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| Grupo BikeBora, de Boraceia, durante passeio pela zona rural do município vai promover evento |
A região tem uma variedade de grupos de mountain bike que organizam passeios por trilhas que passam por áreas verdes, cachoeiras e estradas rurais. É uma modalidade que reúne lazer, turismo, esporte e também solidariedade. Muitos desses eventos ajudam a arrecadar recursos a entidades filantrópicas.
O representante do Clube dos Ciclistas Aventureiros de Pederneiras (CCA) Marcel Cavalari conta que a atividade vem crescendo nos últimos anos por uma tendência de buscar uma vida mais saudável. "É um esporte que ajuda até a combater a depressão e o estresse. E mais importante: atrai a família inteira", revela.
Na última semana, em Bariri, o passeio organizado pelo Bike Bariri atraiu ciclistas de toda a região e levou mais de 1.200 pessoas por trilhas de 25 e 50 quilômetros de extensão. O mais interessante é que os grupos são formados nas cidades com participação de mais de 100 pessoas que organizam uma agenda para passeios que têm atividades até o ano que vem. Uma das ferramentas para os contatos é o WhatsApp. Já o registro das fotos vai para o Facebook.
Os eventos são bem organizados com pontos de apoios para fornecimento de água e frutas além de trajetos demarcados por GPS.
O integrante do Bike Bariri, o professor Adriano Mazotti explica que o mountain bike é um esporte que não tem adversário. "Todos são iguais. Não é competitivo", conta. Ele pratica desde 1998 e confirma que a atividade vem crescendo no país e região.
De acordo com o integrante do Zé Comeia Bikes de Jaú Cristian Carvalho, além de ser uma excelente atividade de lazer é um tipo de atividade que faz muitas amizades. Na última semana, o JC teve acesso a uma lista de 25 eventos, mas deve ter muito mais programado para os finais de semana.
Marcos Levoratto, do Perdidos na Trilha MTB de Barra Bonita, conta que em dois passeios organizados arrecadou mais de 2 mil litros de leite e já levantou cerca de R$ 6 mil para ajudar entidades filantrópicas nos eventos. "É um esporte, porém voltado para recreação", revela.
Mas os grupos não passeiam pelas trilhas somente nos eventos maiores marcados para os domingos. Durante a semana, há roteiros noturnos e no final do ano viagens para percorrer até 300 quilômetros em trajetos de vários dias. O CCA de Pederneiras planeja em dezembro fazer o "Caminho da Fé", percorrer por estrada de terra de Águas da Prata até o Santuário de Aparecida.
Eventos são os mais variados
O pedal é um atividade que vem crescendo muito na região. O próximo evento é em Boraceia (41 quilômetros de Bauru). Já existe um calendário de passeios para várias cidades com programação até 10 de dezembro.
O levantamento do JC foi com base nos dados fornecidos pelo grupo Bike Bariri, mas há muito mais eventos de outros grupos e cidades.
No caso do próximo evento, no dia 30 de julho, em Boraceia, o organizador Douglas Bueno de Campos, do Bike Bora, promove pela primeira vez o "Pedal entre Amigos". Não tem cobrança de inscrição. A trilha é de aproximadamente 32 quilômetros, com altimetria aproximada em 420. "Será nosso primeiro evento na cidade, até sexta-feira contamos com 320 inscritos de mais de 20 cidades. Evento que não terá taxa de inscrição, somente como opcional 1 litro de leite para doar à assistência social da cidade.", conta Douglas Tocha, como é conhecido em Boraceia.
A concentração começa por volta das 6h30 com um café da manhã, frutas e água totalmente grátis aos ciclistas no Centro de Eventos, o Barretinho, onde são realizadas as festas do peão do município. Por volta das 8h os grupos começam a sair para o percurso que vai passar pelos bairros rurais Taquaral, Piririca, Monte Alegre, Mombuca, São Miguel, São Miguel e São Caetano com retorno previsto para as 10h. "Teremos pontos turísticos como o Canal da Eclusa, Porto Intermodal, fazendas abandonadas e o Rio Tietê como parte do trajeto", conta Douglas Tocha.
Ao todo serão dois pontos fixos de apoio para fornecimento de água e frutas e também apoio móvel com carros e motos auxiliando os participantes.
O passeio termina com almoço no Centro de Eventos que vai custar R$ 30 por pessoa (crianças de até 5 anos não paga e até 11 anos é cobrada a metade). É necessário se inscrever e pagar via depósito bancário. No local terá praça de alimentação com venda de espetinhos e bebidas. Os interessados em participar podem ligar para o (14) 99123-6696 ou pelo link (https://goo.gl/aT8KRb).
No calendário de passeios para o mês de agosto estão programados eventos em Boa Esperança do Sul (dia 6), São Manuel (13), Novo Horizonte (20), Agudos (20), Avaré (27) e Araraquara (27) (veja a tabela abaixo com a programação de eventos deste ano).
