11 de julho de 2026
Bairros

"Pipas com cerol também são usadas por muitos adultos"

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

Adolescente mostra linha chilena usada em pipa; ele afirma que muitos adultos também fazem uso de materiais cortantes

As férias escolares estão praticamente no fim, mas o problema do uso das pipas com cerol continua em Bauru. E a irresponsabilidade não se restringe à criançada. Cada vez mais perigosa, a brincadeira envolvendo material cortante é praticada até mesmo pelos mais crescidos.

“Além dos adolescentes, pipa com cerol ou linha chilena também é coisa de adulto”, alerta o engenheiro chefe da CPFL Paulista em Bauru, Carlos Eduardo Mady. Segundo ele, o perfil vem sendo percebido pelos profissionais da empresa, durante trabalho em campo.

Como resultado da péssima prática, a companhia já registrou 47 desligamentos de energia neste mês na cidade, o que deixou 19.935 clientes “no escuro”. Ao todo, são quatro ocorrências a mais do que as contabilizadas em julho inteiro de 2016.

Segundo o engenheiro chefe da CPFL, a empresa vem reforçando as ações nas escolas sobre conscientização do uso adequado de pipas. Entretanto, ele revela que há bastante dificuldade em atingir o público mais velho. “Depois da constatação de que muitos adultos também soltam pipas com material cortante, existe um esforço para que a campanha ‘Chega de Choque’ chegue até eles também”, ressalta ele, destacando que a mobilização, com duração até dezembro deste ano, envolve a divulgação de conteúdos sobre segurança em meios de comunicação.

FLAGRA 

Nessa segunda-feira (24) pela manhã, a reportagem do Jornal da Cidade flagrou crianças e adolescentes soltando pipa com linha chilena sob uma rede elétrica (conhecida como “linhão”), no Núcleo Gasparini. Inclusive, ao menos dois papagaios já haviam enroscado nos fios.

Um dos garotos, de 14 anos, confirmou que é comum o uso de pipas com material cortante também por maiores de 18 anos. “Eles soltam (pipas) quase todos os dias, geralmente, no período da tarde”, contou o rapaz (a identidade dele foi preservada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente -  ECA).

Ele revelou ainda que a linha chilena (que possui poder de corte quatro vezes maior do que o cerol) é facilmente adquirido em algumas lojas da cidade. O grupo não demonstrou, entretanto, preocupação ao ser questionado sobre os riscos de acidentes de trânsito ou choques elétricos. 

Conforme o JC divulgou, uma motociclista de 20 anos foi ferida por linha de pipa com cerol (ou linha "chilena") na semana passada, quando transitava pela quadra 1 da avenida Nuno de Assis. Mesmo com capacete, ela sofreu ferimentos no nariz e na pálpebra.

No mês passado, mais dois casos envolvendo moto foram registrados na cidade, quando os condutores trafegavam durante o dia no Pousada da Esperança 1 e no Bauru 16. Após se enroscarem em fios de pipas, eles acabaram caindo das motos. Por sorte, não se feriram com gravidade.

Cresce número de desligamentos no município

Somente neste mês, Bauru contabilizou 47 desligamentos de energia por conta de pipas com cerol (ou linha chilena), segundo a CPFL Paulista. Ao todo, 19.925 clientes foram prejudicados, sendo quatro ocorrências registradas entre quarta da semana passada e no último domingo (23).

Em julho inteiro do ano passado, a companhia local identificou 43 interrupções de energia (quatro casos a menos), afetando 10.357 clientes. “Neste mês, não houve chuva na cidade, o que pode ter contribuído para o aumento de casos”, aponta Carlos Eduardo Mady.

Segundo o engenheiro, somente na última quarta-feira, foram registrados dois desligamentos por causa de pipas: um na região do Jardim Bela Vista, à tarde, e outro no Jardim América, à noite. Ambas as ocorrências afetaram mais de 9 mil clientes.

“No sábado (22), por volta das 17h50, houve outra interrupção no Pousada da Esperança, prejudicando 5.100 clientes. Ontem (domingo - 23), no [Núcleo] Gasparini, foram 300 imóveis afetados. Em todos os casos, os moradores ficaram até uma hora sem energia”, pontua.

MAIS ATINGIDOS

Ainda de acordo com Mady, os bairros mais atingidos em julho foram: Bela Vista, Vânia Maria, Vila Industrial, Jardim Europa, Pousada da Esperança 1 e 2, Parque Real e Vila Dutra.