08 de julho de 2026
Regional

Agudos: aterro recebe licença para operação

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Prefeitura de Agudos/Divulgação
Licença da Cetesb permite ao aterro sanitário de Agudos funcionar até 20 de julho de 2022

Após 17 meses operando de forma irregular, o aterro sanitário de Agudos (13 quilômetros de Bauru) finalmente obteve licença. A renovação do aval, emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) possui validade até 20 de julho de 2022.

No documento, a Cetesb atesta que o aterro sanitário de Agudos está em condições de funcionamento dentro dos critérios exigidos, pelo órgão ambiental.

A corrida para obter a licença, no entanto, foi árdua. A atual administração diz ter realizado várias reuniões com o órgão desde o dia 3 de fevereiro. E investiu cerca de R$ 150 mil nas obras de regularização do local.

"Fizemos toda limpeza no entorno da área, capinação, colocamos cercas para evitar a entrada de animais, investimos na manta PEAD [usada para proteção e impermeabilização de solo], consertamos vazamentos na drenagem do chorume", comenta o prefeito Altair Francisco Silva (PRB). "Da maneira que estava funcionando era apenas lixo sobre lixo, agora, temos um aterro de fato", ressalta Altair.

MULTAS

O período de funcionamento irregular gerou várias multas ao município, que recorreu de algumas delas. Duas, no entanto, uma delas de R$ 14 mil, foram pagas pela atual administração. A outra não teve o valor divulgado.

Com estes dois pagamentos, a prefeitura diz que teria conseguido interromper a emissão das multas diárias, que poderiam causar ainda mais prejuízos financeiros aos cofres públicos.

"Preferimos pagar as multas porque ficaria muito mais caro o transporte do lixo para um aterro particular. Os R$ 150 mil que investimos para recuperar o nosso aterro não pagaria a mensalidade de um local desses", compara o prefeito.

SEM DESCANSO

A obtenção do aval por mais cinco anos, contudo, não quer dizer que o município está livre do problema com o lixo. Atualmente, 30 toneladas são geradas por dia em Agudos.

"Nem 10% deste material vai para a reciclagem, hoje. Nenhum gestor pode ficar satisfeito com isso. Agora, estamos trabalhando intensamente para conseguirmos uma usina de lixo. A ideia é parar de enterrar matéria prima, ou seja, o que não for reciclado aproveitaremos como fonte geradora de energia", projeta prefeito.

Mas, por enquanto, há apenas estudos para viabilidade e tratativas iniciais com deputados sobre o assunto.

Panorama regional

Conforme o JC publicou no dia 16 de julho, só neste ano 18 locais inadequados para enterrar o lixo urbano de forma irregular foram interditados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente na região. O Programa "Lixão Zero" objetiva acabar com os aterros inadequados e já fez 1.140 inspeções e aplicou mais de 50 multas.

As interdições  ocorreram em Vargem, Cafelândia, Adamantina, Osvaldo Cruz, Santa Cruz do Rio Pardo, Itapeva, Assis, Santa Maria da Serra, Caconde, Batatais, Areiópolis, Osasco e Marília. Em alguns casos, as prefeituras chegam a recorrer e conseguem parcialmente a operar os aterros, mas uma hora terão que desativar. No caso de Ourinhos, o aterro funciona próximo a um aeroporto com liminar.

Os aterros inadequados causam contaminação do ar, das águas e do solo. A geração de chorume, fumaças e odores transformam o local em foco de vetores e roedores, o que pode causar problemas de saúde pública.