Paisagem cativa os passeios de pedal
| Adirano Mazotti/Divulgação |
| Grupo de ciclistas de Bariri na Pedra do Índio em Botucatu, município que tem várias trilhas para passeios e é muito visitado pelos bikers |
Não há como não se encantar com a bela paisagem da Pedra do Índio e nem das estradas que serpenteiam a Cuesta de Botucatu. Há outros recantos naturais às margens do Rio Tietê e uma diversificada rede de estradas secundárias que levam a cachoeiras e lugares bucólicos. É bem isso o que os bikers programam nos finais de semana.
Além dos grupos que organizam os eventos, há também os trajetos inusitados que os ciclistas utilizam para conhecer florestas, montanhas e outros tipos de acidente geográfico.
O cicloturismo se difere dos percursos em estradas pavimentadas, bem mais perigosos. Há o esporte mais competitivo com uso de uma bicicleta diferente, que jamais aguentaria o sacolejo das estradas de terra. A mountain bike é um ciclismo de montanha, explica o gerente Marcel Cavalari. Ele pertence ao Clube dos Ciclistas Aventureiros (CCA) de Pederneiras.
Os grupos de amigos, casais, famílias e atletas de ponta são vistos em vários tipos de eventos. Cavalari pratica a atividade esportiva há mais de três anos. "Começou meio na brincadeira com passeio com meus filhos, sobrinhos e depois também a minha esposa, servindo de espécie de terapia para descansar a mente", relata Cavalari.
O professor Adriano Mazotti, do Bike Bariri, organizou o último passeio realizado no domingo com percurso de 25 e 50 quilômetros. "Realizamos com dois trajetos, porque têm menos custos reduzindo o número de pontos de apoios. Há um pessoal que gosta de trilhas mais lights e outros mais longas", conta.
As trilhas nunca são as mesmas. No caso de Bariri no ano passado foi mais direcionada à região norte, cortada pelo rio Jacaré-Pepira sem canaviais e, neste ano, foi no entorno da fazenda Paraíso, banhada pelo Rio Tietê próximo ao porto Barreiro onde a Raízen carrega as barcaças para transporte da cana. "O ano que vem já pensamos incluir um outro trajeto, assim o ciclista sempre vai conhecer um trecho novo do município de Bariri", conta Mazotti.
Embora seja um evento de lazer exige muito dos organizadores. Os caminhos precisam ser todo demarcados. "No caso do passeio de Bariri não é necessário nenhum grupo puxar os demais. Há sinalização de toda a trilha. Isso facilita os ciclistas que gostam de andar mais rápido e aqueles que vão mais devagar com percurso de maior duração", ressaltou o representante do grupo de Bariri.
Da cidade para o campo
No último evento em Bariri a organização do evento contabilizou mais de 1.200 ciclistas. Embora existe inscrições antecipadas para saber o número de participantes para traçar os planos de ponto de apoio, no dia acaba vindo mais gente.
Geralmente os trajetos são de 25, 50 e até 70 quilômetros para que possam atender o interesse de grupos que preferem trilha mais light e aquelas mais difíceis com longo percurso. Em Bariri, segundo Adriano Mazotti, foram de 25 e 50 km para cortar os custos, porque é necessário menos pontos de apoio.
Popularização
Para Marcos Levoratto, do Perdidos na Trilha MTB de Barra Bonita, a prática do mountain bike começou a ser mais difundida a partir abertura do mercado brasileiro para a chegada de bicicletas importadas.
Antigamente, o ciclismo era mais competitivo para provas em estradas pavimentadas. Não havia ainda difundido o cicloturismo. A chegada de bikes mais reforçadas para trafegar em estradas de chão batido ajudou a incentivar esse tipo de esporte que se mistura com atividade de lazer. "Para quem quer competir e andar mais tem que usar outro tipo de bicicleta. As antigas mountain bike tem gente que ainda está usando, mas são inapropriadas. Não tem resistência e são pesadas. Quando abriu o mercado começaram a chegar bikes resistentes e de melhor de qualidade", declarou.
O material de segurança também ficou mais acessível. Os grupos, por exemplo, exigem a utilização de capacete, óculos, luvas e cotoveleiras para atenuar eventuais quedas.
De acordo com Marcel Cavalari, do Clube dos Ciclistas Aventureiros (CCA) de Pederneiras, o mountain bike teve um boom nos últimos três anos porque é um ciclismo de montanha. O desafio não é correr, mas enfrentar altimetria (percursos com mais subidas que exigem mais esforço físico). "Dependendo da região a gente sobe até serra. E por que o mountain bike? Não tem tanto risco, a gente sempre está pedalando em circuitos de cicloturismo que nada mais é do que passear, fazer amizades e tirar fotos. Acreditamos que o ciclismo muda a vida das pessoas. Há bastante relatos que viviam com depressão profunda e melhoraram com os passeios," contou.