| Aurélio Alonso |
| Cruzeiro fica ao lado do altar que pertenceu a São Domingos do Tupá |
Após 69 dias, o cruzeiro que tinha sido removido do antigo cemitério de São Domingos do Tupá foi restaurado e instalado nessa segunda-feira (24) de manhã no Espaço Histórico Plínio Cardia, em Agudos (13 quilômetros de Bauru). É o último resquício da existência da localidade que desapareceu no início do século 20.
Em maio, o JC teve acesso a informação de que o cruzeiro estava escorado em um cipó prestes a cair, depois de uma visita do memorialista Celso Prado, de Santa Cruz do Rio Pardo que estuda a história da região. No dia 16 de maio uma equipe do Espaço Histórico Plínio Machado Cardia chefiada por Marilena Napelone Cardia e o prefeito de Agudos, Altair Francisco Silva (PRB) decidiram removê-lo do local e encaminhar para a restauração.
No local ainda há restos de túmulos em meio a uma mata, circundada por canavial. Aos poucos, Agudos vem conseguindo recuperar a história do primeiro povoado dentro dos limites do município e importante para a formação das cidades da região. A localidade de São Domingos do Tupá é envolta de mistério há mais de 100 anos.
No século 19 foi uma próspera povoação localizada entre Águas de Santa Bárbara e Agudos. Passagem obrigatória dos sertanejos, com o advento da República perdeu a influência com o expansionismo bandeirante até praticamente desaparecer no início do século 20. As últimas provas de sua existência são um conjunto de fotografias da capela, do altar da única igreja que garantiu status de freguesia e a imagem de São Benedito, guardados também no Museu Histórico de Agudos.
Na última semana, uma carta escrita pelo padre Francisco José Serodio datada de 15 de março de 1872 com relatos de como era o "último sertão de Botucatu" encaminhada a Justino Carneiro Geraldis foi fotografada e fará parte do acervo do museu. O texto escrito a bico de pena conta detalhes da povoação.
Por enquanto, o cruzeiro ficará sob responsabilidade do Espaço Histórico até uma nova destinação. São Domingos fica perto de Domélia, que já foi distrito de Santa Cruz e hoje pertence a Agudos. O povoado ganhou a extensão oficial "Tupá" no nome quando já apresentava declínio, em 1905, segundo documento da Assembleia Legislativa de São Paulo pesquisado pelo historiador santa-cruzense Celso Prado.