É na "Bauru! Comoção da minha vida..." que em março de 2014 mais um estudante, entre tantos outros, migra para a Cidade Sem Limites. Sim, sem limites foi o slogan criado para definir uma urbe central do Estado de São Paulo.
São Paulo, a cidade infinita. É meia-noite. O ônibus está para sair do terminal Palmeiras-Barra Funda. O jovem estudante, meio atordoado, entra no transporte, senta-se, mas não consegue dormir.
Para quê? Afinal, é o dia mais importante da sua vida estudantil: ele está no destino de Bauru para fazer sua matrícula no curso tão almejado na Unesp (Universidade Estadual Paulista).
A viagem parece ser mais longa do que ir a pé do Rio a Salvador, como diz a música 'Por Você', de Barão Vermelho, mesmo durando apenas 5 horas. É no raiar do sol que o garoto chega a Bauru, o sol que esclarece o dia com seu brilho e nos força a desenvolver o mundo com o nosso trabalho braçal, espiritual e intelectual. É com a luz da maior estrela do céu que o universitário pisa em terras bauruenses.
Tudo parece um sonho, descer do ônibus, pegar as malas e ir com destino à Unesp, não por causa do sono, mas por tudo que está acontecendo na vida dele. Tudo é inédito e, por isso, tudo gera surpresas.
A primeira delas é ver uma cidade do interior ter tantos prédios, sinal de desenvolvimento econômico, pois como a maioria dos paulistanos, este novo filho postiço de Bauru pensa inconscientemente: "Como uma cidade do interior pode ser assim?".
Bauru, nome que até então o garoto só tinha ouvido falar que era um lanche. Bauru, cidade que a partir desse momento não está no imaginário da mais básica necessidade humana, mas no dia a dia da vida deste universitário.
Bauru, palco de transformação de sua vida e das vidas de muitos e muitos e muitos jovens que vêm em busca de conhecimento no Centro Paulista, coração do Estado de São Paulo. Eis os motivos para parafrasear Mário de Andrade "São Paulo! Comoção da minha vida...".
Talvez a comoção venha por causa do estranhamento à primeira vista; talvez pela primeira impressão; talvez por causa do sentimento que temos às terras por onde passamos; talvez pelas pessoas que conhecemos nos lugares por onde andamos; talvez pela aquisição de costumes dos novos conterrâneos; talvez pela alma sentimental desse estudante.
Mas a verdadeira certeza, caro leitor, é a de que para este jovem e para muitos semelhantes a ele, Bauru é a comoção de sua vida...
O autor é estudante de jornalismo da Unesp