09 de julho de 2026
Geral

Demanda do Pronto-Socorro Central de Bauru começa a ser descentralizada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Dos 28 pacientes que aguardavam internação, poucos estavam no PS Central; a maior parte era das UPAs do Geisel e Bela Vista

Uma das próximas metas da Secretaria Municipal de Saúde é descentralizar o Pronto-Socorro (PS) Central, transferindo toda a demanda que não for de urgência e emergência para as quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Bauru. Mas, ainda que parcialmente, uma melhor distribuição dos casos já vem ocorrendo de maneira natural.

O reflexo disso pode ser verificado nas estatísticas que constam no site da prefeitura: dos 28 pacientes que aguardavam vaga de internação hospitalar na cidade, ontem, 39% estavam na UPA do Geisel, 28,5% na UPA da Bela Vista e somente 18,5% no PS. E nenhum no Pronto Atendimento Infantil (PAI).

Em fevereiro deste ano, conforme reportagem publicada pelo JC, de 45 doentes na fila de espera, 69% estavam no PS ou no PAI e o restante distribuído nas quatro UPAs da cidade, que foram inauguradas entre 2011 e 2013, durante a gestão anterior.

Para o prefeito Clodoaldo Gazzetta, esta descentralização ocorreu de forma natural e não guarda relação com o termo de compromisso assinado entre a Secretaria de Saúde e a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), para encaminhar diretamente aos hospitais de Base e Estadual os casos socorridos pelo Samu referentes a trauma, AVC e, futuramente, infarto.

"Esta distribuição não está sendo dirigida pela prefeitura. O PS continua aberto, recebendo suas demandas, e as UPAs recebem as pessoas que vivem ou trabalham no entorno. Quando não se trata de um caso de urgência e o paciente precisa de internação, ele aguarda no local onde buscou atendimento", ressalta.

O Jornal da Cidade procurou o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, para entender os motivos da mudança ocorrida em tão poucos meses, mas a assessoria de imprensa da pasta não conseguiu colocá-lo em contato com a reportagem.

INTERNAÇÃO

Coordenadora do Conselho Gestor do PS e membro do Conselho Municipal de Saúde, Rose Lopes aponta que, de maneira geral, o atendimento e a realização de exames estão mais ágeis nas unidades da rede de urgência e emergência, incluindo também o Pronto Atendimento Infantil (PAI), a partir da abertura da ala pediátrica na UPA do Geisel no início deste mês. "Com esta descentralização, o serviço se torna mais humanizado", frisa.

FILA CONTINUA

Mas, apesar da melhor distribuição dos casos, o volume de pacientes na fila de espera por internação ainda é significativo. Segundo informações do site da prefeitura, até ontem, eles somavam 28 pessoas, sendo que dois homens, de 50 e 78 anos, aguardavam em UPAs pelo tratamento hospitalar há seis dias.

Gazzetta garante que o problema será minimizado a partir de janeiro, quando o município irá assumir a administração de boa parte do Hospital de Base, incluindo a distribuição de vagas de internação que, hoje, cabe à Central de Regulação e Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), vinculada ao governo do Estado.

MÃE RECLAMA DE PEDIATRA NA UPA

Samantha Ciuffa
Geise diz que o filho recebeu atendimento onde também estavam pacientes adultos

A dona de casa Geise Daiane Oliveira, 36 anos, levou o filho de 5 meses, nessa quinta-feira (13), pela primeira vez à UPA do Geisel, que passou a contar com pediatras no início deste mês. O menino estava com sintomas de bronquite e, apesar de os dois permanecerem na sala de espera por apenas meia hora, a mãe saiu do local insatisfeita.

"Os pacientes adultos ficam misturados com as crianças, recendo atendimento no mesmo corredor, o que é um risco para a transmissão de doenças. A estrutura não está adequada e os funcionários estão perdidos, não receberam treinamento correto e não sabem nem que tipo de ampola usar no bebê", reclama, dizendo que não levará mais o filho à unidade.

Ela disse, ainda, ter visto um médico atender um adulto e, em seguida, receber o prontuário de uma criança, que seria sua paciente na próxima consulta. "Não dá nem para saber quem está atendendo quem lá dentro", critica.

Questionado, o prefeito Clodoaldo Gazzetta alega que a queixa de Geise "não é verdade", salientando que, em todos os turnos, dois pediatras atendem somente crianças na UPA. "E a unidade conta com alas separadas para adultos e crianças", frisa.

O chefe do Executivo argumenta, ainda, que tem recebido "inúmeras mensagens de agradecimento" de usuários satisfeitos com o serviço que passou a ser oferecido às crianças no Geisel. No PAI, segundo pacientes ouvidos pela reportagem, o atendimento ocorreu de forma rápida, nessa quinta (13).

FALTA DE MATERIAIS

Há alguns dias, o JC recebeu informação de que a UPA da Bela Vista estaria sofrendo com a falta de medicamentos e insumos básicos, como penicilina, água destilada, algodão, coletor de material perfurocortante, avental descartável, kit simples para aplicação de soro e seringas.

Rose Lopes, do Conselho Municipal de Saúde, informa que não tomou conhecimento de qualquer denúncia neste sentido e ressaltou que o prefeito chegou a liberar, inclusive, a aquisição de medicamentos específicos para o tratamento de pacientes que deveriam estar hospitalizados, mas aguardavam nas UPAS e no PS por vagas de internação.

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde reconhece que houve atraso de fornecedores na entrega de alguns insumos, mas garante que a UPA da Bela Vista não ficou desabastecida porque outras unidades forneceram os itens ausentes, que eram mantidos em estoque. Ainda de acordo com a pasta, até a próxima semana, o fornecimento à UPA será normalizado.