A Polícia Federal (PF) está cumprindo nesta terça-feira (25) mandados judiciais dentro da segunda fase da Operação Glasnost, inclusive em Bauru, que combate a exploração sexual de crianças e o compartilhamento de pornografia infantil na Internet. De acordo com a PF, 350 policiais cumprem nesta terça-feira 72 mandados de busca e apreensão, três de prisão preventiva e dois de condução coercitiva
Em Bauru, as primeiras informações apontam para um porteiro acusado de tirar fotos das crianças de um condomínio e tentar aliciá-las. Ele é suspeito de abuso. A ocorrência ainda está em andamento.
Segundo o delegado Flávio Augusto Palma, entre os detidos em todo o Brasil estão pais que abusavam das próprias filhas, professores, médicos, um homem de 80 anos e funcionários de altos cargos em órgãos públicos, entre outros. “Não existe perfil [de abusador] e ocorreu uma situação inusitada. Uma mulher foi presa por abuso sexual de crianças: toda a família praticava atos sexuais entre todos. Os familiares e conhecidos foram presos em desdobramentos da operação”, afirmou.
Em Vila Velha (ES) foi identificado um pai que abusava da filha, produziu imagens e compartilhou no site. Ele foi identificado e preso na operação. Em Jundiaí uma pessoa passava na rua fotografando crianças e chegou a cometer crimes. Ele também foi preso.
Em Praia Grande (SP), foi preso um pai que abusou da filha até os 8 anos de idade na casa da avó da menina. Ele compartilhava as imagens nas redes e afirmou que parou por medo da criança contar para as amigas.
A ação é continuação da operação deflagrada em novembro de 2013, quando foram cumpridos 80 mandados judiciais, entre eles, 30 prisões em flagrante por posse de pornografia infantil. Foram ainda identificados e presos diversos abusadores sexuais, bem como resgatadas vítimas, com idades entre 5 e 9 anos.
BRASIL TODO
As ações ocorrem em 51 municípios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Sergipe.
A PF informa ainda que a investigação teve como base o monitoramento de um site russo. Ele era usado como “ponto de encontro” de pedófilos de vários países. As investigações identificaram centenas de usuários, brasileiros e estrangeiros, que compartilhavam pornografia infantil na internet, bem como diversos abusadores sexuais e produtores de pornografia infantil.
“Os investigados produziam e armazenavam fotos e vídeos de crianças, adolescentes e até mesmo de bebês com poucos meses de vida, muitos deles sendo abusados sexualmente por adultos, e as enviavam para contatos no Brasil e no exterior”, diz a nota da PF.
O NOME
O nome da operação, Glasnost, faz referência ao termo russo que significa transparência. A palavra foi escolhida porque a maior parte dos investigados utilizava servidores russos para a divulgação de imagens de menores na internet e para contatos com outros pedófilos ao redor do mundo.