11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Promenade pela galeria"Angelina W. Messenberg"

Cleide Santos Costa Biancardi - Doutora em Artes
| Tempo de leitura: 3 min

A palavra promenade tem origem francesa e significa passeio, na expressão mais completa do termo, ou seja, o ato de percorrer a pé, sem pressa e apreciando o entorno de uma rua, de um lugar, um espaço aberto e ou fechado que apresente algo especial. Com a liderança francesa nas artes no século XIX, muitas palavras e expressões de sua língua foram incorporadas definitivamente ao vocabulário das artes visuais. Promenade é uma delas e parece perfeita para indicar aquele passeio que se faz ao visitar uma exposição de artes plásticas ou visuais, como denominam-se as expressões de pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas e uma infinidade de objetos artísticos, estáticos ou em movimento.

Promenade tornou-se ainda mais conhecida após ter sido usada como tema de uma peça para piano - suíte sinfônica, escrita em junho de 1874 chamada "Quadros de uma exposição" do compositor russo Modest Mussorgsky (1839-1881). Essa suíte e o propósito de sua criação é uma das histórias mais lindas da música do século XIX. Eu e o professor Hélcio Pupo Ribeiro, enquanto professores de história da arte, achávamos que essa música deveria ser o hino oficial dos artistas visuais. Quem nunca ouviu não pode deixar de conhecê-la.

Mas voltando à nossa realidade, minha sugestão aos bauruenses e visitantes é que façam um passeio até a Galeria "Angelina W. Messenberg" para conhecer a Exposição de Artes Visualidade Simultânea. O projeto é do Departamento de Museus e Pinacoteca Municipal Bauru, em comemoração aos 25 anos da inauguração da Galeria e uma homenagem merecida à artista plástica Angelina W. Messenberg, que atuou em nossa cidade por muitos anos.

A exposição contou com curadoria de dois experientes profissionais e artistas da Pinacoteca Municipal - Paulo Barreto e Ronaldo Gifalli. O texto curatorial é de Carol Ferreira, colaboração da museóloga Luiza Barbosa e apoio técnico de Elizete Maria Barro e José de Jesus Dias. Foram convidados artistas bauruenses ou que aqui trabalham, de diferentes gerações, linguagens e propostas, que fazem parte do grupo de profissionais responsáveis por manter a área de artes visuais sempre presente em nossa sociedade. São quase 40 artistas e número igual de obras.

Os visitantes terão uma ótima oportunidade de ver e rever artistas/professores, ex-alunos - hoje profissionais na área e alunos expondo simultaneamente. É um prazer e um grande orgulho fruir suas obras sabendo que, em grande parte, essa produção é resultado de quase cinquenta anos do curso de Artes Plásticas ou Artes Visuais em Bauru.

Outros artistas presentes nesta Mostra são igualmente responsáveis pelo panorama artístico bauruense, inclusive levando o nome da cidade, em exposições da área no país e no exterior, graças à sua constante e crescente produção. A linguagem, as técnicas e a temática das obras, bidimensionais ou tridimensionais com raras exceções são contemporâneas. Entre estas algumas com ousada e bem resolvida performance conceitual, o que valorizou a Exposição. As esculturas e os objetos artísticos, em número menor de trabalhos, estão bem representados nos diferentes materiais e técnicas expressas em elaboradas peças.

De outro lado, as criações dos artistas fotógrafos sempre nos surpreendem pela inovação e experimentação. Fotografia em Bauru é uma expressão artística que a cidade pode se gabar de ter ótimos profissionais e melhores artistas.

Os trabalhos pintura mais tradicionais, como a belíssima tela de Leonildes Berbel retratando Angelina Messenberg e uma tela feita pela homenageada, compuseram harmoniosamente o contexto nessas duas décadas e meia de história e arte de Bauru. A Mostra poderia ter se revelado ainda melhor, se alguns artistas tivessem encaminhado trabalhos mais recentes, que sabemos muito bem eles os têm; não preciso dizer a quem puxo as orelhas, cada qual saberá

Aproveitem estes últimos dias da exposição para visitarem a Galeria Angelina W. Messenberg, no Centro Cultural de Bauru. Façam o passeio sozinhos, acompanhados ou com a família. Levem seus filhos, netos, sobrinhos para conhecerem arte de verdade e ao vivo. Com certeza vão se surpreender. Mas, por favor, enquanto fazem seu promenade, desliguem o celular. Por quê?

É um sacrilégio!!!!!!!!!!