| Douglas Reis |
| Residência Inclusiva Feminina da Apae Bauru atende 10 mulheres |
Referência nacional, a Residência Inclusiva Feminina da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru completou 10 anos de atividades, em maio. O projeto atende especificamente jovens e adultos com deficiência física e intelectual, que, por algum motivo, perderam vínculos familiares e comunitários. Atualmente, a unidade abriga 10 mulheres.
"O objetivo é fazer com elas sintam que estão, de fato, em seus lares. Por isso, as fachadas das casas são comuns como todas as outras da vizinhança", destaca o coordenador do Serviço de Acolhimento da entidade, Roberto Franceschetti Filho, que comemora avanços ao longo de uma década do serviço.
"São pessoas que não tinham qualidade de vida. Hoje, contudo, elas fazem academia, três delas trabalham com carteira assinada. Elas alcançaram a independência de estarem inseridas na sociedade novamente. Outra conquista foi a construção da sede própria, em 2014, pois antes nós pagávamos aluguel", cita Roberto.
O aspecto "lar doce lar" é bem evidenciado ao percorrer o interior do imóvel. Em cada quarto, os detalhes pessoais vão mostrando um pouco da personalidade de suas moradoras, seus gostos e sonhos. A sala, por exemplo, é o cômodo preferido de Célia Anaia, 56 anos, que tem deficiência intelectual. "A casa é muito bonita. Gosto de ficar no sofá e ver TV", revela.
O coordenador da unidade conta que Célia foi a primeira moradora. "Tudo começou com ela", frisa, ressaltando que, durante os 10 anos de atividades, já houve casos de pacientes que conseguiram voltar ao convívio familiar. "Em 2012, uma das residentes, de 24 anos, foi adotada por uma família", lembra.
PIONEIRA
Respeitada como referência nacional, por ser a primeira a ser implantada, a residência inclusiva da Apae Bauru teve início em maio de 2007, após proposta da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado (Drads) para realização de uma parceria e a construção de um novo modelo de acolhimento, que até então não era tipificado.
Atualmente, a unidade local é mantida com verbas estaduais e municipais: repassadas mensalmente pela Drads e pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), além de recursos próprios. "As residentes são encaminhadas para o nosso serviço de acolhimento através de medida protetiva. A demanda, infelizmente, é maior em relação ao número de vagas", pondera Roberto.
Entretanto, o sentimento de gratidão prevalece após tantos esforços para acolher mulheres que perderam vínculos familiares e sociais. "É uma felicidade imensa saber que as meninas, hoje, estão protegidas e com os direitos garantidos", enfatiza o coordenador do Serviço de Acolhimento da entidade.
Metas
Instituição de longa permanência, uma residência masculina também é mantida pela Apae Bauru. Inaugurada em 2011, hoje acolhe 15 residentes. A equipe de referência para ambas as unidades é composta por cuidadores, ajudante geral e técnico de nível superior (psicólogos, assistente sociais, terapeuta ocupacional e coordenador).
Roberto destaca que a meta, agora, é conquistar um prédio próprio para abrigar os residentes masculinos. "Conseguimos a doação de um terreno ao lado da residência feminina. Falta angariar recursos para a obra", projeta.