09 de julho de 2026
Regional

MST invade novamente a Fazenda Esmeralda


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Jerônimo Cosme/Jornal da Semana
Fazenda de Duartina invadida nesta terça-feira, em Duartina

O Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) invadiu nessa terça-feira (25) a Fazenda Esmeralda, do coronel João Baptista Lima, amigo do presidente Michel Temer (PMDB), em Duartina (32 quilômetros de Bauru).

A ação, segundo o movimento, é parte da Jornada Nacional de Lutas, em razão do Dia dos Trabalhadores Rurais nessa terça (25). O lema é "corruptos, devolvam nossas terras!".

É a segunda vez que o MST age na Fazenda de Esmeralda, em Duartina. Em maio de 2016, eles foram à fazenda para "denunciar as conspirações golpistas de Temer". Afirmam que, naquela ocasião, encontraram cartas endereçadas a Temer e materiais de sua campanha a deputado federal de 2006. Em maio deste ano, 300 integrantes da União Nacional Camponesa (UNC) invadiram a Fazenda Esmeralda.

Oficialmente, a propriedade, batizada de fazenda Esmeralda, está registrada parte no nome de Lima (749,1 hectares) e parte (1.245,84 hectares) no nome da Argeplan, escritório de arquitetura e engenharia de que o coronel é sócio.

Lima coordenou todas as campanhas de Temer ao Congresso, desde 1986. Hoje, é um dos principais investigados pela Polícia Federal nos inquéritos envolvendo o presidente.

Além de integrantes do movimento, há também policiais militares e civis na região. Eles dizem estar no local para investigar uma denúncia de que os membros do MST teriam abatido quatro gados da fazenda.

Segundo Antonio Carlos Crostóvão, que se apresentou como arrendatário do local, ele negociou o uso da área diretamente com a empresa e nunca falou com Lima ou Temer. "Precisava de pasto e gostei daqui. Peguei da Argeplan, mas quando comecei a frequentar a cidade, surgiu essa conversa, do coronel Lima, do Temer", afirmou.

Em 2016, o MST deixou a fazenda cinco dias após a invasão, em 9 de maio. No dia 13, uma liminar do Tribunal de Justiça determinou que, caso houvesse nova ação na fazenda, o movimento teria de pagar multa diária de R$ 5.000.

Sylvio Carloni, advogado do coronel, afirma que a defesa já entrou com novo pedido de reintegração de posse, acatado ontem à tarde pela Justiça. Diz esperar que a intimação para que se cumpra a decisão saia ainda nesta terça. O MST pediu prazo até o meio-dia de hoje para sair da propriedade.  

Após a primeira ação do MST, no ano passado, a assessoria de imprensa de Temer afirmou, em nota, que ele "não tem propriedades rurais. Não é dono de fazenda em Duartina". Nessa mesma ocasião, o coronel João Batista Lima Filho disse, também em nota, que a fazenda está no nome dele e de sua empresa, a Argeplan, que opera há 40 anos.