10 de julho de 2026
Internacional

Forte onda de calor na Europa leva países a declarar emergência

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

O casal suíço Pierre e Clara Schmidt, com 72 e 69 anos, decidiu que, neste fim de semana, irão para seu chalé nas montanhas dos Alpes. Algo que costumam fazer apenas no inverno. Mas, desta vez, a decisão foi a de subir a estrada para fugir de uma onda de calor sem precedentes em mais de uma década. Com a pior onda de calor em 14 anos, 11 governos europeus anunciaram um plano de emergência e apelam aos cidadãos para que adotem medidas extras de proteção. Para os cientistas, o fenômeno deve se repetir nos próximos anos com maior regularidade, afetando inclusive a estruturas de cidades, abastecimento de água e a produção agrícola.

Por enquanto, a recomendação para a população é de permanecer em locais cobertos durante os horários mais perigosos, evitar o sol, reduzir planos de caminhadas longas e se hidratar com frequência. Duas pessoas já morreram, na Polônia e na Romênia. Mas o temor dos serviços de saúde é de que ocorra o mesmo que em 2003, quando a Europa descobriu que a onda de calor tinha matado mais de 20 mil pessoas.

Agora, as autoridades chegam a sugerir que vizinhos liguem para aqueles moradores mais idosos em seus prédios, para garantir que a mesma tragédia não se repita.

A emergência já foi declarada na Itália, Suíça, Hungria, Croácia, Romênia, Sérvia, Bósnia, Espanha e França.

Algumas das mais altas temperaturas foram registradas na Itália, com 43 graus em Roma e 44 na Sardenha, com a possibilidade de chegar a 46 neste fim de semana. Em Roma, as autoridades indicaram que as internações aumentaram em 15% nesta semana. O calor ainda está levando a Itália a viver sua pior seca em 60 anos, enquanto prefeitos desligaram suas tradicionais fontes. Em locais turísticos, aparelhos de ar-condicionado não tem dado resultado e certos museus tiveram de fechar suas portas por algumas horas.

O impacto econômico também já é uma realidade. Agricultores abandonaram suas férias para começar já a colher as uvas, o que deveria ocorrer apenas em dez dias. A previsão aponta para uma queda de 50% na produção de azeitona e azeite, enquanto a produção de leite encolheu 30%. No total, 11 regiões italianas sofrem com a seca.

O mesmo impacto já é também sentido no meio rural da Bósnia, que prevê queda de produção de 10% neste ano. A safra de milho será 35% inferior à média normal na Sérvia.

Na França, o vale do Ródano chegou a registrar 41 graus, enquanto cidades como Praga, Varsóvia e Munique todas ficaram acima de 35 graus.