Aviso: não se trata de assunto político! Trata-se de um sábado na Praça do Bosque. Aos sábados ele saia para caminhar e um dos pontos prediletos era frequentar a Praça. Bustos de autoridades e violeiros perpetuados em bronze permanecem impolutos e indiferentes. Local onde circulam pessoas apressadas e outras nem tanto. Quando havia Bandas de Músicas a Praça era mais alegre e hoje a alegria é uma exposição de cães e gatos para doação e quadros de diletantes artistas/pintores.
O café Pirâmides era seu ponto predileto, ali encontrava amigos antigos e modernos. Nos bancos, aposentados e pensionistas com chapéus e outros de bonés comentavam as últimas trapalhadas do governo local, estadual e federal. Em determinado momento a Praça parou com o burburinho. A presença de uma moça muito bonita em frente aos policiais de plantão , falava, gesticulava e apontava para a galharia de uma paineira muito alta. Em questão de minutos foi se formando uma roda de curiosos querendo saber do que se tratava, afinal, uma moça falando com policiais com gestos largos não era comum. O que se ouvia e o que ela dizia era da existência de um enorme galho pendurado em uma altura de aproximadamente oito metros, e que, por certo na primeira ventania seria derrubado, caindo sobre pedestres desprevenidos. Sua preocupação fazia sentido... Quando adolescente participava de grupos de Escotismo e nas lições aprendidas de cidadania uma delas era "fazer diariamente uma boa ação". Era sua oportunidade!
À sua volta e dos policiais já se aglomeravam centenas de pessoas todas assustadas com o que estava acontecendo. Quando ela erguia os braços para indicar o galho pendente aos policiais muitos dos curiosos também erguiam os braços mostrando também o enorme galho seguro apenas por fiapos de galhos menores. O murmúrio era geral. Um taxista deixou de fazer uma corrida só para ver o desenrolar do grande problema criado pela moça cuja solução, com certeza seria apresentada pelos policiais. Outro taxista foi até uma Ótica adquirir um binóculo para melhor ver e comentar.
Quando ela relatou aos milicianos das providências que já havia tomado, telefonemas aos Bombeiros e Defesa Civil e sem nenhum resultado prático, exceto a colocação de uma fita delimitando a área para pedestres, um deles fez a pergunta: - Qual é a solução que a Senhora sugere para que seja feito ? - A resposta foi imediata: - Se o senhor pedir aos presentes se afastarem, apontar o revólver e der um tiro certeiro a tora vai cair e ninguém vai se ferir. A preocupação do policial se lastreava na hipótese de errar o alvo e acertar um passarinho e ser processado pelo Ibama/Polícia Florestal ela ponderou que ocorrendo esta hipótese ele teria que se defender. Quando o policial levou a mão ao coldre para retirar a arma e apontar, foi um corre-corre geral.... alguns desinformados diziam que no alto da árvore se encontravam assaltantes de banco e que agora seriam presos.
Não era nada disso...! Era apenas alguém querendo cumprir seu dever cívico da prevenção alertando autoridades que se dizem responsáveis mas que não possuem meios de retirar, do alto de uma paineira peça de madeira pesada e altamente contundente. Na segunda-feira a Praça voltou ao seu ritmo de cidade agitada em sua dinâmica. Barulho dos carros, ronco das motocicletas e os vendedores ambulantes.
A moça bem intencionada retornou à Praça alguns dias depois. Olhou para a paineira e lá no alto banhada pela luz matinal do sol , a tora balançava ao vento. Em seu entorno mais uma fita de isolamento fora colocada. Não querendo ser pessimista pensou baixinho... a coisa está cai-não-cai... - Vamos ver com a chegada de um vento mais forte e se isso acontecer, com certeza vai cair antes da queda de alguém do governo.