aumentar. “É uma questão que preocupa e é complexa, demanda uma ação integrada”, diz, ressaltando que as regiões mais vulneráveis, hoje, são a da Vila Falcão, Jardim Bela Vista e Centro.

ROUBOS E FURTOS

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), nos primeiros cinco meses deste ano, foram registrados 607 roubos e 2.401 furtos em Bauru. Coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG), o delegado Richard Serrano lembrou que boa parte das vítimas deixa de registrar as ocorrências e reforçou que as estatísticas, quanto mais precisas forem, contribuem para a elaboração de planos de ação.

Também pediu para que os comerciantes invistam no monitoramento por câmeras, que tem sido ferramenta estratégica para a Polícia Civil elucidar crimes, e salientou a importância da reunião realizada ontem para buscar saídas multidisciplinares. “Se não dermos continuidade a este debate, corremos o risco de deixar a situação (da segurança pública) cair no descontrole em Bauru”, vaticina.

Morador das imediações da praça Washington Luiz, onde está localizada a paróquia Nossa Senhora Aparecida, Paulo Sirinês Afonso foi porta-voz do descontentamento de quem vive e trabalha na região. Conforme o JC divulgou, no mês passado, um comerciante fechou o bar que mantinha há três décadas em frente à praça devido às incontáveis vezes em que foi vítima de furto.

“Eu saio em frente de casa e fico intimidado com a quantidade de moradores de rua que ficam na praça. À noite, quando preciso dormir para trabalhar no dia seguinte, sou incomodado pela conversa alta deles, a 1h da madrugada. Queremos soluções urgentes”, reclama.

União de esforços

Participaram da reunião, nessa terça-feira (12), representantes das polícias Civil e Militar, das secretarias municipais de Saúde, Bem-Estar Social, Obras e Meio Ambiente, Emdurb, Câmara Municipal, Ministério Público, Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, Comissão de Segurança Pública da OAB-Bauru, Defensoria Pública, Conselho Municipal de Direitos Humanos e entidades assistenciais que atendem moradores de rua e dependentes químicos, como o Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), Comunidade Bom Pastor e Esquadrão da Vida, além de moradores e comerciantes da região central de Bauru.

Encontro defende garantia de dignidade a moradores de rua e usuários

Todas as autoridades presentes reconheceram que, apesar de nem todos os moradores de rua e dependentes químicos estarem envolvidos com a criminalidade, o tema da segurança pública também precisa passar pelo aprimoramento do cuidado oferecido a este público.

Para o promotor de justiça Enilson Komono, o município deve começar a estudar medidas para garantir um atendimento encadeado e integrado entre secretarias de Saúde e do Bem-Estar Social.

"É uma situação que demanda um conjunto de esforços sistematizado, com profissionais capacitados, para garantir dignidade a estas pessoas ao longo de todo o processo de reinserção social, até que elas alcancem autonomia. Atuações isoladas não resolvem o problema", critica, sugerindo a busca de casos concretos de sucesso no Brasil e em outros países que possam inspirar ações em Bauru.

Presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos, Clodoaldo Meneguello conta que, atualmente, a cidade conta com aproximadamente 390 moradores de rua catalogados. Ele lembrou que não existem estatísticas municipais sobre os crimes cometidos por eles e que, assim como o restante da população, também precisam ter a segurança garantida.

"E, diferentemente da maioria da população, segurança, para eles, não é somente ter a integridade física e o patrimônio preservados, mas ter acesso básico aos serviços de saúde e assistência social", pondera.

Com representantes de organismos com análises tão diversas sobre o mesmo tema, a psicóloga Roseli D'ávila Vasconcelos, diretora de divisão da Secretaria Municipal de Saúde, ressaltou a necessidade de todos se despirem de preconceitos relacionados aos usuários de drogas, que podem estar presentes em famílias de todas as classes sociais.

"Para tanto, é necessário esforço e disposição, olhar para dentro, sem julgamentos, e perceber o que cada um pode fazer para transformar esta realidade. Caso contrário, não vamos chegar a um consenso que tenha algum significado para a sociedade", diz.